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09 abril 2020

Como na primeira Ceia...

Esta Homilia do Reverendíssimo Padre Paulo Ricardo, é uma relíquia, que deve ficar registrada na história da Igreja! Para muitos que querem tê-la por escrito, fizemos aqui a transcrição. Abaixo, colocaremos o link do vídeo do Padre. Agora, eis o texto, palavra por palavra:

Uma Ceia sem comungantes...


+ Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Meus queridos irmãos e irmãs, nós estamos celebrando a Quinta-feira Santa. E a grande Missa nós celebramos é a Missa da Ceia do Senhor, a Instituição da Eucaristia e do Sacerdócio Católico. É nessa Missa que tradicionalmente se faz também o Rito do Lava-pés. Então, popularmente ela é conhecida como Missa do Lava-pés. Este ano, provavelmente, na maior parte das Missas que celebradas no mundo não haverá lava-pés, por causa das circunstâncias de pandemia do Coronavírus.

Também vivemos uma coisa muito especial, a respeito dessas celebração da Missa da Ceia do Senhor. No dia de hoje, liturgicamente falando, era proibido que os Padre celebrassem essa Missa como "Missa privada", ou seja, só se podia celebrar essa Missa publicamente. E, portanto, os Padres, que quisessem, não tivessem condição de fazer, tinham que se unir a outros Sacerdotes para uma concelebração. Uma Missa que a Igreja quer que seja pública pela celebração da Ceia do Senhor e do Sacerdócio.

Este ano, extraordinariamente, a Santa Sé, por causa da situação de pandemia, deu então a faculdade aos Sacerdotes, todos Sacerdotes, de celebrarem esta Missa privadamente.

A maior parte das Missas são celebradas sem a presença dos fiéis, e aí, de repente, toda esta situação nos leva a viver espiritualmente este momento, esta Quinta-feira Santa de uma forma especialíssima.

Como é que eu gostaria de contribuir para que você viva isso de forma especial. Você deve estar dizendo: "Meu Deus, a Festa da Eucaristia. A Festa em que foi instituído o Santo Sacrifício da Missa, em que JESUS Se deu em Comunhão e eu não vou poder comungar! Padre, que terrível, que tragédia, que horror!"


Sim! Eu não quero amenizar em nada a dor que isso significa às almas santas, às almas devotas, às almas que verdadeiramente compreender o que é a comunhão sacramental.

Mas, nesta Quinta-feira Santa... nesta Quinta-feira Santa tão fora do normal, do padrão, nós somos chamados a nos unir à Nossa Senhora: MARIA não estava no Cenáculo! Ela estava no andar de baixo.

JESUS estava lá em cima com os doze Apóstolos celebrando a Eucaristia. JESUS estava instituindo o Sacerdócio. Foi na última ceia que JESUS ordenou os 12 Apóstolos, ordenou inclusive Judas. Foi na Última Ceia que JESUS então, instituiu extraordinariamente, misticamente, sobrenaturalmente aquele Sacramento de Amor: "Tomai... isto é Meu Corpo... Bebei... este é o Cálice do Meu Sangue e da Nova e Eterna Aliança". Os Apóstolos comungaram, mas MARIA não comungou. A Mãe Santíssima não estava lá. Por quê? Claro! JESUS estava instituindo a Eucaristia e só poderia estar presentes aqueles que iriam receber o mandato: "Fazei isto para celebrar a Minha Memória!" Esse mandato:

"Haec quotiescúmque pecéritis, in Mei Memóriam faciétis."

"Hoc fácite in meam commemorationem."


"Fazei isto na Minha Memória." Esta ordem de JESUS, é a ordenação. Mulheres não estavam, porque JESUS ordenou somente homens. Os discípulos não estavam lá, estavam somente os 12 Apóstolos. Na primeira Ceia, a primeira vez que a Eucaristia foi celebrada, a Eucaristia foi, vamos usar... não é bem isso, mas... a Eucaristia foi, uma Missa "privada". O mundo estava presente naquele Cenáculo, mas na verdade, estavam lá somente os Sacerdotes ordenados: os dignos, como São João, que se reclinou no peito de JESUS, e os indignos, como Judas, que já havia concebido o pecado de trair JESUS. Todos eles foram ordenados, todos eles comungaram. JESUS lavou os pés de cada um deles.


É nesta Noite Santa, meus queridos irmãos, que nós, Sacerdotes, que todos os anos nos inclinamos para lavar os pés dos outros no ritual do Lava-pés, este ano deveríamos nos deter um momento na frente do Sacrário, "in sinu Jesu", reclinados no peito de JESUS, e deixar que ELE nos lave os pés, como São Pedro deixou... como Judas deixou.


Sim, nesta Noite Santa, nesta noite que nós precisamos ir para JESUS. Portanto, é aqui que nós devemos nos unir, todos os fiéis católicos aos Sacerdotes, nesta noite santíssima... você como leigo, como leiga, unido à Virgem MARIA, lá fora, fora do Cenáculo, mas não fora da Comunhão espiritual.


Eu tenho certeza, pela vida de santidade e a plenitude de Graça do Coração da Virgem MARIA, que enquanto Ela estava lá mexendo com as panelas, no andar de baixo com outras mulheres santas, levando os pratos para cima... Eu tenho certeza que quando JESUS pronunciou aquela Palavra: "Isto é Meu Corpo que é dado...", um raio da Graça divina fez brotar no Coração de MARIA uma explosão de alegria, porque a Eucaristia existe! Embora, Ela não pudesse receber!


É um momento místico de nós nos unirmos à Virgem Santíssima, é momento extraordinário de nós nos unirmos à nossa Mãe, e com o mesmo coração, com os mesmo sentimentos do Imaculado Coração de MARIA, comungarmos espiritualmente... com cada Sacerdote nos recantos do mundo, que vão erguendo as Hóstias místicas e espirituais, que vão erguendo o mundo em sacrifício oferecido à DEUS!

Cada Sacerdote que celebra Missa, que eleva o Corpo de nosso Senhor e Seu Preciosíssimo Sangue, eleva o mundo, oferecendo à DEUS, nossos pecados, para que sejam perdoados, nossos atos de virtudes e de sofrimento, para que sejam coroados, e tudo isso, em Cristo oferecido.


Meus queridos, a Noite Santa da Instituição da Eucaristia também nos leva a adorar JESUS, depois da Missa "in coena Domini", da Ceia do Senhor, todos os anos estávamos tão acostumados... o Sacerdote terminava de distribuição da Comunhão, colocava a âmbula sobre o altar, e incensando o Santíssimo Sacramento... iniciava o coro: "Pange lingua gloriosi, Corporis Mysterium", "Ó língua, proclama o Mistério Glorioso do Corpo Santíssimo de Cristo. E ao som do nosso conhecido "Tão Sublime Sacramento", "Tantum ergo Sacramentum", íamos com as 'matracas' tocando na direção do altar da Reposição para passar aquela Noite, unidos a JESUS em momento de adoração com ELE, para que pelo menos até a meia noite, nós cumpríssemos aquele mandato, que miseravelmente os primeiros apóstolos não cumpriram. JESUS olhou para Pedro, Tiago e João e disse: "Não pudestes vigiar, ficar em vigília e rezar uma hora Comigo?" Durante anos e anos nós nos acostumamos na Comunidade Paroquial, distribuir os horários desta vigília durante à noite, e todos acorriam ao Sacrário... em muitos lugares isso não será possível... Mas "os verdadeiros adoradores", o Senhor os quer "em espírito e em verdade". "De tal forma, mulher, que Eu te digo que está chegando a hora, e é agora, que nem aqui e nem em Jerusalém, o PAI será adorado, mas será adorado em espírito e em verdade."


Primeiro, em verdade. Nós precisamos adorar a DEUS em verdade. Meus queridos, isso significa que quantas e quantas vezes pudemos ir ao Sacrário, adorar JESUS e simplesmente o que agente fez ocupar um lugar no genuflexório ou esquentar um banco de Capela. Nossa adoração de 'corpo presente' por assim dizer... não estávamos lá verdadeiramente 'em espírito e em verdade'.


Mas hoje, nesta Noite, nesta noite misteriosa que DEUS fez para nós, você pode enviar o seu Anjo da Guarda lá num Sacrário esquecido, num recanto deste planeta, diga ao seu Anjo da Guarda: "Vai, meu Santo Anjo, descobre, descobre um Sacrário, onde ninguém se lembrou que JESUS está lá, onde JESUS nesta noite não terá companhia de um coração adorador. Vamos adorar! Adorar JESUS!



Meus irmãos, é a noite da Eucaristia, é a noite da Adoração, é a noite de nós verdadeiramente mostrarmos que não existe paredes que nos impeça de adorar JESUS. Como aquelas paredes do Cenáculo não deixaram MARIA espiritualmente 'de fora', somente fisicamente... como aquelas paredes do Cenáculo, não impediram que MARIA comungasse espiritualmente, mas somente que comungasse sacramentalmente, nós, com a ajuda dos nossos Anjos da Guarda, com a ajuda da Virgem Santíssima e dos nossos Santos de devoção, vamos, vamos ao encontro, vamos acorrendo ao encontro do Senhor, porque é ELE que, nesta noite canto o Seu hino de louvor a DEUS!



O Arcebispo Fulton Sheen recorda que, em toda a Sagrada Escritura... não está em nenhum lugar registrado que JESUS tenha cantado, a não ser nesse momento... Quando JESUS saiu do Cenáculo para ir em direção ao Jardim da Agonia, o Getsêmani, o Horto das Oliveiras, ali JESUS cantou. JESUS saiu cantando em direção ao Seu Sacrifício.


Portanto, meus irmãos, não deixemos que este Hino de Louvor desta noite se cale. Sim, os microfones de nossas igrejas estarão desligados. Sim, os homens não ouvirão o canto, mas o canto dos Anjos, dos nossos Anjos da Guarda em cada Sacrário, o canto que brota de nosso coração, em cada lugar que está JESUS Eucarístico, o nosso canto suba aos céus, e que os Coros Celestes nos ajudem a cantar, e não deixar JESUS cantando sozinho. Com aquele mesmo impulso de caridade que você cantou um dia, junto com um grupinho, e viu que a voz estava vacilando, e você aumentou o volume da sua voz, para sustentar o canto... aumente o volume do seu coração, e sustente o canto de louvor.


Esta noite santíssima é uma noite que deve marcar nossas almas para o resto das nossas vidas... que Semana Santa será, será se ela for verdadeiramente a Semana santíssima em que nós, com nossos corações, nos voltamos para Cristo.

Que ocasião maravilhosa! Que Semana Santa diferente, sofrida, doída! Mas ao mesmo tempo, que Semana Santa de Kairós, de tempo oportuno, de impulso espiritual.


Vamos, irmãos, vamos, subamos o Getsêmani. Subamos com ELE, subamos! E se no seu coração está ali uma angústia, uma agonia pelo momento que vivemos, saiba: a sua angústia estava lá no Coração de JESUS naquela noite e nos Seus suores de Sangue, ELE carregou a sua dor.


Que o seu Anjo da Guarda venha então, de volta, para consolar você, como DEUS enviou um Anjo para consolar JESUS no Horto das Oliveiras.


DEUS abençoe você. + Em Nome do PAI, e do FILHO, e do ESPÍRITO SANTO. Amém.


Clique aqui para assistir o vídeo desta Homilia

01 novembro 2019

Companheiros para a eternidade...

Uma das coisas mais misteriosas da vida humana é a passagem desta para a outra vida. Na verdade, pouco se reflete hoje em dia sobre os Novíssimos (o fim último do homem: morte, juízo, inferno, purgatório e paraíso). Esta meditação que a Santa Igreja sempre incentivou é algo que sempre hesitamos em fazer... mas é a única coisa que podemos ter certeza que nos irá acontecer. E como vai ser esta passagem? Estaremos preparados?
Deus colocou ao nosso lado irmãos e amigos para nos acompanhar neste caminho até a eternidade: as pessoas e os Santos Anjos. O Anjo nos “protege, guarda, governa e ilumina”, não apenas para “atravessarmos a ponte” como vemos nas pinturas infantis, mas para que cheguemos ao Céu! Para ele nós somos como um Dom recebido de presente, como uma semente que ele deve cultivar, para apresentar a Deus os frutos. Só que para isso, ele precisa da nossa colaboração! E o que se torna um empecilho para que o Santo Anjo nos ajude a ir para o Céu? O pecado, obviamente! E ele se manifesta de inúmeras maneiras sutis que ferem a fé, a esperança e a caridade. E é basicamente na vivência destas Virtudes, e no desdobramento delas, que o Santo Anjo quer nos formar.
São Paulo afirmava: Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade... porém, a maior delas é a caridade (I Cor 13,13). Quando falamos de caridade, não significa somente “dar esmolas”. Neste mesmo capítulo, o Apóstolo explica que a caridade é paciente, não é invejosa nem orgulhosa, não busca os próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor, tudo suporta... Essa é uma lista que devemos lutar para pôr em prática, pois se fizermos um honesto exame de consciência, veremos que são estas ‘picuinhas’ do dia-a-dia – e que às vezes não achamos tão grave – o que mais contribui para ferirmos a caridade.
Veja em sua Bíblia o Salmo 132, que diz: Como é bom... os irmãos viverem juntos... é como um óleo... é como o orvalho...” A nós hoje esta linguagem pode parecer estranha, mas para o Salmista, isso tinha um significado muito especial: o óleo da unção não era um óleo comum; representava, além de uma grande alegria, uma honra, uma dignidade. O monte Hermon, por sua grande altitude, tinha o topo coberto de neve, e podia compartilhar com a árida planície que o rodeava, o orvalho e a água da neve derretida... Isso representa a alegria, a honra e a bênção frutuosa que envolve e transborda quando as pessoas vivem em união. “Ali derrama o Senhor uma bênção eterna!”
Existe um provérbio Congo que diz: As pegadas dos que caminham juntos jamais se apagam! Como é bom quando caminhamos juntos e estamos felizes, sem desacordo, conflito ou inveja! Quando um se alegra com o bem e o sucesso do outro! Mas como é triste quando a convivência é ferida por julgamentos, antipatias, competições, inveja, ciúmes, falsidades, por contar vantagem de querer mostrar quem sabe mais... E isso é o tipo de joio que o inimigo quer semear em nossa família, entre os parentes de modo geral, na nossa paróquia, comunidade, no ambiente de trabalho, estudo, e até entre vizinhos!
Em um desentendimento, nenhuma das pessoas ganha... pode até “ganhar” aparentemente no plano humano, mas não no espiritual. Todas as vezes que cedemos a esse tipo de intriga, é o inimigo que vence sobre nós... e o nosso Anjo perde! É uma batalha não só humana - entre nós e o próximo, mas uma batalha espiritual - entre o Anjo bom e o mau! Estaremos sendo marionetes nas mãos do inimigo, e impediremos nosso Anjo de nos ajudar.
Santa Terezinha escreveu que só no último lugar não há inveja, nem aflição de espírito, ou seja, muitas vezes, é preciso deixar a outra pessoa vencer: na opinião, na escolha, na decisão; é preciso ceder o primeiro lugar, para que a humildade vença! Procedendo assim, amontoaremos brasa sobre a cabeça da outra pessoa, nos lembra São Paulo (cf. Rm 12,9-21), ou seja, a atitude orgulhosa de uma pessoa ao ser deparada com a acolhida humilde da outra, faz a primeira se ruborizar de vergonha e reconhecer o próprio erro.
Mas aí surge outra armadilha que nosso Bom Anjo nos quer salvar: muitas vezes somos levados por uma falsa caridade. Se temos dificuldade com certa pessoa, nos vem o pensamento “heroico” de fazer tal coisa para que a pessoa perceba que fomos bons com ela! Sem perceber, somos levados por um orgulho camuflado, cheio de vaidade e vã glória... No fundo do coração era uma competição: queríamos dominar, mostrar que fomos capazes de aturá-lo sem que ele merecesse. Mas não é isso que São Paulo se refere. Ele explica em outro lugar: Ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos”, e logo em seguida diz: cada um deve carregar o seu próprio fardo (cf. Gal 6, 2-5). Parece contraditório! Mas o significado é: devemos sempre fazer da nossa parte na batalha da caridade, mas sem esperar que os outros façam o mesmo em relação a nós! Se todos vivêssemos isso, a convivência seria uma fonte de caridade verdadeira! Também devemos pensar que Deus jamais vai cobrar de outra pessoa o que compete a nós, e vice-versa. Assim, não temos porque reparar a vida dos outros; cada um terá que prestar contas a Deus de acordo com o que recebeu!
Jesus e os Apóstolos nos ensinaram que devemos suportar uns aos outros(cf. Col 3,13). A palavra suportar não deve ser entendida como algo difícil, que temos de tolerar e sofrer, mas como “ser suporte”, um apoio e guindaste para levantar o outro. E quando diz que se um irmão pecar contra nós e não quiser se arrepender, devemos “tratá-lo como se fosse um pagão” (cf. Mt 18,15-17), não significa que devemos desprezá-lo ou atacá-lo; não é esse o significado. Como Jesus nos ensinou que devemos tratar os inimigos? Tratar como um pagão é perdoar 70 vezes 7, é começar do zero! É conquistá-lo através da humildade e do amor!
O humilde tira proveito de tudo, e só na humildade se alcança a sabedoria, maior do que qualquer ciência do mundo. Muitas vezes achamos que não temos nada a aprender com outra pessoa, só porque ela é mais jovem ou mais inculta do que nós. Mas ninguém é tão ignorante que não possa ensinar, nem tão sábio que não possa aprender”. Às vezes pensamos: já sei o que esta pessoa está ensinando, porque tenho que ouvir isso e obedecer? Simples! Talvez não precisamos aprender o que nos estão ensinando, mas precisamos aprender a humildade. E a humildade nada mais é do que tomar consciência de que somos pó e ao pó retornaremos.
Contemplemos Jesus na Hóstia Pequenina. Por acaso achamos que é pouca coisa Deus ter Se encarnado como ser humano, depois ter Se tornado um pão, ficando sujeito a tantos abusos e sacrilégios?! O Onipotente e Todo-Poderoso Se humilha e Se sujeita a aparecer como o que não é... E nós, porque queremos parecer o que não somos, e porque nos afligimos quando nos humilham? O tamanho da pena que sentimos ao ser humilhados, representa o tamanho do orgulho que ainda existe em nós. No livro “Imitação de Cristo” diz que se nos afligem por algo que não temos culpa, devemos lembrar dos outros motivos pelos quais mereceríamos sofrer.
Quando Jesus fala a Nicodemos: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus (Jo 3,3), sabemos que Ele não fala de um nascimento físico, mas espiritual. Mas reflitamos: quem nasce é grande ou pequeno? Ninguém nasce adulto! Assim, para ter esse novo nascimento no Espírito Santo e ganhar o Reino dos Céus, é preciso ser pequeno, ser simples como uma criança, na humildade, pureza, docilidade (cf. Lc 18,17). O Padre Léo dizia: O Céu é para quem sonha grande, pensa grande, e tem a coragem de viver pequeno. Quando estiver difícil de viver a caridade com alguém, recorramos ao auxílio dos Santos Anjos, e com um movimento espiritual, abracemos o Anjo da pessoa que ainda não conseguimos amar, e deixemos que a semente de trigo da humildade cresça e “frutifique em cem por um”, para que nosso Anjo possa, feliz, apresentar-nos a Deus na vida eterna.
Voltemos à meditação inicial: como será nossa passagem para a vida eterna? Lembremos que as frases bonitas da Bíblia e dos santos, antes de terem sido ditas, foram vividas... E nós? Qual será a “frase bonita” que nossa vida irá refletir para os outros? No entardecer da vida, seremos julgados sobre o amor(São João da Cruz).Se compreenderdes estas coisas, sereis felizes, sob a condição de as praticardes (Jo 13,17).

19 fevereiro 2019

Carta aos Sacerdotes


Das Meditações de Catherine de Hueck Doherty:

“Uma noite, quando eu estava rezando, subitamente vi desaparecer as paredes da minha cabana de madeira (eu devia estar cochilando). De qualquer maneira, elas tinham desaparecido, e minha habitação, que não é extraordinariamente grande, estava subitamente povoada por uma multidão de padres!

Padres cheios de dúvidas.

Padres cheios de dores - dores escondidas.

Padres que estavam esperando para se tornarem leigos.

Padres que queriam se casar.

Padres que estavam pensando no divórcio.

Padres que permaneciam nos lugares para os quais tinham sido designados, mas eles pareciam tão cansados. Alguns deles estavam verdadeiramente exaustos.

De repente, sumiu da minha mente, do meu coração e da minha alma todo desejo de acusar qualquer um destes padres por sua falta de fé, fraqueza ou imaturidade. Eu fui subitamente tomada por amor e compaixão. Eu quis tomá-los em meus braços como se fosse a mãe deles ou a irmã mais velha. Eu quis consolá-los. Eu quis dizer-lhes o quanto eu amava o sacerdócio deles, que é o único sacerdócio de Cristo. Eu quis dizer-lhes o quanto eu e todos nós leigos precisamos deles. Mas mesmo nossas necessidades desaparecem neste amor e compaixão que me abarcaram.

Eu gostaria de poder falar, escrever, comunicar de alguma forma com cada padre do mundo inteiro que está nos espasmos da dúvida, da dor, da batalha interior, do cansaço. Gostaria de dizer que ele não está sozinho. Na profundeza de uma área rural do Canadá, há uma mulher estranha que ama o sacerdócio com um amor que ela mesma não entende porque ele transcende o entendimento,mas o coração dela é um mar de amor e compaixão!

Eu gostaria de poder sentar e escrever para todos os padres. Dizer- lhes que eu compartilho a sua dor, simplesmente a compartilho, seja qual dor ela for, porque eu amo o seu sacerdócio. Eles são meus irmãos e meus padres e eles estão tão sozinhos e perdidos nestes últimos tempos. Mas eu não posso escrever para todos os padres do mundo. Eu posso simplesmente repetir o que eu disse antes: as portas de Madonna House estão completamente abertas. Nós temos uma casa simples e humilde para padres. Nós temos Poustinias (palavra russa que quer dizer deserto), cabanas de madeira onde uma pessoa pode ficar só com Deus e descansar e pode, quem sabe, reaprender a rezar, se esta for uma das suas necessidades”.

Serva de Deus, Catherine Doherty, rogai por nós!!!

01 agosto 2018

As lágrimas da Vocação

Imagem do filme: Santa Teresa dos Andes.
Agosto: Mês vocacional!

Queremos, logo no início deste mês, tratar de um assunto muito oportuno: as dificuldades encontradas no início do caminho vocacional.

Este artigo quer ser um estímulo para todos os(as) jovens vocacionados(as) que lutam para realizar a sua vocação, mas não tem o apoio de suas famílias, ou mesmo sofrem pressão psicológica e perseguições, e não sabem a quem recorrer.

Uma frase muito interessante no Evangelho de Mateus é: "Muitos são os chamados, poucos os escolhidos." (Mt 22,14). Mas... o que significaria isso?

Santo Agostinho dizia: "Tenho medo da Graça que passa!" A vocação é um precioso tesouro, e é algo que deve ser levado muito a sério, pois muitos jovens acabam "perdendo" a sua vocação porque não conseguem discerni-la, ou mesmo porque são impedidos de vivê-la.

É claro que DEUS nunca volta atrás no Seu chamamento, e além disso existem pessoas que são chamadas até com mais idade (cf. Mt 20,1-16), mas também pode acontecer que a pessoa chamada perde as oportunidades e a possibilidade de realizar a própria vocação... às vezes por culpa própria, mas às vezes por culpa alheia.

Se por exemplo, esta pessoa que tinha um chamado de DEUS à uma vida consagrada, não realizou a sua vocação religiosa, e abraça a vida matrimonial, provavelmente ela não se sentirá completamente realizada, e assim também não será capaz de fazer o seu cônjuge feliz.

Santo Afonso Maria de Ligório e outros santos eram de opinião que não viver a vocação que DEUS escolheu para nós, seja ela religiosa ou matrimonial, é afastar-se da Graça de DEUS e colocar em risco a salvação da própria alma. É claro que não significa que a pessoa será condenada ao inferno - ainda mais quando ela não teve culpa disso - mas, encontrará mais dificuldades, porque a vocação escolhida por DEUS daria a esta pessoa mais graças e os auxílios necessários para sua santificação e salvação, porque o jugo do Senhor é suave e leve, ao passo que o nosso jugo é pesado.

O que deve fazer um jovem que sente dentro de si um chamado de DEUS para a vida consagrada?

1.    Silêncio: Vocação é como um perfume raro e caro, que se abre somente em ocasiões especiais. A princípio, não espalhe para todo mundo sobre sua vocação, nem mesmo para os seus familiares, mesmo que você ache que eles serão favoráveis. Procure um santo, sábio, maduro e piedoso Sacerdote para diretor espiritual.

E se você suspeita que sua família será contra sua vocação, o melhor seria não contar nada a eles até que você tenha discernido com segurança o caminho que deve tomar, ou o lugar que irá ingressar, e que já tenha um bom diretor espiritual o acompanhando.

Quanto ao fato de a família ser contra a vocação, lembre-se que o próprio JESUS disse: "os inimigos do homem serão os de sua própria casa..." (cf. Mt 10, 35 ss). Santo Tomás de Aquino dizia que "não somos obrigados a obedecer os progenitores quando eles são contra a nossa vocação". E Santo Afonso Maria de Ligório, mestre da Vida Espiritual, e tantos outros santos, afirmavam o mesmo. Quantos santos que conhecemos, que tiveram que fugir de casa, para realizar sua vocação!

2.   Vida de oração: Se para todo cristão, a vida de oração é fundamental, muito mais para quem é chamado para uma consagração especial. Na medida de suas possibilidades, faça uma 'Ordem do dia' para que você possa distribuir os momentos de oração entre suas ocupações. O tempo é algo muito importante, que deve ser bem aproveitado. E só é bem aproveitado se a pessoa dá valor àquilo que ela busca. A disciplina na vida de oração é importante para a perseverança. Vida de oração pode abranger muitos tipos de orações e devoções, mas creio que as principais são: Adoração Eucarística silenciosa, Meditação da Palavra de Deus e o Santo Rosário (ou Terço).
Essas três são as principais, mas não as únicas... não fique preso somente nestas, oração nunca é demais! Mas seja sóbrio, equilibrado, que tudo seja feito dentro das possibilidades da sua vida; não adianta rezar muito, mas rezar mal, ou não adianta rezar muito se deixa seus deveres a cumprir.

2.    Sacramentos: Não menos importante que a Vida de Oração é a vivência dos Sacramentos, claro! E em especial o Sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia (Santa Missa).

Para um vocacionado que realmente quer se fortalecer na sua vida espiritual, e ter o discernimento correto de sua vocação, deve buscar a confissão no mínimo uma vez por mês!

Com o tempo, e com o amadurecimento na vida espiritual, a pessoa verá que este intervalo cairá até para uma semana, ou menos.

Alguém poderia perguntar: mas se a pessoa está crescendo na vida espiritual, como ela deverá ter que confessar mais vezes, não deveria ter menos pecados? Mas a questão aqui é justamente o contrário... na verdade, somos grandes pecadores, mas não enxergamos nossas faltas justamente porque estamos longe da Luz de DEUS. Assim, quando vamos nos aproximamos d'Ele, enxergamos melhor as manchas da nossa alma, e queremos nos livrar delas o mais breve possível.

Os Santos se confessavam com muita frequência. Dizem que São Leonardo de Porto Maurício, confessava-se quase todos os dias. Isto não é de se admirar já que a Palavra de DEUS diz que "o justo cai sete vezes ao dia". Entretanto, devemos ter cuidado neste ponto, para não cair em escrúpulos, ou uma busca espiritual imatura da santidade... ainda não chegamos ao patamar dos santos!

Também a Santa Missa diária é de fundamental importância! É claro que aí entra as possibilidades de cada pessoa, mas se a pessoa pode ir a Santa Missa diariamente, e não vai porque não tem vontade, pode ser um sinal de que ela não está buscando fazer a vontade de DEUS, mas buscando na vida consagrada apenas uma realização pessoal.

3.    Buscar a própria conversão diriamente: "Sede perfeitos como vosso Pai do Céu é perfeito" (Mt 5,48). "Sede santos como Eu sou Santo, diz o Senhor" (I Pd 1,16). A santidade deve ser a aspiração 'obrigatória' de todo cristão, e mais ainda da alma vocacionada à vida consagrada. E isso passa pelos pequenos fatos do dia-a-dia. Assim, um jovem vocacionado não deve esperar o dia em que entrar para a vida religiosa para começar a buscar a santidade.

Entretanto, buscar a santidade, não é já ser santo, e nem fazer cara e postura de santo. Santidade não são atos externos de piedade, santidade é basicamente humildade, caridade e pureza de intenção e de vida. Não adianta ser bem santinho na Igreja e o oposto em casa... É claro que em um ambiente religioso, na Igreja, a pessoa tem mais possibilidade de se manter equilibrado, e talvez em sua própria casa, onde já se está acostumado e se sente à vontade, tendo mais liberdade com os familiares, acaba-se por perder a paciência mais vezes... mas é preciso que se tenha claro que isto não é o ideal, e que temos que buscar sempre a própria conversão, e lutando verazmente contra a hipocrisia, para não se tornar um contratestemunho dentro da própria casa.

Isso me faz lembrar um provérbio muito interessante: "Quando estiver sozinho, vigia teus pensamentos. Em família, sua tolerância. Em sociedade, tua língua."

Pode acontecer também que o jovem que está no início de sua conversão - deparando-se pela primeira vez com toda a realidade da fé, da busca de santidade -, e tem uma família que está distante da fé, começa a cobrar de todos a conversão. Mas não é esse o caminho; cada um tem o seu tempo.

Frequentemente, este jovem passa a ter postura de piedade, mas ainda está bem longe de ser o que deseja ser. Este tipo de "hipocrisia sem-intenção" é muito comum de acontecer, e é reflexo de uma imaturidade. Por isso, é necessário buscar a própria conversão pessoal somente... a oração, a compreensão, o silêncio e o testemunho, são o melhor canal de conversão para a própria família.

São Francisco de Assis dizia: "Cuidado com a sua vida, talvez ela seja o único evangelho que as pessoas vão ler!" E dizia ainda a seus frades: "Pregue o Evangelho em todo o tempo, se necessário, use palavras!" Ou seja, o importante não é parecer santo, nem "pregar como santo", mas buscar a santidade. Não se deve exigir a santidade dos outros, principalmente porque nem nós mesmos ainda o somos.

5.   Foco: Talvez não seja bom ficar procurando de mais, olhando várias Congregações ou Comunidades religiosas! Não existe lugar perfeito! O jovem que procura conhecer muitos lugares, pode correr o risco de não se decidir por nenhum, ou de decidir errado, pois acaba se iludindo, almejando uma Comunidade formada pelos pontos positivos de todas as quais passou ou conheceu...

Ou pode acontecer ainda de que a pessoa queira "fundar a própria Comunidade", justamente porque não achou nenhuma que lhe agradasse. O que, é claro, não seria certo! A fundação de uma Comunidade não é a mesma coisa que a formação de um Grupo de oração.


De qualquer forma, é necessário ter a confiança de que DEUS vai encaminhar para o lugar que ELE escolheu para o vocacionado, seja onde for! E para isso é preciso oração e confiança!

É claro que não é totalmente errado conhecer alguns lugares, mas pontuamos somente que a pessoa tenha em mente que, olhando vários lugares, o risco de ficar em dúvida e de confundir pode ser maior, visto que todos os lugares vão ter coisas boas e ruins... E aí corre-se o risco de querer um lugar com as coisas boas de cada um que se conheceu... e esse lugar não existe... perfeito só o Céu!

6.   Não ter ilusão. Uma Comunidade religiosa não é uma reunião de pessoas santas, mas de pessoas comuns como todos nós, de pessoas pecadoras que estão buscando a santidade. (E olha que, infelizmente, encontram-se também muitos que não estão buscando a santidade; e isso torna a vida comunitária uma grande escola de paciência e caridade).

Mas, enfim, pode até ser que você tenha a graça de entrar em uma Comunidade ou Convento que tenha um santo, mas, na maioria das vezes não é assim, e você precisará ter a maturidade para enfrentar isso. Santa Terezinha afirmou: "Ilusões?! DEUS me concedeu a graça de não ter nenhuma. A vida religiosa deparou-se tal qual eu havia imaginado, com todas as suas dificuldades!" E sabemos o quanto ela sofreu na vida comunitária!

Muitos jovens pensam que têm vocação, mas no fundo, não têm, e  mesmo que não percebam, a busca da vida consagrada é apenas a fuga de uma realidade (física, moral, emocional ou espiritual) que estão vivendo.

Você deve buscar a vida consagrada para responder a um chamado de DEUS, e para colocar sua vida à disposição, para que os outros encontrem a DEUS, e assim encontrem a felicidade eterna, que não se encontra nesta terra. Assim, você não vai buscar em primeiro lugar a sua felicidade, mas fazer a Vontade de DEUS; sua felicidade é consequência do cumprimento da Vontade de DEUS. Isto vale para qualquer vocação, inclusive a matrimonial.

Geralmente nas portas de alguns Mosteiros é escrito. "Aqui é a Casa de DEUS e a porta do Céu!" Sim, a vida religiosa é um céu, mas não um céu no sentido de que não haja dificuldades e tribulações, mas um céu no sentido de que a pessoa vai viver ali só para DEUS. Creio que esse, se não é, deveria ser o verdadeiro significado desta frase.

Talvez, as dificuldades serão até maiores que no mundo, mas a pessoa também terá mais forças e graças para carregar a sua cruz.

Muitos pensam que dos 3 Votos comuns à vida consagrada, os mais difíceis de se viver são os Votos de Castidade ou Pobreza. Pode até ser que seja, para uma pessoa ou outra, mas pode ter certeza que, a Obediência sempre estará junto de um destes, pois a Obediência é o cerne da vida consagrada, porque ela toca o mais profundo do nosso ser, caído pelo pecado original e ferido pelo orgulho. E ser obediente é seguir até a morte de si mesmo, de suas vontades, de seu egoísmo, por amor a DEUS e ao próximo (cf. Fil 2,8; Jo 15,13). Só obedece perfeitamente quem deseja fazer tudo por amor a DEUS, enfim, quem ama e é humilde.

E sobre isso, veja o que Santa Faustina dizia: "O demônio pode ocultar-se até sob o manto da humildade, mas não pode vestir o manto da obediência" (Diário 939). Mas por quê? Justamente porque a obediência é a "verdadeira" humildade. Muitas vezes acontece de um pessoa parecer humilde, mas na verdade não o é. Ter atitudes para aparentar-se humilde diante dos outros, pode ser fruto de uma carência e imaturidade (querer ser amado pelo Superior ou pelos Irmãos), ou fingimento e hipocrisia (querer ser considerado bonzinho e santo). Assim, a obediência revela a verdadeira humildade, porque a pessoa tem que ceder as próprias opiniões e razões, para aceitar a de outrem.

E como se sabe se é ou não humilde? Um exemplo: Imagine que alguém é humilhado publicamente, com certeza esta pessoa vai sofrer dentro de si, mas cada pessoa reagirá de uma maneira diferente à humilhação. Se a pessoa é verdadeiramente humilde, ela não sofrerá tanto. Se a pessoa for muito orgulhosa, ela sofrerá muito com aquela humilhação. Assim, a 'medida' que a pessoa 'sente' a humilhação é a 'medida' do orgulho que ainda tem dentro dela. O verdadeiro humilde é indiferente tanto aos elogios quanto às humilhações.

A vocação é um Dom de DEUS, que a pessoa pode "perder" se não o cultivar, e até mesmo depois de já estar anos e anos vivendo como consagrado; por isso, é preciso lutar a cada dia para perseverar, e não se deixar levar pela rotina e pela tibieza.

Aqui, não nos referimos a "perder a vocação" no sentido de que ela não teria mais vocação, porque aquele chamado de DEUS é como um sinal, que a pessoa terá por toda a eternidade, mas dizemos "perder" a possibilidade de realizá-la ou de perseverar nela; e isso é o pior! Assim, siga os conselhos citados anteriormente.

Se você tem um Testemunho relacionado a estes pontos acima em sua caminhada vocacional, ou mesmo outro ponto relacionado à sua vocação à vida consagrada, e quer publicar aqui em nosso Blog, envie para nós, ele será avaliado, e poderá ser publicado; mas de qualquer forma te responderemos, mesmo que seja privadamente.

Enfim, queremos deixar aqui um alerta aos pais ou responsáveis, principalmente os que não aceitam, ou duvidam, da vocação de seus filhos, ou dependentes.

Santa Ana e São Joaquim, pais de Nossa Senhora,
 levando-a ao Templo para se consagrar a DEUS,
aos 3 anos de idade, conforme a Sagrada Tradição.
Se vocês realmente amam seus filhos, netos, afilhados, sobrinhos, etc., que se dizem vocacionados, não tentem impedi-los de viver a vocação ou de buscar compreendê-la. Ao contrário, apoiem, ajudem, façam de tudo para que eles descubram qual é a verdadeira vocação deles, e para onde é que DEUS os chama. E mesmo se vocês não concordam com a vocação deles, ou pensam que é uma empolgação, uma imaturidade da adolescência, uma birra, ou uma fuga... mesmo assim, ajude-os a procurar um bom Sacerdote que possa auxiliá-los a discernir este anseio.

Mas por que digo isso? Tenham certeza de que:

- Se este jovem não tiver vocação, mas durante todo o processo de discernimento, teve o apoio da família - ele voltará logo para casa! Não ficará com vergonha de voltar, não ficará com receio da família 'jogar tudo na cara' dele, dizendo: "Viu! Falei que você não tinha vocação!" Quando ele perceber que se enganou, ele voltará logo para casa, para recomeçar em outro caminho.

- Se este jovem não tiver vocação, mas nunca teve apoio da família para o discernimento da vocação, e só ouviu críticas e chantagens emocionais - mesmo frustrado, ele vai ter receio de voltar pra casa, pois sabe que irá ouvir da família mais críticas e acusações. E pode ser que fique na vida religiosa ainda muito tempo... e depois de muitos anos, quando não aguentar mais, resolva sair e voltar pra casa... mas aí poderá já ser tarde para muitas coisas, como estudo, matrimônio, trabalho... e será bem pior.

- Se porventura, este jovem ou esta jovem, tiver uma verdadeira vocação, e vocês o apoiarem, vocês estarão contribuindo não só para a felicidade dele, mas para a salvação de muitas almas para as quais ele será canal de DEUS. E você, como pai, mãe, ou responsável, receberá de DEUS as bênçãos por tê-lo apoiado, inclusive tendo a grande felicidade de poder ser o pai ou mãe de um(a) santo(a).

- Se este jovem tiver verdadeira vocação, e você impedir ou atrapalhar a vocação dele, saiba que vocês estarão frustrando uma pessoa para o resto de sua vida, e mais, saiba que, na vida eterna, DEUS lhes pedirá conta da vocação que vocês atrapalharam de ser vivida, e de tantas outras almas que se salvariam por intermédio desta vocação. Isto é muito sério! (cf. Lc 9,57,62; 11,50-52), pois vocês estariam lutando contra a vontade do próprio DEUS. (cf. Atos 5,38-39).

E, como disse no início, a pessoa que está fora de sua vocação, corre muito mais o risco de se perder, de perder a própria alma, estando fora daquele caminho que DEUS traçou para ela; por isso, ocorrem muitos fatos de pessoas que abandonaram a vida religiosa ou consagrada, seja por culpa própria, seja por pressão da família, e se tornaram pessoas bem piores, chegando a cometer até atos contrários à fé, à moral, e passar até uma depressão, chegando ao suicídio.

Que DEUS ajude que os jovens que lutam por sua vocação, contra tudo e contra todos, tenham a força, a coragem, a sabedoria, o amor e a humildade para tudo superar. Amém.


Queremos indicar estes filmes abaixo, para os vocacionados à vida consagrada feminina:

- O filme de Santa Teresa dos Andes é belíssimo, e vale à pena adquirir. No Brasil é vendido pelas "Paulinas Editora" em 3 volumes.

- O filme "The Nun's Story", no Brasil chamado: "Uma cruz à beira do abismo", é um excelente filme de reflexão sobre as dificuldades da vida religiosa, principalmente sobre a obediência.


Detalhe: os dois filmes são baseados em fatos reais.