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21 abril 2019

Ressuscitou Verdadeiramente! Aleluia! Aleluia!


Sequência da Páscoa

Cantai, cristãos, afinal
Salve ó vítima pascal!
Cordeiro inocente, o Cristo
Abriu-nos do Pai o aprisco

Por toda ovelha imolado
Do mundo lava o pecado
Duelam forte e mais forte
É a vida que vence a morte

O Rei da vida, cativo
Foi morto, mas reina vivo!
Responde, pois, ó Maria
No teu caminho o que havia?

Vi Cristo ressuscitado
O túmulo abandonado
Os Anjos da cor do Sol
Dobrado ao chão o lençol

O Cristo que leva aos céus
Caminha à frente dos seus!
Ressuscitou, de verdade!
Ó Cristo Rei, piedade!




Sequentia Paschalis

Victimae Paschali laudes
Immolent christiani.

Agnus redemit oves:
Christus innocens Patri
Reconciliavit peccatores.

Mors et vita duello
Conflixere mirando:

Dux vitae mortuus,
Regnat vivus.

Dic nobis Maria,
Quid vidisti in via?

Sepulcrum Christi viventis,
Et gloriam vidi resurgentis:

Angelicos testes,
Sudarium, et vestes.

Surrexit Christus spes mea:
Praecedet suos in Galilaeam.

Scimus Christum surrexisse
A mortuis vere:
Tu nobis, victor Rex, miserere.

Amen. Alleluia.



31 março 2019

Aproximai-vos confiadamente...!

Estamos entrando no mês em que celebramos a Paixão e morte de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, assim como a vitória da Ressurreição e a Festa da Misericórdia. Neste tempo, os cristãos são convidados, de maneira especial, a aproximarem-se do Sacramento do Perdão.


Embora atualmente, já seja bem comum para muitos católicos buscar a Confissão mensalmente, ou até semanalmente, existem ainda um grande número de pessoas que tem muita dificuldade com este Sacramento.

Quando Jesus caminhava pelas terras de Israel e curava os doentes, perdoando seus pecados, os judeus indignados gritavam: “Só Deus pode perdoar os pecados!” (Mc 2,7). De fato, só Deus pode perdoá-los; mas o que eles não sabiam, ou não queriam crer, era que Jesus é Deus. Hoje, passados mais de dois mil anos de Sua Ressurreição, muitos continuam dizendo tal qual os fariseus: “Eu me confesso diretamente com Deus, pois só Ele pode perdoar os pecados!”; “Ah! Não vou confessar com um padre, que pode ser até um homem mais pecador do que eu!”; “Não tenho pecado! Nunca matei, nem roubei!”

Após a Sua ressurreição, Jesus apareceu aos Apóstolos, soprou sobre eles e disse: “A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós. Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Atos 20,21-23). Mas alguém poderia ainda questionar: “Ah! Mas isso era com os apóstolos! Eles morreram! Os padres de hoje não podem fazer isso!” Bem, veja em Atos 1,16-26, nos primeiros dias da Igreja nascente, o exemplo claro do que hoje a Santa Igreja chama de sucessão apostólica: a eleição de São Matias.

O poder que Jesus tem de perdoar os pecados, Ele confiou aos Seus apóstolos, e isso vem sendo passado de geração em geração até os nossos dias. Assim, no Sacramento da Confissão, não é o padre que está dando o perdão, pois naquele momento, ele age “in Persona Christi”, ou seja, na Pessoa de Cristo. Quem perdoa é Jesus, que usa do sacerdote como um canal para derramar Seu perdão e Sua Graça.

São Paulo afirmou: “Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou consigo, por Cristo, e nos confiou o Ministério desta Reconciliação... e pôs em nossos lábios a mensagem da Reconciliação. Portanto, desempenhamos o encargo de Embaixadores em Nome de Cristo, e é Deus mesmo que exorta por nosso intermédio. Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!” (II Cor 5,18-20).

“Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se reconhecemos os nossos pecados, (Deus aí está) fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniquidade. Se pensamos não ter pecado, nós O declaramos mentiroso e a Sua palavra não está em nós” (I Jo 1,8-10).

“Confessai os vossos pecados uns aos outros” (Tg 5,16). Quão Bom é Deus, pois podemos confessar com o sacerdote, que nos compreende em nossas misérias, pois é ser humano pecador como nós, e não precisamos nos confessar com os Anjos, que são Seres Puríssimos, diante dos quais, muitos, apenas por vê-los, caíram por terra aterrorizados (cf. Mt 28,4).

Mas... o que está por trás de todos estes questionamentos, é o mesmo ponto: vergonha, respeito humano, orgulho. São João Bosco dizia que os pecados que mais levam para o Inferno são os pecados de “respeito humano”. Este pecado fere diretamente o Primeiro Mandamento, de amar a Deus acima de tudo, pois se dá um respeito às situações humanas acima do respeito e temor que se deve dar a Deus. Assim, pela vergonha do que o outro pode pensar, muitas vezes se cala um pecado a vida toda, e se perde eternamente, e assim, “inutiliza os meios tão poderosos e eficazes de que Deus se serve para nos atrair a Si.”

“Ó alma, quem quer que sejas neste mundo, ainda que teus pecados sejam negros como a noite, não temas a Deus, tu, frágil criança, porque grande é o poder da Misericórdia Divina!” (Sta. Faustina; D.1652). “Aproximemo-nos, pois, confiadamente do Trono da Graça, a fim de alcançar Misericórdia e achar a Graça de um auxílio oportuno.” (Heb 4,16).

Não há pecado, por maior que seja, que não possa ser perdoado pela Misericórdia de Deus. O pecado contra o Espírito Santo, no qual se diz que não tem perdão, é aquele pecado de quem se obstina na incredulidade, de não crer no Amor e no Perdão de Deus; afinal, Ele não obriga ninguém a receber o Seu perdão, mas, ao mesmo tempo, “o amor de Cristo nos constrange” – dizia São Paulo – afirmando ainda: “Eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós”. (cf. II Cor 5,14; Rom 5,8). Veja! Ele já morreu por amor a você, mesmo antes de você nascer! Mesmo sabendo que você cometeria todos estes pecados! Mesmo assim, Ele quis te criar. E foi também a seu respeito, que Ele suplicou: “Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34).

Então! Aquela alma que lia esse artigo, entrou em si e refletiu: “Ó Senhor, quantas graças deixastes para mim, através da Santa Igreja, pelos Sacramentos! «Enquanto me conservei calado, mirraram-se-me os ossos, entre contínuos gemidos, pois, dia e noite, Vossa Mão pesava sobre mim; esgotavam-se-me as forças como nos ardores do verão.» Mas, já sei o que irei fazer: «Vou confessar o meu pecado, e não mais dissimular a minha culpa. Sim, vou confessar ao Senhor a minha iniquidade.» (cf. Sal 31). Criarei coragem, levantar-me-ei, irei ao sacerdote, e direi: “Padre, há tanto (tempo) não me confesso, e os meus pecados são esses...”

Depois que aquela alma colocou-se diante de uma imagem de Jesus Crucificado, e junto à Santíssima Mãe Maria, fez o Exame de Consciência, foi à Igreja e, no Confessionário, falou tudo o que lembrava, sem nada ocultar, o Sacerdote lhe disse: “Deus, Pai de Misericórdia, que, pela Morte e Ressurreição de Seu Filho, reconciliou o mundo Consigo e enviou o Espírito Santo para remissão dos pecados, te conceda, pelo Ministério da Igreja, o perdão e a paz.” E continuando, in Persona Christi, completou: “Eu te absolvo dos teus pecados, em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.”

Nesse momento, essa alma estava tão feliz que, entre lágrimas, respondeu apenas: 'Amém!', e nem percebeu que, quando, “estava ainda longe, seu Pai o viu” e, após a Confissão, Ele ”movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou... e falando aos servos (Anjos), disse: Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lhe, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés... Façamos uma festa, pois este Meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado” (Lc 15,20-24).

Agora, imaginemos: E se não existisse a Confissão? Imagina se, depois que pecássemos, não tivéssemos mais nenhuma chance, e fossemos condenados para sempre?! Mas o Pai Eterno nos dá a oportunidade de recomeçarmos, e nos dá o Seu perdão, “pelo Sangue de Cristo... que purifica a nossa consciência das obras mortas” (cf. Hb 9,14).

Que grande Graça do Amor e Misericórdia de Deus! O perdão é para todos: para você, para mim! O perdão só não está disponível para aquele que acha que não precisa dele. Este Sacramento é o Trono da Graça de Deus, aproveitemos dele enquanto podemos, e lembremos que: “o Confessionário é o único Tribunal onde você entra como réu, declara-se culpado, e sai absolvido.” Deus é Bom!

29 dezembro 2018

Mensagens de Jesus à Irmã Josefa Menendez

Mensagens do Coração de JESUS à Irmã Josefa Menendez, nascida em 4 de fevereiro de 1890, e falecida em 29 de dezembro de 1923. Estas mensagens seguintes foram retiradas do livro: "Apelo ao Amor" (Diário da Irmã Josefa Menendez).
  


30 novembro 1922
  • "Escreve para as almas: Meu Coração é todo Amor e este Amor abraça todas as almas..."
  • "Meu Amor vai tão longe que, do nada, minhas almas podem retirar grandes tesouros. Quando, desde a manhã, unindo-se a Mim, Me oferecem todo seu dia... que tesouros não acumulam em um dia!"
  • Descobrir-lhe-ei cada vez mais Meu Amor... É inesgotável!... E é tão fácil à alma que ama deixar-se guiar pelo Amor!"

20 outubro 1922

  • "Sim, o mundo está cheio de perigos... Quantas pobres almas, arrastadas para o mal, precisam constantemente de socorro visível ou invisível..."
5 dezembro 1922


  • Sim, sou Aquele JESUS que ama as almas com ternura... Eis o Coração que não cessa de chamá-las, de preservá-las, de cuidar delas!... Eis o Coração abrasado no desejo de ser amado pelas almas..."

6 agosto 1922
  • "Darei a conhecer que a medida do Meu Amor e de Minha Misericórdia para com as almas caídas não tem limites. Desejo perdoar. Repouso perdoando. Estou sempre esperando com amor que as almas venham a Mim! Não desanimem! Venham!... Atirem-se nos Meus braços! Não tenham medo! Sou seu Pai!"
2 dezembro 1922

  • "Quando uma alma arde em desejo de amar nada lhe é difícil; mas, se cai na frieza e perde o entusiasmo, tudo se lhe torna penoso e duro!... Venha então a Meu Coração e crie coragem!... Ofereça-Me esse desalento!... Una-o ao ardor que Me consome e fique tranquila, pois seu dia será de valor incomparável para as almas! Meu Coração conhece todas as misérias humanas e tem delas imensa compaixão. Não desejo somente, porém, que as almas se unam a Mim de um modo geral: quero que essa união seja constante e íntima, como é a união daqueles que se amam e vivem perto um do outro; porque, se não falam constantemente, ao menos olham-se e têm mútuas atenções e delicadezas que são fruto do amor. Quando a alma está em paz e consolação, é sem dúvida fácil pensar em Mim. Mas se a desolação e a obterá de Meu Coração as mais ternas delicadezas. Repetirei ainda às almas quantas as ama Meu Coração!... Pois quero que Me conheçam a fundo, a fim de Me darem a conhecer àquelas que Meu Amor lhes confie."

5 dezembro 1922
  • "Escreve ainda para elas: Meu Coração não é somente um abismo de Amor, é também um abismo de Misericórdia! E, conhecendo todas as misérias humanas, que se encontram mesmo nas Minhas almas mais amadas. Eu quis que as ações delas, por mais pequenas que sejam, possam revestir-se, por Meu intermédio, de valor infinito para o bem das que precisam de socorro e para salvação dos pecadores. Nem todos podem pregar e evangelizar ao longe os povos selvagens, mas todas, sim todas, podem tornar conhecido e amado o Meu Coração... Todas podem ajudar-se mutuamente para aumentar o número dos eleitos, impedindo e perda eterna de muitas almas... E isso, por efeito de Meu Amor e de Minha Misericórdia. Direi às Minhas almas que Meu Coração vai mais longe ainda: não somente Se serve de sua vida ordinária e de suas mínimas ações, mas quer utilizar também, pelo bem das almas, suas misérias, suas fraquezas, até suas próprias quedas. Sim, o Amor transforma e diviniza tudo, e a Misericórdia tudo perdoa!


Irmã Josefa Menendez

Sobre a Irmã Josefa Menendez você pode ver mais informações nos seguintes sites:


06 abril 2018

Jesus entra em um coração fechado?

Quantas vezes já ouvimos dizer que devemos abrir o nosso coração para JESUS entrar, pois ELE não vai invadir, e só entrará quando nosso coração estiver aberto? Existe até uma antiga e belíssima canção, cantada geralmente às primeiras sextas-feiras do mês, ou na Solenidade do Sagrado Coração, que diz:
"Procuro abrigo nos corações. De porta em porta desejo entrar. Se alguém Me acolhe com gratidão, faremos juntos a refeição. (...) vou batendo até alguém abrir..."


Que é baseada na seguinte frase do Apocalipse: "Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a Minha voz e Me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, Eu com ele e ele Comigo." (Apoc 3,20).

Confesso que esse pensamento sempre foi algo que me causou muita reflexão e uma certa angústia: Então, existem corações que JESUS não entra?!

O Evangelista São João testemunha que após a morte, JESUS teve Seu Coração aberto pela lança, de onde saiu Sangue e Água (cf. Jo 19,33-34). JESUS morreu, mas deixou Seu Coração aberto para nós! E depois de Sua Ressurreição, os apóstolos e discípulos tiveram uma surpresa: todas as marcas da Paixão de JESUS haviam desaparecido, mas as marcas das Suas Santas Chagas, nas Mãos, nos Pés e no Lado, continuavam ali, não de uma maneira sangrenta, mas agora gloriosa.

O Apóstolo São João, que deu testemunho da abertura do Lado de JESUS, foi confirmado pelo Apóstolo São Tomé, que tocou no Lado aberto do Ressuscitado.


O fato do Coração de JESUS, ter sido aberto pela lança do soldado, após a Sua morte, significa que continuará aberto para sempre. Assim, podemos compreender a extensão da Misericórdia de DEUS, ela ultrapassa o tempo e entra na eternidade! (cf. Salmo 117,1ss).

Em Sua vida e com Sua morte, JESUS fez tudo por nós. Realmente, Ele não poderia fazer mais nada! (cf. Hb 2,9). Mas mesmo assim, ELE quis deixar Seu Coração aberto, para ser uma fonte e refúgio de Misericórdia para todos.

JESUS ensinou a Santa Faustina a jaculatória de confiança: "Ó Sangue e Água que jorrastes do Coração de JESUS como fonte de Misericórdia para nós, eu confio em Vos!" (Diário de Santa Faustina, 84).

A imagem de JESUS Misericordioso retrata-O com os dois raios: vermelho e pálido, saindo de Seu peito. O próprio JESUS explicou a Santa Faustina o significado deles: "Esses dois raios significam o Sangue e a Água. O raio pálido significa a Água, que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue, que é a vida das almas... Ambos os raios saíram das entranhas da Minha Misericórdia quando, na Cruz, o Meu Coração agonizante foi aberto pela lança."  (Diário, 299).



Assim, o Coração de JESUS, tornava-se aquela via, talvez última, para que os corações enfraquecidos pelo medo, pela inconstância, pelas próprias fraquezas, aqueles que são qualificados como o "caniço rachado" ou  a "mexa que ainda fumega" (cf. Mt 12,20), pudessem alcançar a esperança da salvação.
"Meu Coração está repleto de grande Misericórdia para com as almas, e especialmente para com os pobres pecadores. Oxalá possam compreender que Eu sou para eles o melhor Pai, que por eles jorrou do Meu Coração, o Sangue e a Água, como de uma fonte transbordante de Misericórdia..." (Diário, 367).
É claro que esta porta aberta da Misericórdia não contradiz a Justiça de DEUS. DEUS é Misericordioso, mas também é Justo! (cf. Rm 2,1-11)
"Diz aos pecadores que ninguém escapará ao Meu braço. Se fogem do Meu Misericordioso Coração, hão de cair nas mãos da Minha justiça. Diz aos pecadores que sempre espero por eles, presto atenção ao pulsar dos corações deles, para ver quando batem por Mim. Escreve que falo a eles pelos remorsos da consciência, pelos malogros e sofrimentos, pelas tempestades e raios; falo pela voz da Igreja..." (Diário, 1728).
De fato, "DEUS nunca força a nossa livre vontade. De nós depende se queremos aceitar a graça de DEUS, ou não, se queremos colaborar com ela, ou desperdiçá-la." (Diário, 1107). Assim, realmente JESUS não vai forçar nenhum coração que não O queira, mas o ponto que queremos chegar sobre 'corações fechados' é um pouco diferente: Existem corações fechados por dentro, e corações fechados por fora.

coração aberto de JESUS é um caminho para aqueles que - como dissemos anteriormente: por causa do medo, da inconstância, da fraqueza emocional ou espiritual - não conseguem abrir o coração. E é isto que queremos considerar: Há muitas almas que não conseguem abrir o seu coração, não porque não o querem, mas justamente porque elas mesmas estão presas, estão trancados dentro de seus próprios corações. De alguma forma, ficaram presas e não conseguem sair desta prisão, não tem a chave para abrir... E essa prisão pode ser um vício enraizado, uma grande frustração ou decepção, a depressão, uma doença, a morte de um ente querido...

E para confirmar este argumento, temos um fato a favor: Após o sepultamento de JESUS, vemos no Evangelho de João que os discípulos estavam trancados. Eles estavam frustrados. Para eles, o seu Mestre, o seu grande amigo, aquele que era a esperança para eles, estava morto. E eles estavam com medo também (cf. Jo 20,19). Na verdade todos eles fugiram, abandonaram, negaram JESUS. Mas lá dentro, com certeza eles rezavam. E mesmo que a esperança fraquejasse, mesmo que essa fosse temerosa, mesmo que suas orações fossem fracas devido a angústia de seus corações amargurados, e decepcionados, havia o "grande anseio" pela presença de JESUS. Era quase que o anseio de uma "Comunhão espiritual".


JESUS, eu confio em Vós!
E o que aconteceu? De repende, "JESUS veio e pôs-Se no meio deles e disse: A Paz esteja convosco!" (Jo 20,19). A imagem de JESUS Misericordioso, pintada em 1982 por 'Robert Skemp'representa bem isto. JESUS é retratado aparecendo à frente de uma porta fechada, com o ferrolho fechado. Tem uma Mão levantada, para abençoar e a outra tocando o peito, deixando sair da túnica os raios que representam o Sangue e a Água que jorraram de Seu Coração. É JESUS ressuscitado, que traz em Seu Corpo glorioso as marcas da Paixão na Cruz.

E justamente esta imagem é venerada de maneira especial na Festa da Misericórdia, que é celebrada no 2º Domingo Pascal; domingo onde é lida esta leitura de JESUS Ressuscitado, que aparece aos discípulos que estavam trancados de medo.

Sim, com certeza JESUS não vai invadir nenhum coração que não O queira. Mas existem muitos corações que O querem, mas estão presos dentro das grades de si mesmos, dos seus medos, das suas fraquezas, dos seus vícios. Estes, lançam um grito de socorro para que alguém entre dentro de suas prisões e os liberte, de seus 'cenáculos fechados' e os salve.

E esse alguém é JESUS! ELE é capaz de entrar nos recintos fechados dos corações, e dar a Paz da Redenção aos que ali O aguardam, assim como fez com os discípulos, assim como fez com as almas que estavam no Limbo; porque ELE tem as chaves da vida e da morte. (cf. Jo 11,25.14,6; Apoc 1,18).

E ELE os levará para dentro da Chaga aberta do Seu Lado, do Seu Coração, que foi aberto depois de Sua morte, ou seja, depois de 'aparentemente' se esgotar todas as possibilidades de comunicação com ELE.

E lá, dentro desse Coração aberto, para onde essas almas são levadas por JESUS, lá não chegará a espada da justiça, como mesmo afirma Santa Gemma Galgani: "Oh! Se todos os pecadores viessem a Teu Coração!... Venham, pecadores, não tenham medo! A espada da Justiça não pode chegar até aqui!"

Mas não podemos esquecer uma coisa: esta alma com o coração fechado a qual referimos, não é a que não quer abrir o seu coração, pois esta se enquadraria no chamado "pecado contra o Espírito Santo" (cf. Mc 3,28-30), quando a própria pessoa rejeita a graça e o Amor de DEUS, como os fariseus que não queriam acreditar em JESUS, nem em Seus claríssimos sinais (milagres), e frustraram os desígnios de Deus a respeito deles (cf. Lc 7,30); a alma que referimos é a que não consegue abrir o seu coração por fraqueza.

E isso não significa que ela quer permanecer aí presa; supõe-se que ela quer se libertar da sua fraqueza, do seu pecado, e até luta para isso. Ela tenta, do lado de dentro, abrir o ferrolho desta porta, mas não consegue. Então, ela começa a gritar por socorro:


"Das profundezas eu clamo a Vós, Senhor
escutai a minha voz!
Vossos ouvidos estejam bem atentos
ao clamor da minha prece!

Se levardes em conta nossas faltas,
quem haverá de subsistir?
Mas em Vós se encontra o perdão,
eu Vos temo e em Vós espero.

No Senhor ponho a minha esperança,
espero em Sua palavra.
A minh'alma espera no Senhor
mais que o vigia pela aurora.

Espere Israel pelo Senhor
mais que o vigia pela aurora!
Pois no Senhor se encontra toda graça
e copiosa redenção.

Ele vem libertar a Israel
de toda a sua culpa." (Salmo 129)

Segundo Santa Terezinha do Menino JESUS, "a oração é um impulso do coração, um simples olhar para o Céu, um grito de amor, [tanto na alegria, mas também] na provação". Esse grito de socorro é um grito de esperança, é um grito de anseio por DEUS, é um grito de confiança em Sua Misericórdia!

Mas isso também é humildade, pois a alma sabe que sozinha não conseguirá se levantar, então, ela clama por ajuda, até que Alguém venha abrir a porta para ela. Só o humilde consegue confiar "contra toda esperança" (cf. Rm 4,18), porque ele não tem mais nenhum recurso em quê se apoiar, não pode confiar nem em si mesmo, pois sabe que é um grande pecador, preso em tantas fraquezas; mas pode confiar n'Aquele que é maior do que ele, e que é capaz de o salvar, porque "o amou primeiro" e "morreu por ele, mesmo ele sendo um pecador". (cf. I Jo 4,19; Rm 5,8).
"Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate. (Diário de Santa Faustina, 699)
“Ainda que a alma esteja em decomposição como um cadáver e ainda que humanamente já não haja possibilidade de restauração, e tudo já esteja perdido, DEUS não vê as coisas dessa maneira. O milagre da Misericórdia de DEUS fará ressurgir aquela alma para uma vida plena.” (Diário, 1448)
Alma pecadora, não tenhas medo do teu Salvador. Eu, o primeiro tomo a iniciativa de Me aproximar de ti, pois sei que por ti mesma não és capaz de elevar-te até Mim." (Diário, 1485)

 alma, quem quer que sejas no mundo, ainda que seus pecados sejam negros como a noite, não temas a DEUS, tu, frágil criança, porque grande é o poder da Misericórdia Divina." (Diário, 1652)
Assim, quando a esperança fraquejar, não desista de lutar, ore fervorosamente, grite de dentro da prisão do seu coração, grite para Aquele que pode te salvar, e confie n'ELE como "última tábua de salvação", busque o Sacramento da Confissão, e tenha certeza de que depois você poderá Louvar a DEUS, dizendo: "De todo o coração Vos louvarei, ó Senhor, meu DEUS, e glorificarei o Vosso Nome eternamente, porque Vossa Misericórdia foi grande para comigo, arrancastes minha alma das profundezas da região dos mortos!" (cf. Salmo 85,13) Amém.

JESUS, eu confio em Vós!

Preparemo-nos para a Festa da Misericórdia

Estamos na Oitava da Páscoa, esta semana de graças entre o Domingo da Ressurreição e o Domingo da Festa da Misericórdia. Confiemos, assim, de maneira especial, no Coração aberto e Misericordioso de JESUS, "aproximemo-nos, pois, confiadamente do Trono da Graça, a fim de alcançar misericórdia e achar graça de um auxílio oportuno." (cf. Hb 4,16).

“Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. (...). Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha Misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas. Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças. Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate” (Diário, 699).

“O Senhor me disse para rezar o Terço da Divina Misericórdia por nove dias antes da Festa da Misericórdia. Devo começar na Sexta-feira Santa. Através desta novena concederei às almas toda espécie de graças” (Diário, 796).

01 maio 2014

Até quando, Senhor?

 Quantas vezes diante de fatos dolorosos em nossa vida, ou mesmo quando nos deparamos com a ação do mal no mundo, lançamos a Deus um apelo em busca de respostas que nos satisfaçam, como:



"Onde está Deus que não me ajuda?!"

"Por que Deus não impede o mal?!"

Dias atrás conheci um senhor muito simpático que, sentado no banco de uma rodoviária, desenhava - e muito bem - o Imaculado Coração de Maria. Era um grafiteiro autodidata que havia separado de sua esposa e, morando na rua, ganhava o pão de cada dia com o seu talento.

Conversando com ele, percebi que era uma pessoa que trazia dentro de si uma grande sede de Deus, da Verdade e do Bem, mas ao mesmo tempo, tinha o coração marcado pelo sofrimento, e ferido pela mágoa, angústia e indignação.

Ele fez estas mesmas perguntas a respeito do (aparente) “silêncio de Deus” em face de tantos fatos injustos que sofremos ou presenciamos.

Tentei explicar a ele que Deus criou tudo bom, mas o próprio homem, afastando-se de Deus e de Sua lei, caiu nos laços do demônio e, utilizando mal a sua liberdade, acabou causando danos a si e ao próximo. 

Mas... logo meu ônibus chegou e tive que partir. Deixei-o, pesarosa, pois ele ainda não havia se convencido que Deus não abandonou o ser humano... pois amou tanto o mundo que lhe deu seu Filho Único, Jesus Cristo, como Redentor (cf. Jo 3,16).

Fiquei a pensar em tantas pessoas que perdem a fé porque se deixam levar por tais questionamentos. 

Então, encontrei em um livro uma passagem que responde a esse paradoxo do mal.

Nele dizia que Deus não impede o mal e a ação de satanás porque,


“tendo criado os homens e os anjos livres, deixa que ajam conforme a sua natureza inteligente e livre.
No fim, Ele fará as contas e dará a cada um o que merece... A parábola do joio e do trigo é bastante clara a esse respeito: quando os servos pedem que se retire o joio, o patrão se recusa a fazê-lo e diz que será preciso esperar o tempo da colheita.
Deus não renega as suas criaturas, mesmo quando elas se comportam mal. Se impedisse a sua ação, a criatura seria julgada antes que tivesse a possibilidade de expressar-se integralmente.
Somos seres finitos, nossos dias na terra estão contados, e por isso não gostamos dessa paciência de Deus.
Temos pressa em ver o bem premiado e o mal punido. Deus espera, permitindo que o homem tenha tempo de se converter, servindo-se muitas vezes também do demônio para que o homem possa provar que é fiel a seu Senhor”
(Leite, Silvana C. - Para falar de Anjos; Loyola).

Na verdade podemos perceber que cada coração humano que grita: “Até quando, Senhor?!”, ainda não compreendeu o Mistério da Economia da Salvação. 

Isso não significa, é claro, que devemos cruzar os braços e deixar que o sofrimento, a doença, o desemprego, a injustiça, etc. progridam.

De modo algum! Devemos agir, sim, e buscar sempre o que é justo e direito, o bem, a paz, a dignidade, a verdade e a ordem; mas, jamais devemos nos revoltar por acontecimentos que “temporalmente” permanecem sem respostas.

Com certeza você conhece ou já ouviu falar de pessoas que, diante de um doloroso quadro de uma doença incurável, por exemplo, dão um belíssimo testemunho de fé e amor!

E um dos melhores modelos que temos é a Santíssima Virgem Maria que, junto à Cruz, vendo seu filho sendo torturado e morto injustamente, permaneceu de pé, revelando ao mundo que nosso sofrimento, unido ao de Cristo, torna-se corredentor (conf. Jo 19, 25 e Col 1, 24).

Interessante que aquele grafiteiro da rodoviária desenhava o Imaculado Coração de Maria. Lembrei-me de que em Fátima, Nossa Senhora afirmou: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”

Maria anunciava ali a vitória de todos que, crendo no amor de Deus, não se esmorecem diante das tribulações ou injustiças causadas direta ou indiretamente pelo pecado, pelo mal, mas com firme esperança no amor de Deus sabem que “todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.” (1Jo 5,4).

Que possamos também ser portadores desta fé, desta esperança, n'Aquele que, por nosso amor, humildemente baixou até este vale de lágrimas e nos deu uma Mãe que intercede junto a Ele por nós. 

Salvou-nos por Sua morte, e ressuscitou para nos dar a Vida... preparou-nos um lugar (conf. Jo 14, 2) onde “enxugará toda lágrima de nossos olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor” (conf. Ap 21,4). Deus é Bom!
Maio de 2012