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21 março 2020

Como ser humilde?

Respondendo a pergunta de um de nossos leitores: Como alcançar a humildade?

"A humildade é a verdade." Nesta frase Santa Teresa d'Ávila resumiu a mais preciosa das virtudes.

Mas, verdade em quê sentido? A de reconhecermos que somos fracos e pecadores, que nada somos! "Somos pó e ao pó voltaremos" (cf. Gen 3,19). Tudo o que temos de bom vem de DEUS!

São Paulo já dizia: "O que há de superior em ti? Que é que possuis que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se o não tivesses recebido?" (I Cor 4,7)

Outros pontos interessante a refletir são o seguinte:
1) Todos somos iguais diante de DEUS: "porque todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo... Já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus." (Gal 3,26.28)

2) Que podemos perder tudo de uma hora para outra. Seja bens, ou até o próprio uso do intelecto, por uma doença ou acidente; assim, o que adianta possuir bens ou ter-se por inteligente neste mundo, só para ser melhor que os outros, se tudo haveremos de perder? "Havia um homem rico... ó minha alma, tens muitos bens em depósito para muitíssimos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Deus, porém, lhe disse: Insensato! Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma. E as coisas, que ajuntaste, de quem serão? Assim acontece ao homem que entesoura para si mesmo e não é rico para Deus." (cf. Lc 12,16-21)

Os dois tipos de hipocrisia que ferem a humildade:

- O 'orgulho refinado' é uma das características da falsa humildade. É aquele que pensa e diz que não é orgulhoso, e consegue habilmente se passar por humilde e piedoso, enganando a muitos.

- Mas existe também a falsa humildade, onde a pessoa sempre se rebaixa e se minimiza quando faz alguma coisa boa, só para ouvir mais elogios ainda, ou se passar por humilde.

Se fazemos ou falamos algo que realmente é bom, e reconhecemos isso, não devemos ser falsos humildes e dizer que não foi bom. O correto é agradecer e dizer: "Muito obrigado. Também gostei. DEUS é Bom, e me concedeu esta graça de realizar isso." Nesse caso, a pessoa reconhece que fez algo bom, mas sabe que foi DEUS que lhe deu aquele dom.

Como saber se ainda somos muito orgulhosos?

Talvez uma boa dica para saber se ainda é muito ou pouco orgulhoso, é medir o grau de humilhação que sentimos ao passarmos por uma situação difícil e de humilhação.

- Se sofremos muito, é que ainda somos muito orgulhosos. Ou seja, se fossemos colocar em número: Em uma escala de 1 a 10, se o nosso sofrimento, ao sermos humilhados, é de 9 pontos, então, significa que nosso orgulho também chega a 9 pontos.

- Se sofremos pouco, é que estamos começando a caminhar pelos caminhos da verdade... Ou seja, se o nosso sofrimento é 3 de pontos, significa que o nosso orgulho chega a estes 3 pontos... o restante seria humildade.

Já dizia Santa Teresa dos Andes: "Sou o que sou diante de DEUS, o que me importa as criaturas!" Assim, o humilde não se importa com a opinião das pessoas, sejam estas elogios, ou sejam insultos, ele está sempre humilde diante de DEUS que conhece quem ele verdadeiramente é. E Santa Terezinha também dizia algo parecido: "Eu sou o que DEUS pensa de mim!"

Assim, o que adianta queremos parecer diante dos outros melhores do que somos? E o que adianta lutarmos para estarmos acima e mandarmos nos outros, ou não aceitar nos submeter a eles?

Quantas vezes nos vangloriamos - e isso ocorre muito sutilmente -sem nos darmos conta de que fizemos ou dissemos tal coisa somente para parecermos bons (melhores do que somos), ou para contar vantagem de algo pequenino que fizemos?


Como mudar isso?
Reze a Ladainha da Humildade


Devemos sempre olhar nossa condição de pecadores, de que não podemos fazer nada sem a Graça de DEUS. JESUS mesmo dizia: "Sem Mim, nada podeis fazer" (Jo 15,5). Mas, vangloriar-se ou chamar a atenção também está ligado, de certa forma, à uma carência, pois o ser humano busca ser amado, reconhecido.

Sigamos o exemplo de JESUS que, "sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-Se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-Se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz" (Filipenses 2,6-8).

Se formos verdadeiramente humildes, cientes de nossa fraqueza e pequenez, tudo será descomplicado para nós.

E como dica, deixamos aqui o link de alguns excelentes Artigos:

01 novembro 2019

Companheiros para a eternidade...

Uma das coisas mais misteriosas da vida humana é a passagem desta para a outra vida. Na verdade, pouco se reflete hoje em dia sobre os Novíssimos (o fim último do homem: morte, juízo, inferno, purgatório e paraíso). Esta meditação que a Santa Igreja sempre incentivou é algo que sempre hesitamos em fazer... mas é a única coisa que podemos ter certeza que nos irá acontecer. E como vai ser esta passagem? Estaremos preparados?
Deus colocou ao nosso lado irmãos e amigos para nos acompanhar neste caminho até a eternidade: as pessoas e os Santos Anjos. O Anjo nos “protege, guarda, governa e ilumina”, não apenas para “atravessarmos a ponte” como vemos nas pinturas infantis, mas para que cheguemos ao Céu! Para ele nós somos como um Dom recebido de presente, como uma semente que ele deve cultivar, para apresentar a Deus os frutos. Só que para isso, ele precisa da nossa colaboração! E o que se torna um empecilho para que o Santo Anjo nos ajude a ir para o Céu? O pecado, obviamente! E ele se manifesta de inúmeras maneiras sutis que ferem a fé, a esperança e a caridade. E é basicamente na vivência destas Virtudes, e no desdobramento delas, que o Santo Anjo quer nos formar.
São Paulo afirmava: Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade... porém, a maior delas é a caridade (I Cor 13,13). Quando falamos de caridade, não significa somente “dar esmolas”. Neste mesmo capítulo, o Apóstolo explica que a caridade é paciente, não é invejosa nem orgulhosa, não busca os próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor, tudo suporta... Essa é uma lista que devemos lutar para pôr em prática, pois se fizermos um honesto exame de consciência, veremos que são estas ‘picuinhas’ do dia-a-dia – e que às vezes não achamos tão grave – o que mais contribui para ferirmos a caridade.
Veja em sua Bíblia o Salmo 132, que diz: Como é bom... os irmãos viverem juntos... é como um óleo... é como o orvalho...” A nós hoje esta linguagem pode parecer estranha, mas para o Salmista, isso tinha um significado muito especial: o óleo da unção não era um óleo comum; representava, além de uma grande alegria, uma honra, uma dignidade. O monte Hermon, por sua grande altitude, tinha o topo coberto de neve, e podia compartilhar com a árida planície que o rodeava, o orvalho e a água da neve derretida... Isso representa a alegria, a honra e a bênção frutuosa que envolve e transborda quando as pessoas vivem em união. “Ali derrama o Senhor uma bênção eterna!”
Existe um provérbio Congo que diz: As pegadas dos que caminham juntos jamais se apagam! Como é bom quando caminhamos juntos e estamos felizes, sem desacordo, conflito ou inveja! Quando um se alegra com o bem e o sucesso do outro! Mas como é triste quando a convivência é ferida por julgamentos, antipatias, competições, inveja, ciúmes, falsidades, por contar vantagem de querer mostrar quem sabe mais... E isso é o tipo de joio que o inimigo quer semear em nossa família, entre os parentes de modo geral, na nossa paróquia, comunidade, no ambiente de trabalho, estudo, e até entre vizinhos!
Em um desentendimento, nenhuma das pessoas ganha... pode até “ganhar” aparentemente no plano humano, mas não no espiritual. Todas as vezes que cedemos a esse tipo de intriga, é o inimigo que vence sobre nós... e o nosso Anjo perde! É uma batalha não só humana - entre nós e o próximo, mas uma batalha espiritual - entre o Anjo bom e o mau! Estaremos sendo marionetes nas mãos do inimigo, e impediremos nosso Anjo de nos ajudar.
Santa Terezinha escreveu que só no último lugar não há inveja, nem aflição de espírito, ou seja, muitas vezes, é preciso deixar a outra pessoa vencer: na opinião, na escolha, na decisão; é preciso ceder o primeiro lugar, para que a humildade vença! Procedendo assim, amontoaremos brasa sobre a cabeça da outra pessoa, nos lembra São Paulo (cf. Rm 12,9-21), ou seja, a atitude orgulhosa de uma pessoa ao ser deparada com a acolhida humilde da outra, faz a primeira se ruborizar de vergonha e reconhecer o próprio erro.
Mas aí surge outra armadilha que nosso Bom Anjo nos quer salvar: muitas vezes somos levados por uma falsa caridade. Se temos dificuldade com certa pessoa, nos vem o pensamento “heroico” de fazer tal coisa para que a pessoa perceba que fomos bons com ela! Sem perceber, somos levados por um orgulho camuflado, cheio de vaidade e vã glória... No fundo do coração era uma competição: queríamos dominar, mostrar que fomos capazes de aturá-lo sem que ele merecesse. Mas não é isso que São Paulo se refere. Ele explica em outro lugar: Ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos”, e logo em seguida diz: cada um deve carregar o seu próprio fardo (cf. Gal 6, 2-5). Parece contraditório! Mas o significado é: devemos sempre fazer da nossa parte na batalha da caridade, mas sem esperar que os outros façam o mesmo em relação a nós! Se todos vivêssemos isso, a convivência seria uma fonte de caridade verdadeira! Também devemos pensar que Deus jamais vai cobrar de outra pessoa o que compete a nós, e vice-versa. Assim, não temos porque reparar a vida dos outros; cada um terá que prestar contas a Deus de acordo com o que recebeu!
Jesus e os Apóstolos nos ensinaram que devemos suportar uns aos outros(cf. Col 3,13). A palavra suportar não deve ser entendida como algo difícil, que temos de tolerar e sofrer, mas como “ser suporte”, um apoio e guindaste para levantar o outro. E quando diz que se um irmão pecar contra nós e não quiser se arrepender, devemos “tratá-lo como se fosse um pagão” (cf. Mt 18,15-17), não significa que devemos desprezá-lo ou atacá-lo; não é esse o significado. Como Jesus nos ensinou que devemos tratar os inimigos? Tratar como um pagão é perdoar 70 vezes 7, é começar do zero! É conquistá-lo através da humildade e do amor!
O humilde tira proveito de tudo, e só na humildade se alcança a sabedoria, maior do que qualquer ciência do mundo. Muitas vezes achamos que não temos nada a aprender com outra pessoa, só porque ela é mais jovem ou mais inculta do que nós. Mas ninguém é tão ignorante que não possa ensinar, nem tão sábio que não possa aprender”. Às vezes pensamos: já sei o que esta pessoa está ensinando, porque tenho que ouvir isso e obedecer? Simples! Talvez não precisamos aprender o que nos estão ensinando, mas precisamos aprender a humildade. E a humildade nada mais é do que tomar consciência de que somos pó e ao pó retornaremos.
Contemplemos Jesus na Hóstia Pequenina. Por acaso achamos que é pouca coisa Deus ter Se encarnado como ser humano, depois ter Se tornado um pão, ficando sujeito a tantos abusos e sacrilégios?! O Onipotente e Todo-Poderoso Se humilha e Se sujeita a aparecer como o que não é... E nós, porque queremos parecer o que não somos, e porque nos afligimos quando nos humilham? O tamanho da pena que sentimos ao ser humilhados, representa o tamanho do orgulho que ainda existe em nós. No livro “Imitação de Cristo” diz que se nos afligem por algo que não temos culpa, devemos lembrar dos outros motivos pelos quais mereceríamos sofrer.
Quando Jesus fala a Nicodemos: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus (Jo 3,3), sabemos que Ele não fala de um nascimento físico, mas espiritual. Mas reflitamos: quem nasce é grande ou pequeno? Ninguém nasce adulto! Assim, para ter esse novo nascimento no Espírito Santo e ganhar o Reino dos Céus, é preciso ser pequeno, ser simples como uma criança, na humildade, pureza, docilidade (cf. Lc 18,17). O Padre Léo dizia: O Céu é para quem sonha grande, pensa grande, e tem a coragem de viver pequeno. Quando estiver difícil de viver a caridade com alguém, recorramos ao auxílio dos Santos Anjos, e com um movimento espiritual, abracemos o Anjo da pessoa que ainda não conseguimos amar, e deixemos que a semente de trigo da humildade cresça e “frutifique em cem por um”, para que nosso Anjo possa, feliz, apresentar-nos a Deus na vida eterna.
Voltemos à meditação inicial: como será nossa passagem para a vida eterna? Lembremos que as frases bonitas da Bíblia e dos santos, antes de terem sido ditas, foram vividas... E nós? Qual será a “frase bonita” que nossa vida irá refletir para os outros? No entardecer da vida, seremos julgados sobre o amor(São João da Cruz).Se compreenderdes estas coisas, sereis felizes, sob a condição de as praticardes (Jo 13,17).

31 março 2019

Aproximai-vos confiadamente...!

Estamos entrando no mês em que celebramos a Paixão e morte de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, assim como a vitória da Ressurreição e a Festa da Misericórdia. Neste tempo, os cristãos são convidados, de maneira especial, a aproximarem-se do Sacramento do Perdão.


Embora atualmente, já seja bem comum para muitos católicos buscar a Confissão mensalmente, ou até semanalmente, existem ainda um grande número de pessoas que tem muita dificuldade com este Sacramento.

Quando Jesus caminhava pelas terras de Israel e curava os doentes, perdoando seus pecados, os judeus indignados gritavam: “Só Deus pode perdoar os pecados!” (Mc 2,7). De fato, só Deus pode perdoá-los; mas o que eles não sabiam, ou não queriam crer, era que Jesus é Deus. Hoje, passados mais de dois mil anos de Sua Ressurreição, muitos continuam dizendo tal qual os fariseus: “Eu me confesso diretamente com Deus, pois só Ele pode perdoar os pecados!”; “Ah! Não vou confessar com um padre, que pode ser até um homem mais pecador do que eu!”; “Não tenho pecado! Nunca matei, nem roubei!”

Após a Sua ressurreição, Jesus apareceu aos Apóstolos, soprou sobre eles e disse: “A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós. Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Atos 20,21-23). Mas alguém poderia ainda questionar: “Ah! Mas isso era com os apóstolos! Eles morreram! Os padres de hoje não podem fazer isso!” Bem, veja em Atos 1,16-26, nos primeiros dias da Igreja nascente, o exemplo claro do que hoje a Santa Igreja chama de sucessão apostólica: a eleição de São Matias.

O poder que Jesus tem de perdoar os pecados, Ele confiou aos Seus apóstolos, e isso vem sendo passado de geração em geração até os nossos dias. Assim, no Sacramento da Confissão, não é o padre que está dando o perdão, pois naquele momento, ele age “in Persona Christi”, ou seja, na Pessoa de Cristo. Quem perdoa é Jesus, que usa do sacerdote como um canal para derramar Seu perdão e Sua Graça.

São Paulo afirmou: “Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou consigo, por Cristo, e nos confiou o Ministério desta Reconciliação... e pôs em nossos lábios a mensagem da Reconciliação. Portanto, desempenhamos o encargo de Embaixadores em Nome de Cristo, e é Deus mesmo que exorta por nosso intermédio. Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!” (II Cor 5,18-20).

“Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se reconhecemos os nossos pecados, (Deus aí está) fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniquidade. Se pensamos não ter pecado, nós O declaramos mentiroso e a Sua palavra não está em nós” (I Jo 1,8-10).

“Confessai os vossos pecados uns aos outros” (Tg 5,16). Quão Bom é Deus, pois podemos confessar com o sacerdote, que nos compreende em nossas misérias, pois é ser humano pecador como nós, e não precisamos nos confessar com os Anjos, que são Seres Puríssimos, diante dos quais, muitos, apenas por vê-los, caíram por terra aterrorizados (cf. Mt 28,4).

Mas... o que está por trás de todos estes questionamentos, é o mesmo ponto: vergonha, respeito humano, orgulho. São João Bosco dizia que os pecados que mais levam para o Inferno são os pecados de “respeito humano”. Este pecado fere diretamente o Primeiro Mandamento, de amar a Deus acima de tudo, pois se dá um respeito às situações humanas acima do respeito e temor que se deve dar a Deus. Assim, pela vergonha do que o outro pode pensar, muitas vezes se cala um pecado a vida toda, e se perde eternamente, e assim, “inutiliza os meios tão poderosos e eficazes de que Deus se serve para nos atrair a Si.”

“Ó alma, quem quer que sejas neste mundo, ainda que teus pecados sejam negros como a noite, não temas a Deus, tu, frágil criança, porque grande é o poder da Misericórdia Divina!” (Sta. Faustina; D.1652). “Aproximemo-nos, pois, confiadamente do Trono da Graça, a fim de alcançar Misericórdia e achar a Graça de um auxílio oportuno.” (Heb 4,16).

Não há pecado, por maior que seja, que não possa ser perdoado pela Misericórdia de Deus. O pecado contra o Espírito Santo, no qual se diz que não tem perdão, é aquele pecado de quem se obstina na incredulidade, de não crer no Amor e no Perdão de Deus; afinal, Ele não obriga ninguém a receber o Seu perdão, mas, ao mesmo tempo, “o amor de Cristo nos constrange” – dizia São Paulo – afirmando ainda: “Eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós”. (cf. II Cor 5,14; Rom 5,8). Veja! Ele já morreu por amor a você, mesmo antes de você nascer! Mesmo sabendo que você cometeria todos estes pecados! Mesmo assim, Ele quis te criar. E foi também a seu respeito, que Ele suplicou: “Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34).

Então! Aquela alma que lia esse artigo, entrou em si e refletiu: “Ó Senhor, quantas graças deixastes para mim, através da Santa Igreja, pelos Sacramentos! «Enquanto me conservei calado, mirraram-se-me os ossos, entre contínuos gemidos, pois, dia e noite, Vossa Mão pesava sobre mim; esgotavam-se-me as forças como nos ardores do verão.» Mas, já sei o que irei fazer: «Vou confessar o meu pecado, e não mais dissimular a minha culpa. Sim, vou confessar ao Senhor a minha iniquidade.» (cf. Sal 31). Criarei coragem, levantar-me-ei, irei ao sacerdote, e direi: “Padre, há tanto (tempo) não me confesso, e os meus pecados são esses...”

Depois que aquela alma colocou-se diante de uma imagem de Jesus Crucificado, e junto à Santíssima Mãe Maria, fez o Exame de Consciência, foi à Igreja e, no Confessionário, falou tudo o que lembrava, sem nada ocultar, o Sacerdote lhe disse: “Deus, Pai de Misericórdia, que, pela Morte e Ressurreição de Seu Filho, reconciliou o mundo Consigo e enviou o Espírito Santo para remissão dos pecados, te conceda, pelo Ministério da Igreja, o perdão e a paz.” E continuando, in Persona Christi, completou: “Eu te absolvo dos teus pecados, em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.”

Nesse momento, essa alma estava tão feliz que, entre lágrimas, respondeu apenas: 'Amém!', e nem percebeu que, quando, “estava ainda longe, seu Pai o viu” e, após a Confissão, Ele ”movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou... e falando aos servos (Anjos), disse: Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lhe, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés... Façamos uma festa, pois este Meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado” (Lc 15,20-24).

Agora, imaginemos: E se não existisse a Confissão? Imagina se, depois que pecássemos, não tivéssemos mais nenhuma chance, e fossemos condenados para sempre?! Mas o Pai Eterno nos dá a oportunidade de recomeçarmos, e nos dá o Seu perdão, “pelo Sangue de Cristo... que purifica a nossa consciência das obras mortas” (cf. Hb 9,14).

Que grande Graça do Amor e Misericórdia de Deus! O perdão é para todos: para você, para mim! O perdão só não está disponível para aquele que acha que não precisa dele. Este Sacramento é o Trono da Graça de Deus, aproveitemos dele enquanto podemos, e lembremos que: “o Confessionário é o único Tribunal onde você entra como réu, declara-se culpado, e sai absolvido.” Deus é Bom!