29 dezembro 2016

A Bênção das casas na Epifania


É bom que a primeira vez que se faz esta bênção na família, que se leia todo o texto juntos, para que as pessoas possam entender a origem e o significado desta tradição.

Por ocasião da "Solenidade da Epifania", existe no Ritual Romano antigo, a louvável tradição de abençoar a casa dos fiéis com a "Bênção da Epifania" ou "Benção para o Ano Novo".

Este é um sinal que cristãos vivem na casa e um sinal da bênção de Deus sobre ela.

Essa bênção era tradicionalmente feita pelo pároco, mas é possível que também os fiéis invoquem esta benção de Deus para o seu lar, até porque seria pastoralmente impossível atender territorialmente toda a paróquia, e a maioria das pessoas, inclusive sacerdotes, nunca ouviram falar desta bênção.

Trata-se é claro, de uma tradição antiga, mas que nunca foi proibida pela Santa Igreja, apenas foi caindo no esquecimento, como muitos costumes bons e salutares da nossa Santa Igreja. E embora não seja muito conhecida no Brasil, tem se difundido cada vez mais esta abençoada tradição.


Pode-se fazer a bênção sozinho(a) ou com seus familiares. Neste caso, enquanto o pai da casa invoca a benção de Deus, a mãe ou outra pessoas asperge o lugar com água benta, e outro inscreve as letras na parte de fora das passagens e portas.

Este costume, registrado em documentos desde o século XVI, é com certeza de origem anterior. Foi encontrado pela primeira vez no «Sacramentário Gelasianum Vetus» (na metade do século sete), para abençoar a casa no ano novo ou quando havia uma mudança de residência.

Essa tradição é baseada nos tempos da Igreja primitiva, onde os primeiros cristãos desejavam proteger e abençoar seus lares, identificando-se como Povo de Deus, em analogia ao que fizeram os hebreus no cativeiro do Egito quando marcaram as portas de suas casas com o sangue do Cordeiro Pascal (Ex 12, 12–13) e como as assinalaram também depois na terra prometida (Deut 6, 9).

Com esta inscrição invocamos a benção de Nosso Senhor que em Sua Encarnação no ventre de Maria, pelo poder do Espírito Santo, veio como a Luz do mundo para salvar o homem das trevas do pecado. Assim, invocamos esta benção para os nossos lares e reivindicamos a soberania de Cristo para os espaços onde vivemos e trabalhamos.

A Solenidade da Epifania ocorre no dia 6 de janeiro. No Brasil, se esta data não cai no Domingo, é transferida para o Domingo seguinte, a fim de que todos participem.

Neste ano de 2017, a Epifania cairá numa sexta-feira; portanto, penso que pode-se fazer esta bênção na sexta (dia 6) ou no domingo (dia em que será comemorada liturgicamente).

Deve-se marcar por cima das portas e passagens da casa, do lado exterior, a seguinte inscrição com o giz: os dois números (cifras) iniciais do ano; as siglas C+M+B, sendo que cada letra é intercalada com o sinal da Cruz; e em seguida os dois números (cifras) finais do ano. Costuma-se colocar também uma cruz em cima da letra 'M', ficando três cruzes.

As siglas «C M B» significam: «Christus Mansionem Benedicat», ou seja: «Cristo Abençoe esta Casa».

Santo Agostinho as explicavam também como: «Christus Multorum Benefactor», que significa: «Cristo benfeitor de muitos».

Representa também os tradicionais nomes dos três Reis Magos: Caspar (Gaspar), Melchior (Melquior ou Belquior) e Balthazar (Baltazar). Tradicionalmente esta inscrição deve permanecer até a Solenidade de Pentecostes, ou se desejar, até o próximo ano.

Para este ano de 2017 a inscrição será assim:

Epifania quer dizerManifestação do Senhor”. Com o nascimento de Jesus, Deus manifesta Seu desejo a todos os homens: Sua vontade de ter novamente Seus filhos a Seu lado e de pôr em prática o Seu Plano de Amor e Salvação.

A Igreja celebra três Epifanias, ou seja, três importantes manifestações de Cristo: A primeira aos Magos do Oriente (Mt 2, 1-12); depois a São João Batista no Jordão (Mt 3,13-17); e por fim aos discípulos de Jesus, no começo de Sua vida pública com o milagre das Bodas de Caná (Jo 2, 1-12).

Os magos (ou sábios) representam hoje os povos de todas as nações, raças e línguas, que acolhem o chamado de Deus deixando-se guiar pela luz da estrela até encontrar Jesus.

Da passagem bíblica do Evangelho de Mateus, sabemos apenas que eram magos, que vieram do Oriente e que como presente trouxeram ao Menino Jesus o ouro, o incenso e a mirra; e que depois de O adorarem voltaram para suas terras por outro caminho, fugindo de Herodes.

De acordo com a tradição da Igreja do século I, estes magos eram homens poderosos e sábios, de nações ao leste do Mediterrâneo. 

Antigamente, os conhecedores de medicina, astrologia e outras ciências eram chamados de magos ou sábios.

Provavelmente não eram reis, mas devido a seus conhecimentos científicos, tornavam-se conselheiros de reis e exerciam muita influência em seus países. O título de "Reis" com certeza deve ter sido influenciado pelo Salmo 71, que diz:
«Os reis de Társis e das ilhas lhe trarão presentes, os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão seus dons. Todos os reis hão de adorá-lo, hão de servi-lo todas as nações.» (Sl 71, 10-11)

E talvez por ser três o número dos presentes, a tradição nos deixou que foram três personagens; sendo que os nomes (Gaspar, Melchior e Balthazar) foram atribuídos pela primeira vez por São Beda.

Até o ano de 474 d.C. seus restos mortais (descobertos pela imperatriz Santa Helena, mãe de Constantino) estiveram em Constantinopla, a capital cristã mais importante no Oriente; em seguida foram trasladados para a catedral de Milão (Itália). Em 1164 foram trasladados para a cidade de Colônia (Alemanha), onde permanecem até nossos dias.

Os nomes atribuídos aos magos são bastante significativos.

- Gaspar quer dizer: «Aquele que vai inspecionar», ou seja, aquele que vai verificar e confirmar a vinda do Messias.
- Melquior quer dizer: «Meu Rei é Luz», é a grande confirmação da Realeza de Jesus: a Luz do Mundo.
- E Balthazar quer dizer: «Deus manifesta o Rei».

Os magos ofereceram a Jesus presentes típicos de suas regiões: ouro, incenso e mirra. Também os presentes têm o seu significado.

- Com o ouro reconheciam a realeza do Menino, o ouro quer dizer que Jesus é Rei.
- O incenso é o que se oferece a Deus nos altares em sinal de adoração. Com o incenso a humanidade reconhece a divindade do Menino que nasceu. Jesus é Deus Verdadeiro.
- A mirra, uma planta amarga, conforme o costume oriental, era misturada com outros perfumes e usada para perfumar corpos, vestes e casas. Ela representa o lado humano e o sofrimento do Messias. Jesus é Homem Verdadeiro, que sofrerá para expiar os nossos pecados.

Mateus nos diz que os magos mudaram o rumo e voltaram para suas terras por outro caminho. Mudar o caminho significa converter-se, reorientar a sua vida segundo Jesus.

Tendo encontrado o Salvador do mundo e contemplado o seu rosto devemos também reorientar a nossa vida segundo Jesus. Assim, a conversão é o apelo forte da celebração da Epifania. A boa notícia de hoje é poder dizer que a salvação está ao alcance de todos, vai encontrá-la quem mudar seus caminhos e seguir a Verdadeira Luz que é Cristo.

Rito da Bênção da Casa na Epifania

(Esta fórmula da bênção é simples, e requer apenas água benta e giz - que de preferência seja abençoado por um sacerdote ou diácono; mas não é imprescindível. Existem fórmulas mais complexas que recorrem a mais orações e uso de incenso. Pode-se encontrar na internet em sites em inglês ou alemão, provavelmente em latim.)

+ Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Oremos: Deus Todo Poderoso, inclinai Vosso ouvido. Que possamos ser preenchidos com saúde, bondade de coração, mansidão, obediência à Vossa lei, e ação de graças ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo. Ajudai-nos a amar e respeitar uns aos outros e fazer Vossa presença conhecida pela forma de cuidar uns dos outros. Enviai Vossos Santos Anjos que nos defenderão e cumularão de Graças todos os que aqui habitam. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Os presentes rezam o seguinte Salmo, intercalando as estrofes:

Salmo 71(72)

O poder régio do Messias
Abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mira (Mt 2,11)

1 Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, *
vossa justiça ao descendente da realeza!
2 Com justiça ele governe o vosso povo, *
com equidade ele julgue os vossos pobres.

3 Das montanhas venha a paz a todo o povo, *
e desça das colinas a justiça!
=4 Este Rei defenderá os que são pobres, †
os filhos dos humildes salvará, *
e por terra abaterá os opressores!

5 Tanto tempo quanto o sol há de viver, *
quanto a lua através das gerações!
6 Vi do alto, como o orvalho sobre a relva, *
como a chuva que irriga toda a terra.

7 Nos seus dias a justiça florirá *
e grande paz, até que a lua perca o brilho!
8 De mar a mar estenderá o seu domínio, *
e desde o rio até os confins de toda a terra!

9 Seus inimigos vão curvar-se diante dele, *
vão lamber o pó da terra os seus rivais.
10 Os reis de Társis e das ilhas hão de vir *
e oferecer-lhes seus presentes e seus dons;

e também os reis de Seba e de Sabá *
hão de trazer-lhe oferendas e tributos.
11 Os reis de toda a terra hão de adorá-lo, *
e todas as nações hão de servi-lo.

 Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
* Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Dir.: O nosso auxílio está no Nome do Senhor.

T.: Que fez o céu e a terra.

D.: O Senhor esteja convosco.

T.: E com teu espírito.

Oremos: Senhor Deus do Céu e da Terra, que revelastes o vosso Filho Unigênito a todas as nações com o sinal de uma estrela: Abençoai esta casa e todos os que nela habitam. Enchei-os com a luz de Cristo, e que o nosso amor pelos outros reflita o vosso amor. Pelo mesmo Cristo nosso Senhor.

R.: Amém.

Agora faz-se a inscrição com o giz na parte de fora de cada porta ou portal da casa, aspergindo o local com água benta. Enquantvai andando pela casa, de porta em porta, pode-se ir rezando orações como: "Pai Nosso, Ave Maria, Sanctus", etc., ou entoando cânticos natalinos. A pessoa que vai fazendo a inscrição, pode dizer em cada vez:

Os três Reis Magos: Caspar (marca-se a letra 'C'), Melchior (marca-se a letra 'M') e Balthazar (marca-se a letra 'B'), seguiram a estrela do Filho de Deus que se fez homem há dois mil (marca-se os dois primeiros dígitos: 20 à esquerda das letras) e dezessete anos atrás (marca-se os dois últimos dígitos: 17 à direita das letras). Que Cristo + abençoa nossa casa + e mantenha-se conosco através do novo ano +

Ou fala-se tudo na primeira inscrição e nas outras, apenas: Que Cristo + abençoa nossa casa + e mantenha-se conosco através do novo ano +

Depois de abençoados todos os lugares, o dirigente finaliza:

Oremos: Ó Deus, que hoje revelastes o vosso Filho às nações, guiando-as pela estrela, concedei aos vossos servos, que já vos conhecem pela fé, contemplar-vos um dia face a face no céu. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

T.: Amém.
BÊNÇÃO do GIZ

P.: O nosso auxílio está no nome do Senhor.

Todos: Que fez o céu e a terra.

P.: O Senhor esteja convosco.

T.: E com o teu espírito.

P.: Abençoa, + ó Senhor Deus, esta criatura, giz, a fim de que seja salutar ao gênero humano. E concede aos que, invocando o Vosso Santíssimo Nome, inscrever com ele nas portas de suas casas os nomes de seus santos, Casper, Melchior e Baltassar, possam através de seus méritos e intercessão gozar de saúde de corpo e de proteção da alma; por Cristo, nosso Senhor.

T.: Amém.
(Asperge-se com água benta)

Em latim:

V/. Adjutorium nostrum in nomine Domini.

R/. Qui fecit caelum et terram.

V/. Dominus vobiscum.

R/. Et cum spiritu tuo.

V/. Bene + dic, Domine Deus, creaturam istam cretae: ut sit salutaris humano generi; et praesta per invocationem nominis tui sanctissimi, ut, quicumque ex ea sumpserint, vel in ea in domus suae portis scripserint nomina sanctorum tuorum Gasparis, Melchioris et Baltassar, per eorum intercessionem et merita, corporis sanitatem, et animae tutelam percipiant. Per Christum Dominum nostrum.

R/. Amen.
__________________________________________

Fontes de pesquisa
  • Vídeo que mostra a bênção da Epifania, por um sacerdote em uma família:
  • Sobre a Bênção da Epifania:



  • Sobre o Sacramentário Gelasianum Vetus:
  • Sobre a inscrição C+M+B:
  • Sobre os Três Reis Magos (Muito interessante! Não deixe de ver):
http://cienciaconfirmaigreja.blogspot.com.br/2013/01/quem-foram-os-reis-magos.html
  • Padre Paulo Ricardo responde sobre os 'Três Reis Magos'.

24 dezembro 2016

Natal e natais!

Chega o 'fim de ano' e se iniciam as reportagens sobre o Natal. Os repórteres correm em busca de notícias que possam chamar mais atenção... Entrevistam as pessoas nas ruas, buscam novidades, curiosidades... e toda a mídia quer passar um clima de felicidade e confraternização. Tudo lindo! Enfeitado! Brilhando! Festas! Ceia! Panetones! Chocolates! Papai Noel!... Depois vem os 'Amigos-Secretos', as Retrospectivas de fim de ano, etc.

E onde está nisso tudo o nascimento de Jesus?


Realmente, este natal que nos é transmitido pela imprensa, pela mídia, não é o Natal cristão! Porque a preocupação com a Festa, a Ceia, os presentes é tanta que, muitos 'bons' cristãos e católicos até correm o risco de esquecer que o Natal é para comemorar o nascimento do Menino JESUS, e não uma simples festa de confraternização de fim de ano.

Muitos 'bons cristãos' se esquecem que a Sagrada Família viajou dias e noites pelas estradas da Galileia e Judeia, e que quando chegaram cansados, encontraram só as 'portas na cara'. Que o Menino nasceu em uma noite fria (porque no hemisfério norte é inverno nesta época do ano), em uma gruta de animais, na extrema pobreza.
"Veio para os Seus, mas os Seus não O receberam. Mas a todos aqueles que O receberam, aos que creem no Seu Nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus" (Jo 1, 11-12).

Se formos analisar bem, quem não é cristão, nem deveria comemorar o Natal! Para quê fazer festa, fazer ceia, trocar presentes...? Afinal, se a pessoa não crê em JESUS, vai comemorar o quê? É algo totalmente sem sentido! Que se comemore então só a passagem do ano, mas não o Natal!

É... Como bem disse a jornalista 'Rachel Sheherazade', na maior parte dos lares, o aniversariante do Natal não estará presente. Até quero colocar aqui abaixo este comentário que ela fez há alguns anos atrás, mas que mais do que nunca, continua bem atual:
Sabe quem vai faltar na Festa de Natal? O aniversariante do dia! Como na noite do Seu nascimento, ninguém Lhe abriu as portas; e Jesus não tem onde repousar. Não há espaço pra Ele nas casas dos hipócritas de ceias fartas e corações vazios. No 'teatro do natal', entre 'papai-noéis', pinheiros reluzentes e embrulhos de presentes, Cristo passa despercebido, como se o 'bom velhinho' fosse fato e o Bom Deus é que fosse lenda.
Eu não acredito no Natal-consumo, no Natal das gentilezas fugazes, do altruísmo anual. Natal são as Boas-Novas Eternas de um Deus que Se fez servo, do 'Verbo que Se fez carne', do Profeta que revolucionou o mundo pela paz e pelo amor. E é por amor a Esse Deus-Menino que os cristãos genuínos celebram o verdadeiro Natal. "Nasceu hoje o Salvador! Que é Cristo Senhor! Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade!" (por Rachel Sheherazade - jornalista)

Chego a pensar: será que as crianças de hoje, de famílias não cristãs, ou mesmo das famílias cristãs 'só de nome' sabem o que é o Natal?
É triste, mas provavelmente muitas crianças já devem pensar que quem nasceu no Natal foi o Papai Noel, e nem mesmo sabem da existência do Menino JESUS. Ou talvez pensem que ELE deve ser um 'personagem' antigo, de um conto, que aparece no fim do ano em uma coisa muito arcaica chamada Presépio.

E nós, que temos essa consciência, será que vivemos o Advento como um tempo de espera, de preparação, ou já nos deixamos 'acostumar' com o pensamento do mundo e já 'comemoramos' o 'natal' desde o mês de outubro, novembro, junto com o comércio?

Oh! Não digo que não devemos fazer Festa, e que devemos ficar tristes, pensando na pobreza e no frio da gruta, etc. Não é isso! Mas que possamos refletir sobre o que significa o verdadeiro Natal. Trazer para nossa vida este acontecimento que é o início da nossa salvação. Vamos comemorar sim, pois os Anjos mesmo nos chamam a isso:
Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: achareis um recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura. E subitamente ao anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia: Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos da benevolência (divina). (Lc 2, 10-14)

Mas vamos comemorar como cristãos... e não como pagãos! Vamos comemorar a Presença de uma Pessoa: o Menino JESUS. ELE é e deve ser o centro de tudo!

Não nos deixemos levar pelos 'natais' do mundo, da mídia, da imprensa, dos brilhos artificiais! 

O fato de hoje em dia estar se confundindo o verdadeiro Natal com tantos 'natais' falsos, vai gerando no coração de algumas pessoas uma falta de sentido, uma falta de motivação de se viver esta Festa tão maravilhosa. Há poucos dias, vi em uma reportagem, uma mulher que era entrevistada sobre o que achava do Natal. Ela dizia, quase com um tom de desprezo: "Ah! Natal é todo dia!" É como se ela desabafasse: Pra quê comemorar?

Oh! Sim.... tudo bem... Também penso que o Natal deve ser todo dia, pois todo dia JESUS deve nascer e estar presente em nossa vida; mas não é por causa disso que vamos deixar de comemorar o Natal.

A Liturgia não existe apenas para preencher o currículo de atividades da Igreja, mas para que a expressão externa da nossa fé, nos faça revivê-la interiormente.

A Igreja comemora o Natal, não só para ter algo para festejar (no sentido mundano), mas porque nós cristãos devemos "fazer memória". Não é por causa da imprensa, da mídia, dos falsos natais, que devemos perder a esperança e a alegria de resgatar e celebrar o verdadeiro Natal!

Não devemos pensar assim: 'Ah! Natal é todo dia!'... como se não precisássemos comemorar em uma data especial a Encarnação de DEUS entre nós! Sim, deve ser todo dia, mas devemos ter essa data especial para comemorá-lo! Mas comemorá-lo do jeito certo!

Mas... às vezes é tão fácil passar a noite - ou ainda: 'virar a noite' - entre as comilanças da Festa... e como é difícil passar a noite - e 'virar a noite' - em uma Capela, em uma vigília de adoração silenciosa!

Há um ditado popular judeu que diz o seguinte: "a memória é o pilar da redenção, e o esquecimento o começo da morte."

Como seria bom se cada família vivesse o Advento como verdadeiramente deve ser: na expectativa de Alguém muito importante que vai chegar! Alguém para o qual devemos preparar a casa (principalmente a do coração).

Como seria bom que em cada domingo do Advento acendêssemos uma vela da 'Coroa do Advento' em nossa casa, que colocássemos a imagem de 'Nossa Senhora do Advento' cada vez mais perto da Gruta, e que crescesse a nossa expectativa. Que essa expectativa chegasse ao auge na noite da vigília do Natal, quase como uma 'inocente empolgação infantil'!

Sim! Vamos comemorar! Mas... que o brilho das vitrines e dos enfeites nas ruas, não ofusque nossa 'vista interior' para o brilho da Luz Eterna que veio iluminar as nossas trevas!

Que não tenhamos vergonha de dizer aos colegas, vizinhos e familiares: "Um Santo Natal!", em vez de dizer somente: "Boas festas!"

Que os presentes trocados não nos tire a lembrança do Verdadeiro Presente que o PAI nos deu. O Divino Infante, o DEUS-conosco é o maior e melhor presente que podemos ganhar! E o nosso coração aberto, humilde e agradecido, é o presente que ELE quer ganhar.

Que as comidas gostosas não nos tire o 'apetite' do Verdadeiro 'Pão do Céu, que contém todo o sabor'!

Sim! Vamos comemorar. Vamos nos reunir em família, fazer a Ceia, trocar os presentes... Mas sem esquecer o principal que é JESUS Menino! Sem esquecer que devemos ir à Igreja, participar das celebrações litúrgicas, que são de preceito!

Vamos nos reunir não só ao redor da mesa da Ceia, mas também, e principalmente, ao redor da Mesa Eucarística (do Altar da Santa Missa).

Vamos nos reunir não só ao redor da árvore de Natal onde estão os presentes, mas também, e principalmente junto à Maria, a nova 'Árvore da Vida', de onde nos veio o 'melhor Fruto', o fruto do seu ventre.

Vamos nos reunir não ao redor das vitrines, mas ao redor do Presépio de nossa casa, e ali colocar a imagem do Pequenino Menino que nasceu, e cantar para Ele... rezar juntos, em família.

- Como seria viver o verdadeiro Natal cristão!?
- Penso que seria estar lá na Gruta de Belém, e passar a noite com Maria, José e os Santos Anjos, adorando o Menino Jesus; assim como fizeram os pastores. Esse é o verdadeiro Natal!
- Mas - diria alguém - não nos é possível estar lá na Gruta de Belém... não podemos voltar no tempo.
- Sim! É possível! Vamos fazer memória, 're-vivendo', ou seja, celebrando hoje, aquilo que aconteceu há mais de dois mil anos atrás. Vamos trazer este acontecimento para a nossa vida, para o nosso presente, como se entrássemos em uma 'máquina do tempo' e pudéssemos ir lá, naquela Noite!

Podemos crer que cada Igreja Católica onde tem o Santíssimo Sacramento se torna uma nova Belém! Ele é DEUS-conosco, Vivo e Presente na Eucaristia. Não é uma 'presença significativa', mas real!!! Cada dia e noite, Ele está lá e nos espera! Então, vamos até Belém. Vamos lá na Capela, adorar o Menino que nasceu! Venite adoremus!




Um Santo e Feliz Natal
com JESUS, Maria, José e os Santos Anjos!
Glória a DEUS nas alturas e Paz na terra aos homens de boa vontade!

19 dezembro 2016

História verídica de um milagre no Natal da Hungria

A maravilhosa história que vamos narrar trata-se de um fato que ocorreu no Natal de 1956 na Hungria. Ela foi revelada por um sacerdote chamado Nobert, um dos últimos fugitivos na época da perseguição comunista russa contra a Igreja Católica na Hungria. Esta história, apesar de ser encontrada com diferentes detalhes em sua narração, é verídica. Eis como aconteceu:

Dentro dos limites territoriais de sua paróquia, em Budapeste, havia uma Escola que estava à serviço do governo comunista. Uma mulher identificada apenas por Gertrude, era professora de uma classe infantil de meninas. Ela era declaradamente ateia militante e tinha por objetivo pessoal, destruir, no coração de suas pequenas alunas, as “superstições que infestavam” a escola, ou seja, a fé cristã. Mesmo assim, as crianças provenientes de famílias fervorosamente católicas, não se deixavam influenciar.

Certo dia, uma das alunas mais inteligentes da sala, de 10 anos, chamada Angela, foi ao padre Nobert pedindo a autorização para receber a Santa Comunhão todos os dias. Padre Nobert conta que preveniu a menina do risco ao qual ela estaria se expondo, mas ela se defendeu tão sabiamente, que o padre acedeu; disse ela: Para dar bons exemplos na classe e na escola, preciso estar forte. E nos dias que comungo, sinto-me mais forte. A professora não conseguirá apanhar-me em um erro. Por favor, senhor Padre, não me recuse o que lhe peço.”

Mas Gertrude parecia descobrir as crianças que comungavam e, apesar de que Angela era uma excelente aluna, começou a sofrer perseguições da professora comunista, que sempre buscava um pretexto para implicar a pequena. Aparentemente a professora sempre vencia e aproveitava de sua autoridade para ter a última palavra. Embora a menina resistisse, ficava visivelmente abatida. Mesmo assim, o silêncio da garota irritava a professora. As outras alunas relatavam os ocorridos ao padre Nobert, que nada podia fazer. Graças a Deus que Angela continuava firme na fé – dizia ele – e a nós restava rezar, confiando em Deus”.

Assim, aconteceu que pouco antes do Natal, no dia 17 de dezembro de 1956, Gertrude maquinou uma cilada para ridicularizar a fé da menina. Pediu que ela se retirasse da sala, e depois de um tempo suas 31 coleguinhas chamaram-na em uníssono: Angela, entra!” A pequena já entrou desconfiada, pressentindo a armadilha, quando a professora disse às alunas: Viram! Estamos todas de acordo!” Os olhos da professora ardiam como fogo, como de um gato quando se atira a um rato. Tinha uma cara má, muito má!” - revelou uma das garotas.

Então, a professora voltou-se para Angela e disse: Quando os teus pais te chamam, o que você faz?” E com o coração apertado de temor, a menina respondeu: Vou até eles.” Gertrude retrucou: Sim! Você vai até eles porque você existe! E olhando para as outras garotas, continuou: E se vocês chamarem o 'Barba-azul', ele vem?” Não, porque ele não existe!” - responderam as garotas. Isso mesmo! - continuou a professora - Ele não vem porque não existe, porque é uma fábula. Os vivos, os que existem, respondem quando os chamamos. Os que não respondem é porque não existem! Vocês entenderam?” E com um sorriso malvado Gertrude continuou: Parece que há entre vocês alguém que acredite no Menino Jesus?...”

Nesta hora, as crianças percebendo sua intenção maldosa, silenciaram. Algumas vozes tímidas ainda responderam: Acreditamos!”

E tu, Angela - perguntou Gertrude - você crê que o Menino Jesus te ouve quando o chamas?” Sim! - respondeu a menina com ardente fervor e coragem - Eu creio que Ele me ouve!” Ótimo! - continuou a professora - Então façamos a experiência. Se o Menino Jesus existe, ele ouvirá quando vocês o chamarem. Vamos! Gritem todas ao mesmo tempo: 'Vem, Menino Jesus!' Vamos! Um, dois, três! Vamos!”

Mas as meninas abaixaram a cabeça tristemente em silêncio. Imaginemos a angústia que passou no coração destas pequenas crianças, que se viram encurraladas pelos argumentos maléficos desta mulher ateia.

Então, a professora soltou uma risada, dizendo: Vamos! Se o Menino Jesus existe, ele ouvirá que vocês o chamam, e virá!” Como as crianças permaneciam em silêncio, a professora concluiu: Viu! Vocês não têm coragem de chamá-lo porque sabem que ele não virá, porque ele não existe! Assim, o Menino Jesus é uma fábula assim como o 'Barba-azul', como a 'Chapeuzinho Vermelho'...”

Angela continuava de pé, pálida e rídiga. Mas de repente, como que movida por um impulso sobrenatural, a menina se colocou mais ao centro da sala e convocou as colegas com firmeza: Ouçam-me! Vamos chamá-Lo! Juntas, gritemos: 'Vem, Menino Jesus!'” As garotas ainda com receio, permaneciam caladas e assustadas, até que uma a uma foi se levantando, e olhando umas às outras, com as mãos em prece, gritaram juntas: Vem, Menino Jesus!”

A professora, surpresa com a reação das garotas, recuou um pouco. E Angela, encorajada, e com um brilho de esperança, insistiu: Vamos! De novo!” E as meninas gritaram novamente com mais força: Vem, Menino Jesus!”

De repente - relataram as crianças - a porta se abriu silenciosamente. A luz do dia pareceu fugir para a porta, e essa luz transformou-se em um globo de luz que foi se abrindo como uma noz.”
A princípio, elas ficaram com um pouco de medo, mas nem tiveram tempo para gritar, pois no globo de luz surgiu um Menino tão lindo como nunca tínhamos visto. Ele sorria, mas não falava nada. Ele vestia uma túnica branca resplandecente, e assemelhava-se a um pequeno Sol. As crianças encheram-se de júbilo, sorrindo felizes. Depois, o Menino desapareceu com o globo de luz que se fechou devagarinho. Também a porta se fechou devagar e silenciosamente.”

As meninas se abraçavam, sorrindo e chorando, com imensa alegria. Mas, de repente, um grito ecoou no ar. Aterrorizada e com os olhos arregalados, a professora começou a gritar: 'Ele veio! Ele veio! Ele existe!'” E conta-se que ela fugiu da sala batendo a porta”.

Angela, olhando para as colegas, falou com alegria: Viram! Ele veio! Ele existe! Vamos agradecer!” E todas se ajoelharam e rezaram cheias de gratidão e alegria.

Suposta foto de Angela
O padre Nobert, que anos mais tarde revelou este acontecimento, afirmou ter interrogado as 32 meninas, uma por uma, e não encontrou nenhuma contradição em seus relatos. Por causa da perseguição comunista, ele teve que partir precipitadamente da Hungria, refugiando-se no ocidente, e não teve mais notícias de Angela e sua família, sabendo apenas que ela era a filha mais velha de uma família católica de muitos filhos. Sobre a professora Gertrude, soube-se que ficou tão transtornada que foi internada em uma clínica para loucos, e que não parava de gritar: 'Ele veio! Ele existe!'

Que possamos refletir no exemplo de fé e coragem destas crianças húngaras!

Desejamos a todos um Santo Natal, e que a certeza de nossa fé cristã jamais se esmoreça diante das críticas e perseguições. "Vem, Menino Jesus! Vem!"