09 dezembro 2016

Umas palavras práticas sobre o uso do Véu

Sem entrar no mérito de assuntos Teológicos e Doutrinais - até porque este tema tem sido amplamente discutido e explicado na internet - queria somente expor alguns tópicos práticos sobre o uso do véu.
  • Usar o véu é normal ou é exceção?!
Em todas as ocasiões a mulher deveria ter sempre como modelo Maria Santíssima. Afinal, ela viveu todos os estados que uma mulher possa viver. Ela foi uma jovem solteira, depois se casou, foi mãe, depois ficou viúva. E continuou sendo virgem, claro! Assim, Ela é modelo para as jovens solteiras, para virgens consagradas ou celibatárias, para as mulheres casadas, com filhos ou sem filhos, e para as viúvas.

Como seria a roupa que Nossa Senhora usaria se vivesse em nossos dias? Será que ela usaria o véu na Igreja? Como Nossa Senhora aparece aos videntes em suas aparições?

O véu não é uma exceção, nem um detalhe 'Chic' da roupa, mas um sinal de respeito a DEUS, de modéstia e de feminilidade. Ele não deve ser usado para chamar a atenção para si. É preciso que a Glória de CRISTO apareça, ensinava São Paulo, não a da mulher (I Cor 11,5.10.13). Embora muitas pessoas dizem o véu chama muito a atenção, isso tem acontecido porque ele se tornou algo tão raro que, infelizmente, parece mais 'normal' uma mulher entrar com roupa indecente dentro da Igreja, do que entrar com uma roupa modesta e usando véu.

Aconteceu um fato comigo que retrata bem esta situação. Certa ocasião, fui participar da Santa Missa no Rito Ordinário (ainda não tinha Missa no Rito Tradicional em minha região), e estava aguardando a Santa Missa começar, quando uma pessoa me pediu para fazer a leitura, porque o leitor não tinha chegado. Pessoalmente, não acho correto mulher subir no Presbitério, mas como neste Rito é permitido e estavam precisando de leitor, atendi ao pedido e disse que sim. Foi então que esta pessoa me falou: "Mas você vai precisar tirar o véu!" Surpresa com tal condição, falei resolutamente: "Oh! Desculpe, então procure outra pessoa!" Bem... minha surpresa aumentou ao ver que a pessoa escolhida para ler no meu lugar, foi uma jovem com uma blusinha justa, com manga bem curta e com uma calça jeans bem justa também! Que estranho! Não podia subir para ler uma moça com roupa modesta usando véu, mas podia subir uma moça sem véu e com roupa colada no corpo. Esta claríssimo aqui a falta de noção sobre o respeito às coisas de DEUS, e o preconceito com o uso do véu. Que Deus tenha misericórdia de nós, e conceda às pessoas responsáveis pela Liturgia nas Paróquias, a consciência do que é o certo diante de DEUS.

Mas vou refletir agora um detalhe que talvez poucas pessoas tenham percebido ou feito tal ligação. Desde que os sacerdotes, religiosos e freiras, deixaram o uso do 'traje eclesiástico' ('traje clerical' para sacerdotes e 'hábito' para religiosos), os leigos foram aos poucos deixando de usar roupas modestas. E não sejamos tolos, isto não é só uma questão de 'evolução dos tempos e cultura', tem muito de espiritual aí também! (Obs.: Não me refiro aqui aos Institutos Seculares, que não são obrigados pelo Código de Direito Canônico a usar traje eclesiástico, mas aos que deveriam usar segundo o mesmo Código; embora seria muito edificante que também os 'Seculares' usassem algum distintivo de sua consagração à Cristo).

Sobre este assunto, pode-se ler mais em:
https://padrepauloricardo.org/episodios/afinal-os-padres-sao-ou-nao-obrigados-a-usar-um-habito-eclesiastico
e
http://www.presbiteros.com.br/site/da-obrigatoriedade-do-uso-do-traje-eclesiastico/

Pois, o que você acha que o demônio prefere: um sacerdote e um religioso que use sua veste própria (que seja 'sinal de sua consagração' para o mundo, que seja visto por todos para que sejam procurados por eles como 'homens e mulheres de DEUS'), ou que eles usem roupas comuns (e que por isso não sejam vistos ou reconhecidos como pessoas consagradas à DEUS, passando despercebidos em meio à multidão, tendo a liberdade de usar roupas da moda)? Isso é algo que há muitas décadas vem sendo preparado, bem sorrateira e pacientemente pelo inimigo de DEUS, através de muitos meios, e que agora se tornou tão comum, que quando alguém vê um padre ou uma freira com a veste eclesiástica, diz: "Nossa! Olha! Um padre!" "Nossa! Olha! Uma freira!" Como se fosse algo tão extraordinário!

Certa vez, durante uma Santa Missa, percebi que havia um grupo de mulheres juntas. Elas tinham o cabelo curtinho, usavam saias abaixo do joelho e blusas. Logo percebi que se tratava de mulheres consagradas (não sei se pertenciam a uma Congregação religiosa ou eram de Instituto Secular). Estavam até vestidas modestamente, mas não usavam nenhum hábito religioso; uma pena! Então, refleti o seguinte: na verdade este tipo de traje (saia, blusa) deveria ser o das mulheres leigas (com exceção, claro, do cabelo curto, que não é nada feminino). Como seria belo se estas religiosas estivessem de hábito, e as mulheres leigas estivessem com saias e blusas modestas!

E pensei: mas é justamente por isso que as mulheres leigas não querem usar vestes assim, porque vão ficar 'parecendo freiras'. Ou seja, já que as 'freiras' usam saias, blusas, a mulher leiga - que não quer se 'parecer' com uma 'freira' - acaba não querendo usar uma roupa assim… O que acham? Será que é mera coincidência ou uma consequência?
  • A modéstia da roupa. Na música: 'A treze de maio', cantada em Portugal, há uma estrofe que parece ter sido abolida da versão brasileira; é a seguinte: "Vesti com modéstia, com santo pudor, olhai como veste a Mãe do Senhor. Ave! Ave! Ave Maria! Ave! Ave! Ave Maria!"
Sabe-se que a natureza da mulher é de um ímpeto de querer se mostrar e ser vista, com tendência à vaidade. Já o homem tem o ímpeto de olhar, observar; por isso a mulher modesta deve procurar não se expor de uma maneira que provoque o homem, e que contribua para que ele peque. Às vezes fico com pena dos homens que estão na igreja. Em certos momentos, o quanto os homens piedosos e fiéis devem ter que lutar para não cometer algum pecado por pensamento ou por desejo, visto que as mulheres entram com roupas tão indecentes!

Tem pessoas que mesmo depois de 'convertidas' não deixaram os 'costumes do mundo', pois não assimilaram o que é a verdadeira modéstia cristã, mariana. Mesmo uma mulher que não usa o véu, não deveria usar roupas imodestas, mas... usar roupa imodesta com o véu é um disparate!

Então, o que se deve usar? Roupas femininas, a exemplo da Santíssima Virgem Maria. E quais são? Saia ou vestido, roupas mais compridas e que não estejam justas no corpo, roupas sem decote, que não sejam extravagantes, que não estejam com tantas figuras chamativas e coisas escritas... afinal, não somos um 'outdoor' para que as pessoas fiquem lendo mensagens em nossa roupa! (Tudo bem, sei que existem as 'camisetas de evangelização'; mas também não precisamos exagerar! É claro que existem ambientes em que isto pode 'até ser evangelizador', mas em outros não! Aí entra o discernimento.)

E preciso ter muita sabedoria, discernimento, astúcia (cf. Mt 10, 16) pois 'comércio é comércio', e grande parte dos comerciantes, mesmo se dizendo cristãos, estão interessados nas vendas, e usam até a 'moda religiosa' para ganhar dinheiro, e a acabam deturpando, adaptando-a ao mundo, pois na verdade, não se importam com a modéstia, querem é ganhar dinheiro.


"Ah! Mas ninguém aguenta o calor!" - diriam algumas. Bem, se for por causa de calor, sentar perto de um ventilador ou da porta, pode ajudar. Agora, se a questão for a 'menopausa', o calor vai continuar independente da roupa que se usar! Enfim, reflitamos seriamente: é preferível suportar o calor aqui da terra do que o do Purgatório, não é mesmo?! Se JESUS sofreu tanto por nós, será que não podíamos suportar o calor por amor a Ele e por expiação dos nossos próprios pecados?


Mas alguém poderia questionar: "Nossa! Isto é exagero! É radicalismo!"
É claro que "quem vê cara não vê coração". Pode ser que uma pessoa que não esteja vestida tão modestamente esteja com o coração bem mais perto de Deus do que uma outra que se veste "politicamente correta". Mas... devemos sempre procurar viver sempre como bons cristãos e melhorando a cada dia mais. Creio que pedir que se use roupa decente e modesta é o mínimo que se possa pedir.
Ser cristão, viver segundo a Vontade de DEUS, mas seguir as modas do mundo... é algo que se tornará cada vez mais antagônico... E infelizmente, grande parte dos católicos estão muito envolvidos com o ritmo da sociedade moderna e influenciados pelo esquema do mundo.

  • Sobre a cor do véu. Antigamente o véu branco era para as virgens, e o véu preto, consequentemente para as não-virgens: as casadas. Mas hoje em dia, o véu branco ficou sendo para as solteiras (independente de serem virgens ou não) ou para as celibatárias, e o véu preto para as casadas ou viúvas. Mas isto é apenas um costume, pois também algumas mulheres usam véus de outras cores, ou mesmo lenços coloridos, que não são de renda. Isso varia muito de região, de cultura...

No Vaticano por exemplo, em uma Audiência com o Santo Padre, (ainda) existe o costume das mulheres usarem o véu preto, independente de serem casadas ou não; e somente as rainhas 'católicas' podem usar a cor branca.






Mas, apesar da variedade que temos a disposição, devemos ter cuidado para não exagerar nas cores e modelos, até porque sendo o véu também um sinal de modéstia, recolhimento e discrição, seria um tanto estranho usar algo extravagante, chamativo. Afinal, não devemos ficar decoradas como a toalha do altar! Às vezes, é claro, acontece da mulher comprar um véu com muitos detalhes sem ter a intenção de chamar a atenção, simplesmente porque achou bonito; mas é bom que a cada dia, peçamos ao Espírito Santo o Dom do Discernimento.
  • E o cabelo, deve estar preso ou solto? O cabelo pode aparecer? Já vi pessoas fazendo estas perguntas. Bem, isto são apenas detalhes, e não regras. Mas queria comentar e dar minha opinião. Embora alguns dizem que o véu é somente para cobrir a cabeça (já vi véu para vender tão curto quanto o solidéu do papa! rsrsrs...), penso que seria melhor o véu cobrir não só a cabeça, mas também o cabelo.
Se por exemplo o cabelo está molhado, e a mulher não quer prendê-lo por isso, ela poderia somente certificar-se que ele não está aparecendo fora do véu. São detalhes pequenos, mas que às vezes fazem a diferença.

Certa vez li algo sobre a vida de Santa Gemma Galgani que jamais esqueci, tão surpresa fiquei! É que para nós, miseráveis pecadores, certos detalhes da vida dos santos estão tão distantes da nossa realidade que parecem até exageros, mas creio que para quem tem fineza de alma, diante de DEUS não é bem assim. Eis o fato: Certa vez Santa Gemma escreveu a seu diretor espiritual, dizendo que havia cometido um pecado horrível, mas que já havia feito penitência dele, e chorado o dia todo. É que enquanto estava na igreja, rezando, ela distraiu-se e, em vez de olhar para Jesus, pôs-se a admirar o penteado de uma criança!

Vede, Santa Gemma não chegou a olhar com um olhar de crítica ou julgamento, mas olhou com um olhar de admiração, achando bonito... mas esta pequena distração, que nós jamais consideraríamos um pecado, foi para ela motivo de muitas lágrimas. Oh! Quanta pureza! Quanta delicadeza de alma!

Quanto mais uma pessoa está perto da luz, mas ela vê com clareza os pequenos detalhes, que não podem ser vistos se a pessoa está na sombra, ou em um local escuro, sem luz. Assim, quanto mais estamos perto de DEUS, da Luz de DEUS, com maior clareza enxergaremos as manchas do pecado. Por isso, algo que para nós seria uma falta leve, para os santos era um grande pecado; porque eles já estavam bem mais perto de DEUS, da Sua Luz, por isto enxergavam melhor.

É claro que não podemos nos medir com os santos nestes aspectos, e cair em escrúpulos, mas é bom ver estes exemplos para que reflitamos! Se podemos nos distrair admirando algo bonito, imagina o que não acontece então quando vemos algo imodesto, extravagante ou mesmo sensual e indecente?

Enfim, toda mulher tem muita vaidade com o cabelo (se não fosse isso, não o pintariam quando ficam brancos, ou não o alisariam se são crespos, ou não fariam cachos porque o acham muito liso, e por aí vai... Os salões de beleza que o digam!). Por esses motivos, seria bom tê-los cobertos dentro da Igreja. Mas que fique bem claro, não estou dizendo que arrumar os cabelos, ou mesmo que mostrar os cabelos é pecado; de maneira alguma! Afinal o mesmo São Paulo que fala sobre o uso do véu, também diz que a mulher deve se enfeitar para agradar ao marido (1Cor 7,34).
Quanto a cobrir o cabelo com o véu, e deixá-los presos para facilitar, é só uma sugestão! Penso que é mais modesto.
  • Como firmar o véu na cabeça? Procure colocar o véu de uma maneira que não fique caindo e que você tenha que ficar puxando e arrumando ele o tempo todo dentro da igreja. E se tiver que arrumá-lo, procure que seja de uma maneira discreta. Pode-se usar algo para prendê-lo, ou usar um véu maior, que possa sustentá-lo nos ombros. Existem também os modelos 'echarpe' que envolvem o pescoço; assim evita de cair e de ficar o tempo todo mexendo no véu. Isto na verdade é simples, à medida em que se vai usando, vai acostumando e sabendo o jeito que fica melhor para não cair.
  • E se o pároco ou o bispo não gosta? Este assunto já é bem delicado. Se na sua paróquia ninguém usa véu e você acha que as pessoas vão estranhar, mas você quer muito usar, comece a usá-lo discretamente, em determinadas ocasiões (adoração, ou somente na hora de comungar), ou sente em um lugar mais distante, que não fique tão à vista. Isto são dicas, claro, mas é preciso ter discernimento. O véu não pode ser separação da comunidade.
Mas, se por acaso o padre proíbe (o que infelizmente acontece em certos lugares), não crie confusão. Primeiro, tente um diálogo, explique o motivo... Mas se chegar ao extremo dele não abrir mão, você tem que ceder e obedecer... Ou então, se você quer muito usar... é simples: participe de um lugar que não proíba o uso do véu! Nas igrejas onde se celebra o Rito Tradicional é normal e até requerido o uso do véu. Considere então, começar a participar do Rito Tradicional, se você tiver possibilidade; mesmo que tenha que "viajar" para participar. Pode ter certeza, depois que você começar a participar, verá que vale a pena todo o esforço e sacrifício possíveis. É como se diz: "Se vos perseguirem numa cidade, fugi para uma outra". (Mt 10,23). Enfim, cada caso é diferente, e o melhor que se tem a fazer é pedir a orientação do seu confessor ou diretor espiritual.

  • Cuidado com o modismo. Hoje em dia existem diversos sites e blogs na internet sobre modéstia, sobre véu... com textos muito bons. Também há muitas palestras em vídeos muito boas também. Sugiro, por exemplo, as do padre Paulo Ricardo da Arquidiocese de Cuiabá.
Mas, devemos tomar cuidado, pois existem também os sites que se declaram 'sites de modéstia' mas não são 'tão' modestos assim; vê-se que o autor do blog, ou site, é mais levado pelo 'modismo'.

O inimigo é muito esperto, e pode começar a usar diversos tipos de armadilhas, como: a “moda do véu”, para desmoralizar este sacramental que é um sinal tão bonito do respeito para com DEUS, de modéstia e feminilidade.

Não é necessário ter um 'guarda-roupa' de véu, com diversas cores, tamanhos e tipos de rendas diferentes e caras. O véu não é uma moda. Aliás, a palavra 'moda' não é muito boa de se aplicar para vestimenta cristã. Não quero aqui, absolutamente, com estas palavras, criticar o apostolado de ninguém! Mas, se formos ver o significado da palavra 'moda', veremos o seguinte:

«Uso passageiro que regula, de acordo com o gosto do momento, a forma de viver, de se vestir, etc. - Fonte: Priberam» [glifos meus].

«É uma forma passageira e facilmente mutável de se comportar e sobretudo de se vestir ou pentear - Fonte: Wikipedia» [glifos meus].

Ou seja, moda é algo inconstante, segue as tendências do mundo, e Jesus afirmou: "Eu não sou do mundo!" (Jo 17,14.16). Deus não muda, é o mesmo. A pastorinha de Fátima, Jacinta, antes de morrer, afirmou à Irmã enfermeira que cuidava dela: "Virão umas modas que ofenderão muito a Nosso Senhor. As pessoas que servem a Deus não devem seguir essas modas. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o mesmo!" (Beata Jacinta, pastorinha de Fátima).

Enfim, o que deve ser visto é JESUS, é o Corpo de CRISTO, e não a mulher, e muito menos o corpo dela.
  • Enfim, cuidado com a inconstância. Muitas pessoas começam a usar por empolgação, porque veem as outras usando, ou só porque acham bonito. Acabam usando mais por vaidade do que por modéstia, e depois, se as outras pessoas param de usar, aí ficam com vergonha e param de usar também. Isso é imaturidade! Comece a usar se realmente terá a firmeza de continuar, independente se todas as suas amigas deixarem de usar. Também não se deve deixar de usar só para agradar tal padre ou bispo que você descobriu que 'particularmente' não gosta.
Véu não é modismo, é uma escolha, é uma postura… de viver a modéstia, o costume cristão, bíblico (do Novo Testamento por sinal), e de seguir o exemplo da Santíssima Virgem.

Ah! Mas cuidado, nunca julgue quem não usa o véu, ou mesmo quem deixou de usá-lo.. Não é porque uma mulher usa o véu que ela vai agradar a DEUS mais que a que não usa; só Ele sonda e conhece os corações. Não sabemos as razões e situações da vida da outra pessoa, por isso não podemos julgar. Lembremos, "no final da vida, seremos julgados pelo Amor" (São João da Cruz) (cf. Mt 25,31-46).

Que nossa Mãe Santíssima, e todas as santas casadas e santas virgens possam interceder por todas nós, mulheres cristãs, para que descubram a necessidade, a dignidade e a beleza da modéstia e da feminilidade.


Veja este vídeo sobre o véu!
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Depois, clique na opção "Detalhes" ao lado, e escolha o seu idioma em "Traduzir automaticamente". Este vídeo foi encontrado no site: https://www.veilsbylily.com/

08 dezembro 2016

A Imaculada Conceição

"Eu sou a Imaculada Conceição" - disse a Virgem Maria à Santa Bernadette Soubirous.

"Ao ajuntamento das águas, Deus chamou mar (cf. Gn 1,10), e ao ajuntamento das Graças, Deus chamou Maria". (cf. Lc 1,28) (São Luiz Maria Gringnion de Montfort).

"Por acaso pode alguém fazer sair o Puro do impuro? Jamais!" (Jó 14,4)

"Pelos seus frutos os conhecereis. Porventura os homens colhem uvas de espinhos, ou figos de abrolhos? Assim, toda árvore boa dá bons frutos e a má dá maus frutos. Nem pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar bons frutos..." (Mt 7,16-18). "Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: 'Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o Fruto do teu ventre". (Lc 1, 41-42)

Pensai: Será que já existiu "um ser humano, capaz de entrar na Eternidade sem ter que se arrepender de nada"? Sim! "Este ser humano existe! É Maria! Além de Jesus, sabemos que só um ser humano teve sorte diversa: Maria, a Virgem, a Imaculada, a sempre pura". (Karl Rahner, L'homme au miroir de l'annés chrétienne, 222 - Fonte: "Consagração à Nossa Senhora, de Dom Antônio Maria Alves de Siqueira).

A Hora da Graça Universal

A Hora da Graça Universal
8 de dezembro - ao meio dia

As aparições de Nossa Senhora Rosa Mística a Pierina Gilli
(* 03.08.1911 - + 12.01.1992) ocorreram na Itália, em Montichiari e em Fontanelle, entre os anos de 1947 e 1976.

Pierina Gilli
No dia 22 de novembro de 1947, Nossa Senhora revelou a Pierina que todo dia 8 de dezembrodia da Solenidade da Imaculada Conceição, ao meio dia (12:00 hs), seria a Hora da Graça Universal.

Nossa Senhora afirmou:
_ "No dia 8 de dezembro, pelo meio-dia, voltarei aqui à igreja, onde será a 'Hora da Graça'."
Pierina perguntou o que seria isso, e Nossa Senhora respondeu:
_ "Conversões em massa! Almas endurecidas, gélidas como o mármore serão tocadas pela Graça Divina, tornando-se fiéis ao Senhor e apaixonadas por Ele".

Conforme o prometido, no dia 8 de dezembro de 1947, Nossa Senhora apareceu na Catedral de Montichiari. Uma multidão de pessoas se encontravam reunidas, de modo que Pierina teve dificuldades de chegar no centro da Igreja, onde costumava rezar o terço e ver a Santíssima Virgem. De súbito, Perina exclamou: "Oh! A Senhora!" Fez-se um silêncio tão profundo, que o pároco da Catedral afirmou na época que, apesar da grande multidão, o silêncio era tão absoluto que poderia se ouvir o voo de uma mosca. A Virgem Santíssima, belíssima estava em pé, ao cimo de uma escadaria branca, enfeitada a um e outro lado, com rosas brancas, vermelhas e amarelas. Sorriu, enquanto dizia:

_ "Eu sou a Imaculada Conceição".

Depois, descendo alguns degraus, completou:
_ "Sou a Mãe da Graça, Mãe do meu Divino Filho Jesus Cristo".

Desceu mais uns degraus e prosseguiu:
_ "Pela minha vinda aqui em Montichiari quero ser chamada de 'Rosa Mística'. Desejo que todos os anos, no dia 8 de dezembro, tenho lugar, ao meio-dia, a 'Hora da Graça universal', com que se hão de obter numerosos favores para a alma e para o corpo. O Senhor, o meu Divino Filho, concederá grande misericórdia, contanto que os bons não deixem de orar pelos seus irmãos pecadores. Comunicai rapidamente ao Santo Padre da Igreja Católica, o papa Pio XII [papa da época] o meu desejo de que esta 'Hora da Graça' se difunda e pratique em toda terra. Os que não puderem ir à Igreja obterão as graças desde que orem em suas casas. A quem orar e derramar lágrimas de arrependimento nesta igreja, ser-lhe-á indicada uma Via segura para obter do meu Coração graça e valimento".

Nesse momento, Pierina pôde contemplar o Coração resplandecente da Virgem e ouvir as palavras:
_ "Eis o Coração que tanto ama os homens, mas da maior parte deles é pago com ultrajes... Quando os bons, como também os maus, se reunirem todos em oração, hão de alcançar do meu Coração, Misericórdia e Paz... Até agora os bons, graças à minha intercessão, obtiveram do Senhor um ato de Misericórdia, que lhes valeu de ser afastado um grande flagelo".

E a sorrir, continuou:
"Dentro de pouco, há de o mundo conhecer a grandeza desta Hora da Graça".

E ao pedido de Pierina para que abençoasse o mundo, e de modo especial o Santo Padre, os sacerdotes, religiosos e pecadores, a Santíssima Virgem retorquiu:
_ "Já está pronta a abundância de Graças para todos os filhos que escutam a minha voz e tomam peito as minhas súplicas".


Como preparação para a 'Hora da Graça' do dia 08 de Dezembro, Nossa Senhora indicou o que deveria ser feito: 
"Oração e Penitência. Rezem três vezes ao dia, todos os dias, o Salmo 50, 'Miserere', de braços abertos.”



Orações à Maria Rosa Mística

Rosa Mística, Virgem Imaculada, Mãe da Graça, para honra de Vosso Divino Filho, nos prostramos diante de Vós implorando a misericórdia de Deus: Não por nossos méritos mas pelo amor de Vosso Coração Maternal, nós vos suplicamos que nos concedais proteção e graça com a certeza de que nos haveis de atender.

Ave Maria…

Rosa Mística, Mãe de Jesus, Rainha do Santo Rosário e Mãe da Igreja, Corpo Místico de Cristo, nós vos pedimos que concedais ao mundo, dilacerado pela discórdia, a unidade e a paz e todas aquelas graças que podem mudar o coração de tantos de teus filhos.

Ave Maria…

Rosa Mística, Rainha dos Apóstolos, fazei florescer à volta da Mesa da Eucaristia muitas vocações sacerdotais a religiosas que difundam, com a santidade de sua vida e com o zelo apostólico pelas almas, o Reino de Vosso Filho Jesus por todo o mundo. E derramai sobre nós também a abundância de Vossas graças celestiais!

Ave Maria…

Salve Rainha…

Nossa Senhora Rosa Mística, Mãe da Igreja, rogai por nós!

Com aprovação eclesiástica

03 dezembro 2016

Um Advento e Natal diferente!

A GRANDE DESCOBERTA (conto natalino)
O dia ainda nem tinha clareado direito e Zezinho já estava em pé.
_ Acorda vó! Vamos!
E Dona Ana, despertando assustada, se deparou com o netinho, de pijama, junto à sua cama, todo descabelado, tentando arrancar a meia.
_ Mas, querido, o que é isso! Ainda são seis horas, é preciso esperar até as oito!
_ Mas vó, se agente chegar atrasado, vamos ficar sem o Papai Noel. Só tem cinco, eu vi na propaganda!
Então, depois de rezar ao Anjo da Guarda, ir ao banheiro, lavar o rosto, tomar o leite com chocolate, escovar os dentes, trocar de roupa, colocar o tênis... Uff! Isso era muita coisa a fazer, para quem estava tão ansioso! Enfim, depois de tudo isso, lá foi Zezinho com sua avó, todo feliz, em direção ao shopping, para a tão esperada compra dos enfeites de Natal.
Assim que chegaram, para aflição do garoto, já havia diversas pessoas esperando a loja abrir. Pela porta de vidro dava para ver lá dentro, tanta coisa bonita aos olhos: Pisca-pisca, árvores de Natal de vários tamanhos, com bolas brilhantes e coloridas, bengalas cheias de doces, sapatos e botas de colocar na lareira, trenó com renas que piscavam seu nariz vermelho, guirlandas musicais, e até pinheiros de verdade! Mas o que mais chamou a atenção de Zezinho foi um boneco do Papai Noel com mais de um metro de altura. Com uma mão, ele segurava um saco de presentes que pendia pelas costas, e com a outra, segurava a barriga. Sua cabeça mexia pra frente e para trás, como se estivesse rindo, e ele ainda falava: “Ho! Ho! Ho! Merry Christmas, children's!”
_ É igual aquele, vó! O que eu quero é igual aquele!
Assim que abriram as portas, houve certo tumulto; eram adultos, crianças, jovens, todos querendo entrar ao mesmo tempo! Zezinho foi correndo em direção ao Papai Noel, e puxando um vendedor pelo braço, perguntou:
_ Quanto custa, moço?
Mas que decepção! O Papai Noel era muito caro!
_ Oh! Zezinho – disse Dona Ana – não tenho condição de comprar, custa todo o salário de um mês da vovó!
Com os olhos cheios de lágrimas, meio cabisbaixo, ele ainda tentou justificar:
_ É porque é importado!
_ Vamos procurar mais! Quem sabe achamos outras coisas interessantes? – consolou a avó. E apontando uma prateleira, disse:
Veja! Tem estes enfeites para a árvore!
_ É... Pode ser. – falou Zezinho, pegando um Papai Noel com 'gorrinho de duende'.
E foram colocando na cestinha, pequenos e baratos enfeites de dependurar na árvore: bolinhas coloridas, bengalas, estrelas, renas de nariz vermelho...
Zezinho tinha um bom coração e gostava muito da sua avó, mas, mesmo assim, tinha ficado bastante triste por não poder levar o boneco do Papai Noel pra casa; afinal, ele tinha escutado seus coleguinhas dizerem: “Que graça tem o Natal sem o Papai Noel? É o mais importante; pois é ele quem traz todos os brinquedos!”
Então, quando já estavam saindo da loja, Zezinho avistou um negócio estranho, entre umas caixas, num cantinho da loja, junto à porta que dava para o depósito. Parecia uma uma gruta ou cabana de madeira.
_ Vó, o que é aquilo?
Um vendedor que estava perto foi logo brigando com o rapaz do depósito:
_ Porque deixaram isso aí?! – E olhando para eles, continuou:
_ Desculpe a bagunça... É um antigo presépio, mas tá quebrado... Aliás, nem se vende mais este tipo de coisa!
_ Presépio! O que é isso, vovó?

Então, enquanto voltavam para casa, Dona Ana ia explicando. O menino nem piscava, com os olhos arregalados, ouvindo a narração da avó. Chegando em casa, Dona Ana, sentou no sofá, colocou as pernas cansadas em um banquinho, e continuou:
_ Quando eu era criança, em vez de ir à loja comprar enfeites, saíamos para o campo, em busca de pedrinhas, areia e palha, para montar o nosso presépio. Todos os anos, montávamos um diferente. Todas as casas tinham seu presépio, mas o nosso era o mais bonito, pois como seu bisavô era carpinteiro, ele mesmo esculpia na madeira os personagens. Tinha os anjos, os pastores, as ovelhinhas, e até uma estrela guia! Mas o que eu mais gostava era um São José puxando o burrinho, com uma Nossa Senhora grávida, sentada nele. Estes eram para o Tempo do Advento.

_ Advento, o que é isso?
_ É o tempo em que esperamos a chegada do Natal! Todos os domingos, ao voltar da Missa, mamãe acendia uma vela na Coroa do Advento.
_ Coroa do Advento! – exclamou o garoto sem entender.
_ É um símbolo do Advento, querido! É um círculo feito com cipó enrolado, coberto com ramos de pinheiro; dentro dele colocamos quatro velas, que representam as quatro semanas do Advento. Em cada domingo do Advento acendíamos uma vela.
_ Ah! É igual à guirlanda que tem na porta de casa?
_ Sim! – sorriu a avó – Mas a nossa era colocada na mesa, dentro de um prato de barro, com as quatro velas. Gostávamos muito dela, porque a cada domingo, quando mamãe acendia uma vela, significava que o Natal estava mais perto!...
_ Que legal!
_ Mas agora, pega um copo de água para a vovó, que já está cansada de tanto falar.
Depois de buscar o copo de água, Zezinho sentou-se a seus pés, dizendo:
_ Conta mais! Conta mais!
E Dona Ana, com os brilhantes olhos verdes, olhando ao longe, ia relembrando:
_ Então, depois da vela acesa, meus irmãos e eu corríamos até o presépio, para colocar o São José e a Nossa Senhora grávida mais perto da gruta. E a cada domingo colocávamos mais perto! Depois, na véspera do Natal, tirávamos estas imagens e colocávamos outras: o São José e a Nossa Senhora ajoelhados.
_ Que seu pai também tinha feito de madeira?
_ Sim! E o mais legal era na manhã do Natal. Pulávamos da cama e íamos correndo até a sala, para ver se o Menino Jesus já estava na manjedoura; porque o papai só o colocava lá depois que agente tinha ido dormir. Agente já sabia, mas, mesmo assim, era muito emocionante encontrar Ele lá!
_ Menino Jesus na manjedoura! Como assim?
_ Uai, meu querido, porque quando o Menino Jesus nasceu, no dia do Natal, Nossa Senhora o colocou na manjedoura, porque eles não tinham conseguido hospedagem em nenhum outro lugar! Manjedoura era o lugar que os bois comiam.
_ Nossa! - disse o garoto espantado. E a avó riu passando a mão nos cabelos de Zezinho.
_ Mas, 'peraí'! O Menino Jesus nasceu no dia do Natal?! – questionou Zezinho surpreso.
_ Claro, meu amor! O Natal é o nascimento do Menino Jesus! Ele nasceu lá na gruta, porque ninguém quis dar hospedagem para José e Maria na cidade de Belém!
_ Que triste!
_ Mas os Anjos vieram com os Pastores para adorar o Menino Jesus. Assim, nós também, como os pastores devemos adorar o Menino Jesus, pois Ele nasceu para nos salvar!
_ Vovó, eu pensava que o Natal é a festa do Papai Noel! – disse o garoto surpreso e envergonhado.
_ De jeito nenhum! O Natal é o aniversário do Menino Jesus! E tem mais, depois de alguns dias, também vieram os sábios Reis para adorar o Menino Jesus. Eles vieram de países bem distantes, trazendo os presentes de ouro, incenso e mirra. É por isso que as pessoas trocam presentes no dia do Natal, para comemorar esta data tão importante.
_ Mas 'peraí', vovó, se é o aniversário do Menino Jesus, ele quem deveria ganhar os presentes!
A avó sorriu e comentou:
_ As pessoas trocam presentes entre si para demonstrar a alegria deste dia, e cada presente, deveria representar Jesus. Que a pessoa está presenteando a outra com o melhor presente: Jesus!
_ Mas e Jesus, Ele não ganha presente?
_ Creio que o melhor presente que ele quer é o nosso coração! Por isso devemos deixar o nosso coração bem limpo, sem nada de ruim nele, então, o Menino Jesus pode vir nascer em nosso coração. Este é o Natal mais bonito!
Zezinho ficou um tempo olhando para sua avó e exclamou:
_ Mas, vó! As pessoas estão sendo enganadas! – exclamou o menino, levantando do chão. E com determinação, foi até a porta e disse:
Meus colegas precisam saber disso! O Natal não é do Papai Noel, com renas e duendes no trenó. Isso nem existe! O Natal é do Menino Jesus!
E correndo pela rua, Zezinho voltou à loja, pediu ao vendedor o presépio velho e, com a ajuda da avó, colou as peças quebradas. Depois, levou para a escola e mostrou aos coleguinhas, repetindo para eles a história que sua vó lhe tinha contado: a verdadeira história do Natal.


E desde aquele dia, quando chegava o Tempo do Advento, as crianças não se interessavam tanto mais em ir às lojas, comprar enfeites brilhantes e caros, mas queriam ir ao campo, pegar pedrinhas, areia e palhas, para montar em casa o seu próprio Presépio!

02 novembro 2016

Creio na Comunhão dos santos... na Ressurreição da carne e na vida eterna!

A Igreja dedica o mês de novembro às almas, iniciando com a “Solenidade de Todos os Santos” no dia 1º e comemorando no dia 2 os fiéis falecidos. Quando o dia 1º ocorre durante a semana, a celebração é transferida para o próximo domingo, facilitando assim às pessoas a participação na Santa Missa. Já o chamado “Finados” é sempre celebrado no dia 2, pois também é um feriado civil.


É muito significativo que estas duas celebrações estejam próximas, pois são intimamente ligadas entre si no que se refere à “comunhão dos santos”; e juntas remetem a um tema de suma importância da nossa fé: a ressurreição e a vida eterna.


Sabe-se que desde os tempos apostólicos, a Igreja sempre ofereceu orações - principalmente a Santa Missa - em sufrágio pelos falecidos, ou pediu a intercessão daqueles já considerados santos, pois cremos que “a Igreja do Céu, a Igreja da Terra e a Igreja do Purgatório estão misteriosamente unidas” (B. João Paulo II - Reconciliatio et poenitentia, 12) formando em Cristo uma única Igreja.


Crer que “todos os crentes formam um só Corpo em Cristo (Rm 12, 5), e que o bem de uns é comunicado aos outros” (Sto. Tomás) faz parte da fé e confiança que devemos ter na força da oração do próprio Cristo: “que todos sejam um, assim como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti, para que também eles estejam em Nós... quero que, onde Eu estou, estejam comigo aqueles que Me deste, para que vejam a Minha glória que Me concedeste” (Jo 17, 21.24).


A adesão a Jesus pela fé, nos garante que, através da comunhão com Ele - que é a Cabeça do Corpo Místico da Igreja - alcançaremos também aquilo que Ele conquistou para nós: a ressurreição e a vida eterna! E é esta nossa fé que nos difere de diversas expressões religiosas.


A crença na ressurreição engloba o que há de mais intrínseco em nossa fé: é impossível se dizer cristão quem nega a ressurreição, favorecendo uma doutrina oposta. A esse respeito lê-se na Palavra de Deus: “A passagem de uma sombra: eis a nossa vida, e nenhum reinício é possível uma vez chegado o fim, porque o selo lhe é aposto e ninguém volta” (Sab 2, 5), “como está determinado que os homens morram uma só vez” (Hb 9, 27).


Jesus vincula a fé na ressurreição à Sua própria Pessoa, dizendo: “Eu Sou a Ressurreição e a Vida!” (Jo 11, 25). Ele não é um mestre de vida espiritual, ou um ser iluminado que chegou ao mais alto grau de evolução espiritual... Ele é o Filho de Deus e Deus mesmo; “sofreu livremente a morte por nós em uma submissão total e livre à vontade de Deus, Seu Pai. E por Sua morte venceu a morte, abrindo, assim, a todos os homens a possibilidade da salvação” (Cat. 1019).


São Paulo exortava: “Como podem alguns dentre vós dizer que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou! E, se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação, vazia é também a vossa fé. Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que adormeceram” (I Cor 15, 12 - 14. 20). E assim “cremos firmemente que, da mesma forma que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos e vive para sempre, assim também, depois da morte, os justos viverão para sempre com Cristo ressuscitado e que Ele os ressuscitará no último dia” (Cat. 989).


O Catecismo da Igreja Católica afirma claramente no parágrafo 1013: “A morte é o fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo de graça e de misericórdia que Deus lhe oferece para realizar sua vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir seu destino último. Quando tiver terminado o único curso de nossa vida terrestre, não voltaremos mais a outras vidas terrestres. Os homens devem morrer uma só vez (Hb 9, 27). Não existe reencarnação depois da morte”.


Assim, para nós, cristãos, é incompatível a crença de que precisamos passar por várias vidas em corpos diferentes para ir nos purificando até chegar a um grau perfeito de evolução. Ninguém se purifica a si mesmo, ou se salva por si mesmo; a santificação e a salvação “deriva da iniciativa de amor de Deus para conosco” (Cat 620), alcançado para nós por Cristo, que - por causa de nossos pecados - morreu, para nos alcançar a salvação. É claro que a salvação, sendo um Dom gratuito de Deus, não nos tira a responsabilidade, é preciso a nossa colaboração e aceitação do Projeto de Deus. Aí entra nossa liberdade de acolher a vida como um dom de Deus, e saber que cada minuto de nossa existência nesta nossa “única vida terrena” é uma escolha decisiva para a vida eterna.



Que as celebrações destes dias aumente em nós a gratidão e alegria pelo Dom da vida que Deus nos deu, e pela Graça da salvação que Cristo nos alcançou. Tenhamos a certeza de que a morte não tem a palavra final, pois Jesus afirmou: “Esta é a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 40).