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07 outubro 2020

A verdadeira História do Santo Rosário

A Santíssima Virgem entregando
o Santo Rosário
ao monge Domingos da Prússia,
da Cartuxa de Tréveris.
Embora tenha se divulgado tão amplamente que o Rosário surgiu com uma Aparição de Nossa Senhora à São Domingos de Gusmão (+1221), fundador dos Dominicanos, por ocasião da sua luta contra os Albingenses - e inclusive verifica-se isso em alguns textos eclesiásticos - existe uma outra versão da história contada pelos monges cartuxos.

No livro "O Rosário das Cláusulas" (foto abaixo), eles contam que estas invocações tiveram origem mais tarde, com um Monge também chamado Domingos, mas não o de Gusmão, e sim o chamado «de Tréveris», ou «da Prússia» (que faleceu por volta de 1.460), que era um monge cartuxo e não dominicano.

No site da Ordem Cartuxa (NOTA: após a reformulação do site da Cartuxa, não encontramos mais onde eles colocaram este texto seguinte, que estava no site uns anos atrás; mas esta mesma história é contada no livro que citamos; foto abaixo) eles explicavam: "Ora, uma lenda, que resiste obstinadamente, pretende que o Rosário foi entregue durante uma aparição da Virgem a São Domingos, como proteção na sua luta contra os Albingenses. Esta lenda é falsa, embora seja mencionada em certos documentos eclesiásticos."

É claro que os Dominicanos não tem a má intenção em querer sustentar esta história, provavelmente a maioria deles nem conheça esta versão cartuxa. E, provavelmente, a própria discrição dos Monges Cartuxos - que têm o silêncio como um ponto fundamental de sua Regra, e não costumam divulgar o nome de seus escritores e santos - tenha facilitado que esta lenda falsa tenha se espalhado.

Não descartamos aqui a presença Materna de Maria na vida de São Domingos, e sua poderosa intercessão, até porque a força da oração da Ave-Maria e a proclamação do Nome de Maria remontam aos primeiros séculos do cristianismo.

De qualquer forma, esta narrativa com São Domingos de Gusmão tornou-se, nestes últimos anos, uma oportuna ocasião para ilustrar - com uma estória bem significativa - o poder do Santo Rosário, e com certeza, contribuiu para que a recitação do Santo Rosário se tornasse mais conhecida entre os fiéis, e portanto mais amplamente divulgada. É como diz São Paulo: "eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer" (ICor 3,6); assim, pode-se dizer: "A Cartuxa plantou, os Dominicanos regaram, mas é DEUS quem fez crescer!" Mas é sempre bom sabermos a verdadeira origem dos fatos!

Então, vamos aos fatos que os monges Cartuxos narram:
  1. As primeiras biografias de São Domingos de Gusmão, fundador dos Dominicanos (* 1170  + 1221) dos dois primeiros séculos após a sua morte - não relatam nada sobre esta origem do Rosário. Como um fato deste, de tão grande importância, deixaria de ser relatado na Biografia do Santo, se ele realmente tivesse sido instrumento para o surgimento do Rosário?

  2. Esta história aparece somente em 1460, nas obras de Alan de La Roche, O.P. (+1475). E segundo Heribert Thurston, um Sacerdote Jesuíta, Alan de La Roche simplesmente fez uma confusão de nomes: ele confundiu «Domingos de Prússia, Cartuxo do Mosteiro de Tréveris», com «Domingos de Gusmão», fundador de sua Ordem; por causa dos nomes serem iguais.

  3. Graças à tipografia nascente na época de La Roche, seus trabalhos espalharam-se rapidamente por toda a parte, dando crédito à lenda.

  4. Em 1889, outro Dominicano, Tomás Esser, teve o mérito de ser o primeiro a explicar, após um aprofundado estudo das fontes que a introdução progressiva dos pontos de meditação na oração do Rosário remonta aos Cartuxos de Saint-Alban de Tréveris, na metade do século XV; citando inclusive os nomes de Domingos de Prússia e outro.

  5. Infelizmente as obras originais do Cartuxos de Tréveris não foram reencontradas; e novamente relembramos aqui o motivo disto: a discrição e silêncio característico da Ordem Cartuxa.

  6. O termo em latim "Rosarium" ou "Rosarius" não teve o mesmo significado que damos hoje, para o "Terço completo" de Nossa Senhora. Em tempos antigos, esta expressão, que era derivada do alemão "Rols" (cavalo), era usada para referir-se a coleções e obras de consulta de origem jurídica, ou coisas similares. Somente a partir do século XV, que o "Terço" ou "Rosário" passou a ter este nome. No início era conhecido apenas por "Pater noster".

  7. O Rosário não foi criado com os 3 Terços, que tradicionalmente conhecemos (Gozosos, Dolorosos, Gloriosos), nem havia a divisão dos mistérios em cada Terço, rezava-se apenas o "Pater", com as "Ave-Marias", seguidas das "Cláusulas", que eram frases tiradas do Evangelho, que ajudavam a meditar sobre alguma passagem da vida de JESUS.

  8. No início, não existia a segunda parte da oração da "Ave-Maria", ou seja, não se rezava a "Santa Maria, Mãe de DEUS...", como atualmente fazemos; rezava-se apenas a primeira parte e terminava com a cláusula.

  9. Existem várias versões de Cláusulas, pois na época em que se começou a difundir esta devoção, ainda não tinha se difundido a imprensa. Também porque o próprio monge Domingos da Prússia, da Cartuxa de Tréveris, dava ampla margem à piedade dos fiéis, no momento de se utilizarem das cláusulas.

  10. Só depois de um tempo começou a ligação das 150 Ave-Marias do Terço com os 150 Salmos da Bíblia.

  11. E uma curiosidade: os Mistérios Luminosos, criados pelo Papa São João Paulo II, também se encontram nas Cláusulas do Cartuxo de Tréveris.
Alguns católicos se recusam a rezar os Mistérios Luminosos (sugerido em 2002 pelo então Papa João Paulo II, na Carta Apostólica 'Rosarium Virginis Mariae'), afirmando entre outras coisas, que contraria a memorável tradição das 150 Ave-Marias que fazem referência ao Saltério (150 Salmos da Bíblia); feita pelo Papa São Pio V na Bula Papal 'Consueverunt', de 1569.

Na verdade, ninguém é obrigado a rezar os Mistérios Luminosos, já que o próprio papa, em sua Carta Apostólica, não impõe tal preceito.

Na Carta está escrito: "... seja oportuna uma inserção que, embora deixada à livre valorização de cada pessoa e das comunidades, lhes permita abraçar também os mistérios da vida pública de Cristo entre o Baptismo e a Paixão." (No original em latim, está escrito: "libero singulorum atque communitatum iudicio relictam", que literalmente significaria "livre juízo").

Assim, ninguém é obrigado a rezar os Mistérios Luminosos, mas também não podemos excluir esta meditação como se fosse uma heresia... Assim, reza quem quer. O mais importante, é que se medite nos Mistérios da Vida de Jesus e de Maria, que estão contidos no Evangelho!

Mas, como seria rezar com as Cláusulas? É bem simples!

Se, por exemplo, você vai rezar os Mistérios Gozosos. Reza-se o início do Terço normalmente: Credo, Pai-Nosso, 3 Ave-Marias. Glória. Depois já reza o Pai-Nosso (sem anunciar o Mistério). E começam as cláusulas:

- Ave-Maria, cheia de Graça! O senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre JESUS (que concebestes em vosso puríssimo seio). Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém. (10 vezes)

- Ave-Maria, cheia de Graça!... ventre JESUS (que levastes a Santa Isabel). Santa Maria... (10 vezes)

- Ave-Maria, cheia de Graça!... ventre JESUS (que de vós nascestes na pobre gruta em Belém). Santa Maria... (10 vezes)

E por aí vai... você mesmo pode formular as cláusulas, de acordo com o Mistério do Santo Rosário que vai meditar. Isso ajuda muito a não perdermos a contemplação do Mistério.

Você pode rezar desta maneira. Repetindo a mesma Cláusula 10 vezes, ou mesmo dizer uma Cláusula diferente a cada Ave-Maria; e foi assim que Domingos da Prússia, de Tréveris fez.

Abaixo, colocamos a sugestão de um livrinho maravilhoso, escrito por um monge Cartuxo anônimo, que conta esta história da verdadeira origem do Rosário, e que tem também 3 modelos de se rezar o Rosário com as Cláusulas. Este livrinho, é muito bom! Vale a pena adquirí-lo!



Você pode encontrá-lo nos seguintes endereços:

Cultor de Livros

Quadrante

Livraria Loyola

Scrib

26 novembro 2019

Novena de Natal: A Procura do Albergue

A melodia do Canto da Procissão da Novena,
você pode encontrar no seguinte link:


Se desejar o PDF desta Novena - com maior qualidade para impressão - envie-nos um e-mail.

19 fevereiro 2019

Carta aos Sacerdotes


Das Meditações de Catherine de Hueck Doherty:

“Uma noite, quando eu estava rezando, subitamente vi desaparecer as paredes da minha cabana de madeira (eu devia estar cochilando). De qualquer maneira, elas tinham desaparecido, e minha habitação, que não é extraordinariamente grande, estava subitamente povoada por uma multidão de padres!

Padres cheios de dúvidas.

Padres cheios de dores - dores escondidas.

Padres que estavam esperando para se tornarem leigos.

Padres que queriam se casar.

Padres que estavam pensando no divórcio.

Padres que permaneciam nos lugares para os quais tinham sido designados, mas eles pareciam tão cansados. Alguns deles estavam verdadeiramente exaustos.

De repente, sumiu da minha mente, do meu coração e da minha alma todo desejo de acusar qualquer um destes padres por sua falta de fé, fraqueza ou imaturidade. Eu fui subitamente tomada por amor e compaixão. Eu quis tomá-los em meus braços como se fosse a mãe deles ou a irmã mais velha. Eu quis consolá-los. Eu quis dizer-lhes o quanto eu amava o sacerdócio deles, que é o único sacerdócio de Cristo. Eu quis dizer-lhes o quanto eu e todos nós leigos precisamos deles. Mas mesmo nossas necessidades desaparecem neste amor e compaixão que me abarcaram.

Eu gostaria de poder falar, escrever, comunicar de alguma forma com cada padre do mundo inteiro que está nos espasmos da dúvida, da dor, da batalha interior, do cansaço. Gostaria de dizer que ele não está sozinho. Na profundeza de uma área rural do Canadá, há uma mulher estranha que ama o sacerdócio com um amor que ela mesma não entende porque ele transcende o entendimento,mas o coração dela é um mar de amor e compaixão!

Eu gostaria de poder sentar e escrever para todos os padres. Dizer- lhes que eu compartilho a sua dor, simplesmente a compartilho, seja qual dor ela for, porque eu amo o seu sacerdócio. Eles são meus irmãos e meus padres e eles estão tão sozinhos e perdidos nestes últimos tempos. Mas eu não posso escrever para todos os padres do mundo. Eu posso simplesmente repetir o que eu disse antes: as portas de Madonna House estão completamente abertas. Nós temos uma casa simples e humilde para padres. Nós temos Poustinias (palavra russa que quer dizer deserto), cabanas de madeira onde uma pessoa pode ficar só com Deus e descansar e pode, quem sabe, reaprender a rezar, se esta for uma das suas necessidades”.

Serva de Deus, Catherine Doherty, rogai por nós!!!

29 dezembro 2018

Mensagens de Jesus à Irmã Josefa Menendez

Mensagens do Coração de JESUS à Irmã Josefa Menendez, nascida em 4 de fevereiro de 1890, e falecida em 29 de dezembro de 1923. Estas mensagens seguintes foram retiradas do livro: "Apelo ao Amor" (Diário da Irmã Josefa Menendez).
  


30 novembro 1922
  • "Escreve para as almas: Meu Coração é todo Amor e este Amor abraça todas as almas..."
  • "Meu Amor vai tão longe que, do nada, minhas almas podem retirar grandes tesouros. Quando, desde a manhã, unindo-se a Mim, Me oferecem todo seu dia... que tesouros não acumulam em um dia!"
  • Descobrir-lhe-ei cada vez mais Meu Amor... É inesgotável!... E é tão fácil à alma que ama deixar-se guiar pelo Amor!"

20 outubro 1922

  • "Sim, o mundo está cheio de perigos... Quantas pobres almas, arrastadas para o mal, precisam constantemente de socorro visível ou invisível..."
5 dezembro 1922


  • Sim, sou Aquele JESUS que ama as almas com ternura... Eis o Coração que não cessa de chamá-las, de preservá-las, de cuidar delas!... Eis o Coração abrasado no desejo de ser amado pelas almas..."

6 agosto 1922
  • "Darei a conhecer que a medida do Meu Amor e de Minha Misericórdia para com as almas caídas não tem limites. Desejo perdoar. Repouso perdoando. Estou sempre esperando com amor que as almas venham a Mim! Não desanimem! Venham!... Atirem-se nos Meus braços! Não tenham medo! Sou seu Pai!"
2 dezembro 1922

  • "Quando uma alma arde em desejo de amar nada lhe é difícil; mas, se cai na frieza e perde o entusiasmo, tudo se lhe torna penoso e duro!... Venha então a Meu Coração e crie coragem!... Ofereça-Me esse desalento!... Una-o ao ardor que Me consome e fique tranquila, pois seu dia será de valor incomparável para as almas! Meu Coração conhece todas as misérias humanas e tem delas imensa compaixão. Não desejo somente, porém, que as almas se unam a Mim de um modo geral: quero que essa união seja constante e íntima, como é a união daqueles que se amam e vivem perto um do outro; porque, se não falam constantemente, ao menos olham-se e têm mútuas atenções e delicadezas que são fruto do amor. Quando a alma está em paz e consolação, é sem dúvida fácil pensar em Mim. Mas se a desolação e a obterá de Meu Coração as mais ternas delicadezas. Repetirei ainda às almas quantas as ama Meu Coração!... Pois quero que Me conheçam a fundo, a fim de Me darem a conhecer àquelas que Meu Amor lhes confie."

5 dezembro 1922
  • "Escreve ainda para elas: Meu Coração não é somente um abismo de Amor, é também um abismo de Misericórdia! E, conhecendo todas as misérias humanas, que se encontram mesmo nas Minhas almas mais amadas. Eu quis que as ações delas, por mais pequenas que sejam, possam revestir-se, por Meu intermédio, de valor infinito para o bem das que precisam de socorro e para salvação dos pecadores. Nem todos podem pregar e evangelizar ao longe os povos selvagens, mas todas, sim todas, podem tornar conhecido e amado o Meu Coração... Todas podem ajudar-se mutuamente para aumentar o número dos eleitos, impedindo e perda eterna de muitas almas... E isso, por efeito de Meu Amor e de Minha Misericórdia. Direi às Minhas almas que Meu Coração vai mais longe ainda: não somente Se serve de sua vida ordinária e de suas mínimas ações, mas quer utilizar também, pelo bem das almas, suas misérias, suas fraquezas, até suas próprias quedas. Sim, o Amor transforma e diviniza tudo, e a Misericórdia tudo perdoa!


Irmã Josefa Menendez

Sobre a Irmã Josefa Menendez você pode ver mais informações nos seguintes sites:


06 junho 2018

Como se livrar dos maus pensamentos?

PERGUNTA enviada via e-mail: Como se livrar dos maus pensamentos?

No livro da "Imitação de CRISTO", tem uma oração contra os maus pensamentos:
Senhor, meu Deus, não Vos aparteis de mim, meu Deus dignai-Vos socorrer-me (Sl 70,13). Pois me invadem vários pensamentos, e grandes temores afligem minha alma. Como escaparei ileso, como poderei vencê-los? Diante de ti - são palavras Vossas - irei Eu e humilharei os soberbos da terra (Is 14,1); abrir-te-ei as portas do cárcere e te revelarei mistérios recônditos. Fazei Senhor, conforme dizeis, e Vossa presença dissipe todos os maus pensamentos. Esta é a minha única esperança e consolação: a Vós recorrer em toda tribulação, em Vós confiar, invocar-Vos de todo o coração e com paciência aguardar a Vossa consolação. Amém!

São Tiago no diz em sua carta: " Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam. Ninguém, quando for tentado, diga: É Deus quem me tenta. Deus é inacessível ao mal e não tenta a ninguém. Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e alicia. A concupiscência, depois de conceber, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte." (Tg 1,12-15)

Geralmente as pessoas fazem uma relação entre maus pensamentos ou tentações aos pecados relacionados à sexualidade, mas não é sempre assim; existem vários tipos de tentação. A tentação é tudo aquilo que, de alguma forma, nos tira da Presença ou da Graça de DEUS, afinal, "nossos pecados são fruto do consentimento da tentação" (Catecismo, 2846). Assim, as tentações pode estar relacionadas a outras coisas, como: julgar os outros, preocupar-se demasiado com algo que não sabe se vai acontecer, desvaneios, vaidades, etc. 

As tentações que sofremos vem a nós de basicamente de três maneiras:
- pelas paixões da carne (o prazer);
- pela concupiscência dos olhos (o ter);
- e pela soberba da vida (o poder).

Assim como são três os inimigos da alma: a carne, o demônio e o mundo.

Além de vermos nítidamente estas três tentações, vencidas por JESUS no deserto (cf. Mt 4, 1-11; Lc 4, 1-13), vemos ainda nos três Evangelhos Sinóticos, uma passagem em que JESUS nos conta a Parábola do Semeador, onde também é possível perceber estas tentações. Vejamos a relação entre estes pontos:

- A semente que cai à beira do caminho e é comida pelos pássaros, representa toda a Graça de DEUS que deixamos o demônio roubar de nós, quando não valorizamos o que é essencial e nos entregamos a toda espécie de vaidade, não deixamos que estas sementes da Graça germinem em nós. JESUS nos ensina o real valor de tudo: Amar a DEUS sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos.

- A semente que caiu em solo pedregoso, que começou a nascer, secou por falta de umidade, representa a tentação da carne, quando deixamos que as paixões roubem a umidade da Graça de DEUS em nós, nos tornando estéreis. JESUS nos ensina o valor da Palavra de DEUS, que alimenta o nosso espírito, fortalecendo-o na luta contra as paixões da carne.

- E por fim, a semente que cai entre os espinhos e é sufocada, representa as tentações do mundo que nos sufocam. Resta a nós afastar estes espinhos das Sementes da Graça que ganhamos de DEUS, para que estas tentações do mundo não nos enganem, ludibriando-nos. JESUS nos revela como é sério tudo o que é relacionado à vida da Graça. Não devemos  colocar DEUS à prova, colocando em risco a salvação de nossa alma, por escolhas erradas.

Como vimos na passagem de São Tiago, DEUS não tenta ninguém, mas Ele pode permitir uma dessas tentações para a nossa conversão e santificação. Assim, a tentação que vem à nós por instigação do maligno, por influência das pessoas e do mundo ou até vindas das nossas próprias paixões desreguladas, podem nos santificar, se a soubermos utilizar como pedras angulares e não pedras de tropeço. E saberemos utilizá-las assim com a humildade, a paciência e a perseverança na busca da nossa conversão.

O Catecismo também afirma: "Não cair em tentação, envolve uma decisão do coração. Onde está o teu tesouro aí estará o teu coração... Ninguém pode servir a dois senhores" (Catecismo, 2848).

O combate aos maus pesnamentos está relacionado ao tipo de mau pensamento ou tentação que a pessoa tem, ou seja, se é um pensamento de vã glória, a pessoa precisa tomar consciência de que isto é uma vaidade, uma ilusão, porque nós não somos nada por nós mesmos, e tudo o que temos de bom vem de DEUS, assim não há motivo para se gloriar de nada. (cf. Ef 2,8-10). Se é um pensamento depressivo, deve-se fazer Atos de Confiança em DEUS.

A luta contra os maus pensamentos ou tentações devem ser na maioria das vezes, não de uma luta direta, mas ao contrário, uma fuga. Devemos fugir. Sim, porque não somos fortes o suficientes para lutar. Eva caiu porque deu ouvidos à tentação da serpente maligna, e assim foi enganada. O inimigo é astuto e tem "muita paciência", ele não se preocupa de esperar muito tempo até que caiamos na armadilha dele.

Não se deve lutar, por exemplo, contra um pensamento impuro senão fugindo dele, pensando em outra coisa, e simplesmente ignorando aquelela tentação, pois se deixamos ela se aproximar de nós, corremos um enorme risco de cair nela. "Resiste no começo, pois que tarde chega o remédio, quando o mal já lançou raízes. Com efeito, se oferece à alma um simples pensamento, mais tarde uma persistente imaginação, depois o deleite, seguindo-se-lhe os afetos desordenados e, por fim, o consentimento. E quanto mais negligente for alguém na resistência, tanto mais fraco se tornará cada dia, e mais forte o seu adversário." (Imitação de Cristo, Livro I, Cap. XIII, n. 5). São Tiago também escreveu semelhante: "A concupiscência, depois de conceber, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte" (Tg 1,15). Assim, neste tipo de tentação, em primeiro lugar, o inimigo quer nos tirar a paz, nos desestabilizar, quer ir nos seduzindo aos poucos, até que não tenhamos mais força para sair dele. São Francisco de Assis dizia: "Se algo rouba a paz no meu coração, é porque ocupou o lugar de Deus". E à medida em que vamos permitindo que uma tentação vá tomando terreno em nós, vamos nos enfraquecendo e passamos a ter cada vez mais culpa.

JESUS nos ensinou a pedir ao PAI: "... não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal", assim, devemos pedir a DEUS o auxílio, suplicar o ESPÍRITO SANTO que nos dê Fortaleza e Temperança, como nos diz o Catecismo nos números 1808-1809. JESUS disse também: "Vigiai e orai para não cairdes em tentação."  Sabemos que a oração é muito importante para tudo nesta vida, principalmente para a vida espiritual, mas, vejamos, antes da palavra "orai", JESUS disse: "vigiai"; portanto, não podemos esperar chegar a hora que nos atentam os maus pensamentos e as provações para começar a orar, pois neste momento já devemos estar fortalecidos, previamente, pela oração. O Catecismo afirma que "tal combate e tal vitória não são possíveis senão na oração" (Cat 2848). Assim, a vigilância pela oração é a arma mais eficaz, porque através dela estamos unidos a JESUS, e assim devemos ser, como o Ramo o é na Oliveira (cf. Jo 15, 1ss), pois JESUS disse: "Sem Mim, nada podeis fazer!" (Jo 15,5).

E devemos ter confiança em DEUS acima de tudo, pois de todo o mal Ele pode tirar um bem, se Lhe formos fieis, ou ao menos, se lutarmos verdadeiramente para sê-lo.

São Paulo nos diz: "Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação Ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela". (I Cor 10,13). E São Tiago completa: "Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que O amam" (Tg 1,12). 

No livro de Tobias também lemos algo semelhante: "Mas porque eras agradável ao Senhor, foi preciso que a tentação te provasse" (Tb 12,13). São Paulo ainda fala: "... nos gloriamos até das tribulações. Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. E a esperança não engana" (Rm 5,3-5).

Santa Teresa de Jesus de Ávila dizia que "a imaginação é a louca da casa", é por isso que os antigos já diziam: "Mente ociosa, oficina do diabo". Assim é necessário ocupar a mente com coisas boas e edificantes. E neste caso a  Oração, a meditação da Palavra de DEUS são as principais, mas a contemplação dos Mistérios do Santo Rosário, outras leituras espirituais ou piedosas, como a vidas de Santos também são de muita ajuda. Creio que aqui está a chave de tudo, pois a oração nos une a DEUS, e se estamos com Ele, Ele não nos vai deixar cair. Sem contar, é claro, também o Sacramento da Penitência e da Eucaristia, também a Adoração Eucarística. Todas estas práticas são vitais para a nossa alma e nos ajudam a vencer os maus pensamentos.

E para viver estas coisas, para ser fieis nestas coisas, é necessário criar bons hábitos (pode-se até fazer uma "Ordem do dia", ou seja, um horário a se seguir, adaptando-o às diversas tarefas, ocupações e possíveis variações do nosso dia, claro!), afinal, não adianta saber destas coisas se não as colocamos em prática. Para isso é necessário a Disciplina e a Força de Vontade, para que possamos ser fiéis aos pequenos propósitos que fizemos. São Padre Pio dizia: "O demônio só tem uma porta para entrar na nossa alma: a vontade. Não existe nenhuma outra porta secreta".

Mas, aí já vem outra pergunta: como conseguir ter Força de Vontade? Fortalecendo-a! E como podemos fazer isto? Renunciando a pequenas coisas lícitas, ou seja, a coisas que são boas em si, por exemplo: fazendo uma mortificação, um sacrifício, um jejum, ou deixando de comer algo que gostamos, para comer o que não gostamos; de rezar mais tempo de joelhos, de mortificar as vistas não olhando para coisas interessantes, mortificando a curiosidade; exercitando-se na prática da caridade e das Obras de Misericórdia, etc. Assim, aos pouquinhos, renunciando a estas coisas permitidas, vamos criando forças para também renunciarmos àquelas que não nos convém, e assim, fortalecemos nossa vontade para também resistir àquelas que são pecado... e por aí vai. "A vida do homem sobre a terra é uma luta" (Jó 7,1).

Ps.: Ah! O uso de Sacramentais, devidamente abençoados, como: Água Benta, Cruzes, Terços, Escapulários, Medalhas, Relíquias de santos, etc., também são uma arma a nosso favor; mas não podemos usá-los como se fossem amuletos que nos dão sorte ou nos protegem por alguma suposta força própria deles, mas como objetos abençoados por Deus, que nos devem sempre remeter a Ele, e nos conduzir a levar uma vida digna daquilo que eles representam.