09 abril 2020

Como na primeira Ceia...

Esta Homilia do Reverendíssimo Padre Paulo Ricardo, é uma relíquia, que deve ficar registrada na história da Igreja! Para muitos que querem tê-la por escrito, fizemos aqui a transcrição. Abaixo, colocaremos o link do vídeo do Padre. Agora, eis o texto, palavra por palavra:

Uma Ceia sem comungantes...


+ Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Meus queridos irmãos e irmãs, nós estamos celebrando a Quinta-feira Santa. E a grande Missa nós celebramos é a Missa da Ceia do Senhor, a Instituição da Eucaristia e do Sacerdócio Católico. É nessa Missa que tradicionalmente se faz também o Rito do Lava-pés. Então, popularmente ela é conhecida como Missa do Lava-pés. Este ano, provavelmente, na maior parte das Missas que celebradas no mundo não haverá lava-pés, por causa das circunstâncias de pandemia do Coronavírus.

Também vivemos uma coisa muito especial, a respeito dessas celebração da Missa da Ceia do Senhor. No dia de hoje, liturgicamente falando, era proibido que os Padre celebrassem essa Missa como "Missa privada", ou seja, só se podia celebrar essa Missa publicamente. E, portanto, os Padres, que quisessem, não tivessem condição de fazer, tinham que se unir a outros Sacerdotes para uma concelebração. Uma Missa que a Igreja quer que seja pública pela celebração da Ceia do Senhor e do Sacerdócio.

Este ano, extraordinariamente, a Santa Sé, por causa da situação de pandemia, deu então a faculdade aos Sacerdotes, todos Sacerdotes, de celebrarem esta Missa privadamente.

A maior parte das Missas são celebradas sem a presença dos fiéis, e aí, de repente, toda esta situação nos leva a viver espiritualmente este momento, esta Quinta-feira Santa de uma forma especialíssima.

Como é que eu gostaria de contribuir para que você viva isso de forma especial. Você deve estar dizendo: "Meu Deus, a Festa da Eucaristia. A Festa em que foi instituído o Santo Sacrifício da Missa, em que JESUS Se deu em Comunhão e eu não vou poder comungar! Padre, que terrível, que tragédia, que horror!"


Sim! Eu não quero amenizar em nada a dor que isso significa às almas santas, às almas devotas, às almas que verdadeiramente compreender o que é a comunhão sacramental.

Mas, nesta Quinta-feira Santa... nesta Quinta-feira Santa tão fora do normal, do padrão, nós somos chamados a nos unir à Nossa Senhora: MARIA não estava no Cenáculo! Ela estava no andar de baixo.

JESUS estava lá em cima com os doze Apóstolos celebrando a Eucaristia. JESUS estava instituindo o Sacerdócio. Foi na última ceia que JESUS ordenou os 12 Apóstolos, ordenou inclusive Judas. Foi na Última Ceia que JESUS então, instituiu extraordinariamente, misticamente, sobrenaturalmente aquele Sacramento de Amor: "Tomai... isto é Meu Corpo... Bebei... este é o Cálice do Meu Sangue e da Nova e Eterna Aliança". Os Apóstolos comungaram, mas MARIA não comungou. A Mãe Santíssima não estava lá. Por quê? Claro! JESUS estava instituindo a Eucaristia e só poderia estar presentes aqueles que iriam receber o mandato: "Fazei isto para celebrar a Minha Memória!" Esse mandato:

"Haec quotiescúmque pecéritis, in Mei Memóriam faciétis."

"Hoc fácite in meam commemorationem."


"Fazei isto na Minha Memória." Esta ordem de JESUS, é a ordenação. Mulheres não estavam, porque JESUS ordenou somente homens. Os discípulos não estavam lá, estavam somente os 12 Apóstolos. Na primeira Ceia, a primeira vez que a Eucaristia foi celebrada, a Eucaristia foi, vamos usar... não é bem isso, mas... a Eucaristia foi, uma Missa "privada". O mundo estava presente naquele Cenáculo, mas na verdade, estavam lá somente os Sacerdotes ordenados: os dignos, como São João, que se reclinou no peito de JESUS, e os indignos, como Judas, que já havia concebido o pecado de trair JESUS. Todos eles foram ordenados, todos eles comungaram. JESUS lavou os pés de cada um deles.


É nesta Noite Santa, meus queridos irmãos, que nós, Sacerdotes, que todos os anos nos inclinamos para lavar os pés dos outros no ritual do Lava-pés, este ano deveríamos nos deter um momento na frente do Sacrário, "in sinu Jesu", reclinados no peito de JESUS, e deixar que ELE nos lave os pés, como São Pedro deixou... como Judas deixou.


Sim, nesta Noite Santa, nesta noite que nós precisamos ir para JESUS. Portanto, é aqui que nós devemos nos unir, todos os fiéis católicos aos Sacerdotes, nesta noite santíssima... você como leigo, como leiga, unido à Virgem MARIA, lá fora, fora do Cenáculo, mas não fora da Comunhão espiritual.


Eu tenho certeza, pela vida de santidade e a plenitude de Graça do Coração da Virgem MARIA, que enquanto Ela estava lá mexendo com as panelas, no andar de baixo com outras mulheres santas, levando os pratos para cima... Eu tenho certeza que quando JESUS pronunciou aquela Palavra: "Isto é Meu Corpo que é dado...", um raio da Graça divina fez brotar no Coração de MARIA uma explosão de alegria, porque a Eucaristia existe! Embora, Ela não pudesse receber!


É um momento místico de nós nos unirmos à Virgem Santíssima, é momento extraordinário de nós nos unirmos à nossa Mãe, e com o mesmo coração, com os mesmo sentimentos do Imaculado Coração de MARIA, comungarmos espiritualmente... com cada Sacerdote nos recantos do mundo, que vão erguendo as Hóstias místicas e espirituais, que vão erguendo o mundo em sacrifício oferecido à DEUS!

Cada Sacerdote que celebra Missa, que eleva o Corpo de nosso Senhor e Seu Preciosíssimo Sangue, eleva o mundo, oferecendo à DEUS, nossos pecados, para que sejam perdoados, nossos atos de virtudes e de sofrimento, para que sejam coroados, e tudo isso, em Cristo oferecido.


Meus queridos, a Noite Santa da Instituição da Eucaristia também nos leva a adorar JESUS, depois da Missa "in coena Domini", da Ceia do Senhor, todos os anos estávamos tão acostumados... o Sacerdote terminava de distribuição da Comunhão, colocava a âmbula sobre o altar, e incensando o Santíssimo Sacramento... iniciava o coro: "Pange lingua gloriosi, Corporis Mysterium", "Ó língua, proclama o Mistério Glorioso do Corpo Santíssimo de Cristo. E ao som do nosso conhecido "Tão Sublime Sacramento", "Tantum ergo Sacramentum", íamos com as 'matracas' tocando na direção do altar da Reposição para passar aquela Noite, unidos a JESUS em momento de adoração com ELE, para que pelo menos até a meia noite, nós cumpríssemos aquele mandato, que miseravelmente os primeiros apóstolos não cumpriram. JESUS olhou para Pedro, Tiago e João e disse: "Não pudestes vigiar, ficar em vigília e rezar uma hora Comigo?" Durante anos e anos nós nos acostumamos na Comunidade Paroquial, distribuir os horários desta vigília durante à noite, e todos acorriam ao Sacrário... em muitos lugares isso não será possível... Mas "os verdadeiros adoradores", o Senhor os quer "em espírito e em verdade". "De tal forma, mulher, que Eu te digo que está chegando a hora, e é agora, que nem aqui e nem em Jerusalém, o PAI será adorado, mas será adorado em espírito e em verdade."


Primeiro, em verdade. Nós precisamos adorar a DEUS em verdade. Meus queridos, isso significa que quantas e quantas vezes pudemos ir ao Sacrário, adorar JESUS e simplesmente o que agente fez ocupar um lugar no genuflexório ou esquentar um banco de Capela. Nossa adoração de 'corpo presente' por assim dizer... não estávamos lá verdadeiramente 'em espírito e em verdade'.


Mas hoje, nesta Noite, nesta noite misteriosa que DEUS fez para nós, você pode enviar o seu Anjo da Guarda lá num Sacrário esquecido, num recanto deste planeta, diga ao seu Anjo da Guarda: "Vai, meu Santo Anjo, descobre, descobre um Sacrário, onde ninguém se lembrou que JESUS está lá, onde JESUS nesta noite não terá companhia de um coração adorador. Vamos adorar! Adorar JESUS!



Meus irmãos, é a noite da Eucaristia, é a noite da Adoração, é a noite de nós verdadeiramente mostrarmos que não existe paredes que nos impeça de adorar JESUS. Como aquelas paredes do Cenáculo não deixaram MARIA espiritualmente 'de fora', somente fisicamente... como aquelas paredes do Cenáculo, não impediram que MARIA comungasse espiritualmente, mas somente que comungasse sacramentalmente, nós, com a ajuda dos nossos Anjos da Guarda, com a ajuda da Virgem Santíssima e dos nossos Santos de devoção, vamos, vamos ao encontro, vamos acorrendo ao encontro do Senhor, porque é ELE que, nesta noite canto o Seu hino de louvor a DEUS!



O Arcebispo Fulton Sheen recorda que, em toda a Sagrada Escritura... não está em nenhum lugar registrado que JESUS tenha cantado, a não ser nesse momento... Quando JESUS saiu do Cenáculo para ir em direção ao Jardim da Agonia, o Getsêmani, o Horto das Oliveiras, ali JESUS cantou. JESUS saiu cantando em direção ao Seu Sacrifício.


Portanto, meus irmãos, não deixemos que este Hino de Louvor desta noite se cale. Sim, os microfones de nossas igrejas estarão desligados. Sim, os homens não ouvirão o canto, mas o canto dos Anjos, dos nossos Anjos da Guarda em cada Sacrário, o canto que brota de nosso coração, em cada lugar que está JESUS Eucarístico, o nosso canto suba aos céus, e que os Coros Celestes nos ajudem a cantar, e não deixar JESUS cantando sozinho. Com aquele mesmo impulso de caridade que você cantou um dia, junto com um grupinho, e viu que a voz estava vacilando, e você aumentou o volume da sua voz, para sustentar o canto... aumente o volume do seu coração, e sustente o canto de louvor.


Esta noite santíssima é uma noite que deve marcar nossas almas para o resto das nossas vidas... que Semana Santa será, será se ela for verdadeiramente a Semana santíssima em que nós, com nossos corações, nos voltamos para Cristo.

Que ocasião maravilhosa! Que Semana Santa diferente, sofrida, doída! Mas ao mesmo tempo, que Semana Santa de Kairós, de tempo oportuno, de impulso espiritual.


Vamos, irmãos, vamos, subamos o Getsêmani. Subamos com ELE, subamos! E se no seu coração está ali uma angústia, uma agonia pelo momento que vivemos, saiba: a sua angústia estava lá no Coração de JESUS naquela noite e nos Seus suores de Sangue, ELE carregou a sua dor.


Que o seu Anjo da Guarda venha então, de volta, para consolar você, como DEUS enviou um Anjo para consolar JESUS no Horto das Oliveiras.


DEUS abençoe você. + Em Nome do PAI, e do FILHO, e do ESPÍRITO SANTO. Amém.


Clique aqui para assistir o vídeo desta Homilia

30 março 2020

Orações e práticas em tempos de necessidade

Neste período de Pandemia do Coronavírus, em que muitos de nós, ou quase todos, estamos privados do Bem maior de nossas almas, que é participar da Santa Missa e receber Eucaristia, assim como receber o Sacramento da Confissão, e outros... incluindo também a convivência com nossos irmãos de paróquia e comunidade, precisamos erguer os olhos ao Céu e, com fé e esperança, ver em tudo a Mão poderosa e misericordiosa de DEUS, que pode utilizar tudo, tudo mesmo, para o bem de nossas almas.

Assim, este tempo de prova, que coincidiu com o Tempo da Quaresma, deve ser acolhido por todos como um tempo de Graça e de formação espiritual. Um tempo em que fortalecemos os laços familiares, mas também os laços espirituais com nossos irmãos, e nos faz olharmos mais para as coisas eternas, e para o tempo de nossa vida, que é um precioso dom, do que para as coisas materiais.

Que todos se esforcem, de aumentar a quantidade e qualidade de suas orações particulares e em família, e não se esqueçam que além de que a Quaresma já é Tempo de mortificação e penitência, quanto mais agora, em que passamos por esta grave situação; devemos nos despojar de todo o supérfluo e fortalecer a nossa vontade com as mortificações e penitências, buscando a nossa conversão, e clamando a misericórdia de Deus.

Deixamos aqui, pequenas, mas profundas orações, para fazermos em nossa pequena Igreja Doméstica.


Em tempos de Coronavírus

Senhor Jesus, Salvador do mundo,
esperança que nunca desilude,
tende piedade de nós e livrai-nos de todo mal!
Pedimos-Vos para vencer
o flagelo deste vírus que se está difundindo,
curar os doentes, preservar os sãos
e apoiar quem trabalha pela saúde de todos.
Mostrai-nos o Vosso Rosto de Misericórdia
e salvai-nos pelo Vosso grande Amor.
Nós Vos pedimos pela intercessão de Maria,
Vossa e nossa Mãe,
que com fidelidade nos acompanha.
Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos.
Amen.

Oração de Contrição

Senhor meu Jesus Cristo,
Deus e homem verdadeiro,
Criador e Redentor meu:
por serdes Vós quem sois,
sumamente Bom e digno de ser amado sobre todas as coisas,
e porque Vos amo e estimo, pesa-me, Senhor,
de todo o meu coração,
de Vos ter ofendido.
Pesa-me também de ter perdido o Céu
e merecido o inferno;
e proponho firmemente,
ajudado com o auxílio de Vossa divina Graça,
emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender.
Espero alcançar o perdão de minhas culpas
pela Vossa infinita Misericórdia. Amen.

Oração ao Santo Anjo da Guarda
quando não se pode participar da Santa Missa

Vai, ó meu Santo Anjo, por mim, à Igreja, agora,
ajoelha-te no meu lugar,
participa da Santa Missa e adora.
No Ofertório, coloca na patena
o que tenho, o que sou, o meu coração;
oferece-me inteiramente
ao serviço de Deus, em oblação.
Durante a Consagração,
adora como um Serafim ardente,
nosso Salvador Jesus Cristo,
que na Hóstia está verdadeiramente.
Lembra-te e reze por todos:
pelos que me magoaram, pelos meu queridos;
o Sangue de Jesus purifique também os meus falecidos.
Traz-me o Corpo e Sangue de Jesus
no gozo da Santa Comunhão,
e, em espírito, a Ele unido,
faz que seja Seu Templo o meu coração.
Suplica que para todos os homens
provenha deste Santo Sacrifício, a salvação.
Ao terminar a Santa Missa, traz-me, para casa,
a Bênção final. Amen.

Comunhão Espiritual

Oh! meu Jesus, creio firmemente
que estais presente no Santíssimo Sacramento.
Amo-Vos sobre todas as coisas
e minha alma suspira por Vós.
Mas como não posso receber-Vos agora,
de maneira sacramental,
vinde ao menos espiritualmente ao meu coração.

(momento de silêncio, para unir-se espiritualmente a Jesus)

Abraço-me Convosco, uno-me a Vós inteiramente.
Não permitais que eu me separe de Vós.
Oh! Jesus, sumo vem e doce amor meu,
vulnerai e inflamai o meu coração,
a fim de que esteja abrasado em Vosso amor para sempre.
Amen.

Oração de Santa Teresa de Calcutá

Maria, Mãe de Jesus,
dá-me o teu coração tão bonito,
tão puro, tão imaculado,
tão cheio de amor e humildade,
para que eu possa receber Jesus no Pão da Vida,
amá-Lo como tu o amaste
e servi-Lo como tu o serviste
no disfarce doloroso
dos mais pobres dos pobres.
Amen.

Oração para Comunhão espiritual
Beata Alexandrina

Jesus, eu Vos adoro em todo o lugar
onde habitais Sacramentado;
faço-Vos companhia pelos que Vos desprezam,
amo-Vos pelos que não Vos amam;
desagravo-Vos pelos que Vos ofendem.
Jesus, vinde ao meu coração!

(ou)

Meu Jesus Sacramentado,
vindo ao meu peito, vinde ao meu pobre coração!
É vosso, Jesus! Tomai-o inteiramente!
Fazei dele o alimento dos pobres pecadores!
Jesus, vem a mim e não Te separes mais!





21 março 2020

Como ser humilde?

Respondendo a pergunta de um de nossos leitores: Como alcançar a humildade?

"A humildade é a verdade." Nesta frase Santa Teresa d'Ávila resumiu a mais preciosa das virtudes.

Mas, verdade em quê sentido? A de reconhecermos que somos fracos e pecadores, que nada somos! "Somos pó e ao pó voltaremos" (cf. Gen 3,19). Tudo o que temos de bom vem de DEUS!

São Paulo já dizia: "O que há de superior em ti? Que é que possuis que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se o não tivesses recebido?" (I Cor 4,7)

Outros pontos interessante a refletir são o seguinte:
1) Todos somos iguais diante de DEUS: "porque todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo... Já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus." (Gal 3,26.28)

2) Que podemos perder tudo de uma hora para outra. Seja bens, ou até o próprio uso do intelecto, por uma doença ou acidente; assim, o que adianta possuir bens ou ter-se por inteligente neste mundo, só para ser melhor que os outros, se tudo haveremos de perder? "Havia um homem rico... ó minha alma, tens muitos bens em depósito para muitíssimos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Deus, porém, lhe disse: Insensato! Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma. E as coisas, que ajuntaste, de quem serão? Assim acontece ao homem que entesoura para si mesmo e não é rico para Deus." (cf. Lc 12,16-21)

Os dois tipos de hipocrisia que ferem a humildade:

- O 'orgulho refinado' é uma das características da falsa humildade. É aquele que pensa e diz que não é orgulhoso, e consegue habilmente se passar por humilde e piedoso, enganando a muitos.

- Mas existe também a falsa humildade, onde a pessoa sempre se rebaixa e se minimiza quando faz alguma coisa boa, só para ouvir mais elogios ainda, ou se passar por humilde.

Se fazemos ou falamos algo que realmente é bom, e reconhecemos isso, não devemos ser falsos humildes e dizer que não foi bom. O correto é agradecer e dizer: "Muito obrigado. Também gostei. DEUS é Bom, e me concedeu esta graça de realizar isso." Nesse caso, a pessoa reconhece que fez algo bom, mas sabe que foi DEUS que lhe deu aquele dom.

Como saber se ainda somos muito orgulhosos?

Talvez uma boa dica para saber se ainda é muito ou pouco orgulhoso, é medir o grau de humilhação que sentimos ao passarmos por uma situação difícil e de humilhação.

- Se sofremos muito, é que ainda somos muito orgulhosos. Ou seja, se fossemos colocar em número: Em uma escala de 1 a 10, se o nosso sofrimento, ao sermos humilhados, é de 9 pontos, então, significa que nosso orgulho também chega a 9 pontos.

- Se sofremos pouco, é que estamos começando a caminhar pelos caminhos da verdade... Ou seja, se o nosso sofrimento é 3 de pontos, significa que o nosso orgulho chega a estes 3 pontos... o restante seria humildade.

Já dizia Santa Teresa dos Andes: "Sou o que sou diante de DEUS, o que me importa as criaturas!" Assim, o humilde não se importa com a opinião das pessoas, sejam estas elogios, ou sejam insultos, ele está sempre humilde diante de DEUS que conhece quem ele verdadeiramente é. E Santa Terezinha também dizia algo parecido: "Eu sou o que DEUS pensa de mim!"

Assim, o que adianta queremos parecer diante dos outros melhores do que somos? E o que adianta lutarmos para estarmos acima e mandarmos nos outros, ou não aceitar nos submeter a eles?

Quantas vezes nos vangloriamos - e isso ocorre muito sutilmente -sem nos darmos conta de que fizemos ou dissemos tal coisa somente para parecermos bons (melhores do que somos), ou para contar vantagem de algo pequenino que fizemos?


Como mudar isso?
Reze a Ladainha da Humildade


Devemos sempre olhar nossa condição de pecadores, de que não podemos fazer nada sem a Graça de DEUS. JESUS mesmo dizia: "Sem Mim, nada podeis fazer" (Jo 15,5). Mas, vangloriar-se ou chamar a atenção também está ligado, de certa forma, à uma carência, pois o ser humano busca ser amado, reconhecido.

Sigamos o exemplo de JESUS que, "sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-Se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-Se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz" (Filipenses 2,6-8).

Se formos verdadeiramente humildes, cientes de nossa fraqueza e pequenez, tudo será descomplicado para nós.

E como dica, deixamos aqui o link de alguns excelentes Artigos:

02 março 2020

Exorto-vos, pois...!

O Tempo da Quaresma causa uma interessante mudança no cenário de nossas igrejas: pessoas de diversas idades, que não iam a uma igreja desde o último casamento de um parente ou amigo, ou desde a última Missa de 7º dia, entram novamente no recinto sagrado.
E começam, quase que furtivamente, a participar das Missas, Vias-Sacras, Rosários, fazem visita ao Santíssimo, ou ainda, temerosamente, aproximam-se do Confessionário...
Por sua vez, chegam também os frequentadores mais assíduos: os que vêm todos os domingos, ou quase todos os dias...
Aparentemente diferentes, eles têm um ponto em comum: desejam colocar em dia a consciência, mudar de vida, recomeçar. Mas, será que todos são realmente movidos pelo firme propósito de viver uma santa Quaresma preparando-se para Páscoa, ou são apenas motivados por um entusiasmo momentâneo, por uma piedade emocional? E porque poucos progridem na vida espiritual?
Depois da Capela do Santíssimo (onde está realmente presente nosso Senhor Jesus Cristo) e do Altar (no momento em que se celebra a Santa Missa), o lugar mais salutar que temos a graça de adentrar é o Confessionário. Pode-se dizer que ele é o Coração aberto de Cristo na Cruz.
Após sermos livres do pecado original, pelo Batismo, infelizmente continuamos pecando, pois as consequências dele permanecem sobre a nossa natureza humana, que fica enfraquecida e inclinada para o mal. A Confissão é este caminho de reconciliação, onde Deus, que é o próprio ofendido pelos nossos pecados, nos estende a mão, nos cura, e nos restaura. A Parábola do Filho Pródigo exemplifica bem isto: “estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado” (cf. Lc 15,32).
A Confissão não é algo que devemos ter medo, pois é um tribunal de Misericórdia! Imaginemos se não existisse esta possibilidade, e se pecando após o Batismo, não tivéssemos nenhuma outra oportunidade de alcançar o perdão?! Mas existe! E não uma só vez, mas inúmeras vezes. Durante toda a nossa vida podemos voltar a Ele e pedir perdão, que Ele nos acolhe e nos perdoa. Mas, nem por isso temos o direito de abusar da Graça e da Misericórdia de Deus! Assim, devemos levar a sério a nossa fé. Buscar estudar o Catecismo da Igreja Católica, e o que nos ensina o Sagrado Magistério, de acordo com a Sagrada Tradição e Escritura, e crer no que nós é ensinado, buscando vivê-lo a cada dia, não somente em datas especiais. Só assim alcançaremos o maior objetivo da nossa existência: nossa santificação e salvação!
Em relação à confissão, muitos têm dúvidas de quando o pecado é mortal (grave), ou não. É simples entender, e são três condições que determinam:
- Matéria grave (se é contra os 10 mandamentos);
- Plena consciência (saber que tal coisa é errado. E devemos levar em conta de que mesmo se a pessoa não teve um ensinamento catequético sobre os 10 Mandamentos, a própria consciência sempre alerta sobre o que é certo ou errado; a respeito disso, confira Rm 2,14-15);
- Pleno consentimento (a vontade deliberada de cometer aquele ato).
Todas as condições precisam estar presentes para ser considerado grave; faltando uma delas, é considerado pecado venial.
Ao ler isto, não nos enganemos achando que é difícil alguém pecar gravemente; infelizmente é bem mais fácil do que pensamos cair nestes pecados que ferem a caridade contra Deus e o próximo. Inclusive, “a ignorância afetada e o endurecimento do coração não diminuem, antes aumentam, o caráter voluntário do pecado” (Cat § 1859).
E para obtermos o perdão de Deus, o que é preciso?
Em primeiro lugar devemos fazer o exame de consciência. (Veja neste link um ótimo guia: www.comshalom.org/exame-de-consciencia/);
Depois, é indispensável a contrição (verdadeiro arrependimento, que inclui o firme propósito de não pecar);
E é claro: a acusação dos pecados, que é feita através da confissão individual (a confissão comunitária é permitida somente em casos extremos; ver Cat § 1483);
E por fim, a penitência (cumprir a penitência imposta pelo Sacerdote, que geralmente é uma oração, uma mortificação, ou uma obra de caridade relacionada ao pecado que se cometeu).

Além disso, existem três pontos importantes, que devemos pôr em relevo:
- devemos crer que Deus pode e quer nos perdoar;
- devemos aceitar o perdão que Ele nos concede;
- e devemos perdoar também quem nos ofendeu.
 O primeiro ponto é óbvio. Deus é o Soberano, e nós somos suas simples criaturas. Quando pecamos, O ofendemos. Mas devemos crer que Ele tem o poder não somente de nos perdoar através dos Sacerdotes (confira: Mt 9,2-8; Jo 20,23; II Cor 5,18) como também quer nos perdoar, porque nos ama! “Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos Ele amado, e enviado o Seu Filho para expiar os nossos pecados... Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco.” (I Jo 4,10.16).
O segundo ponto depende do primeiro: Se cremos que Deus pode e quer nos perdoar, devemos aceitar este perdão!
Nos Evangelhos, vemos muitas passagens onde Jesus manifestava o Seu poder e misericórdia, curando e fazendo inúmeros milagres, mas mesmo assim, muitos não acreditavam, e diziam que tudo o que Ele fazia era por obra do maligno. Esso é o chamado “pecado contra o Espírito Santo”, ou seja, pecado contra o Amor de Deus.
E este é o único pecado que a Bíblia diz que não tem perdão. Por quê? Ora, como Deus pode perdoar uma pessoa que não quer ser perdoada?!
É só considerarmos isso em relação a nós mesmos. Se temos a abertura de coração para perdoar alguém que nos ofendeu, mas esta pessoa não acredita em nós, e não aceita nosso perdão, o que fazer? Seria possível obrigar esta pessoa a acreditar em nós e aceitar o perdão que oferecemos?! Claro que não! E a mesma coisa é com Deus em relação a nós! Ele oferece o perdão, mas só recebe o perdão quem se arrepende e o aceita.
O terceiro ponto também é muito importante. Certa vez, São Pedro perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? Respondeu Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” (Mt 18, 21-22). Se achamos que isso é um absurdo, como podemos esperar o perdão de Deus? (cf. Mt 19,23-35). Se não conseguimos perdoar o outro como podemos rezar a oração do Pai-nosso?
Interessante saber que a tradução mais fiel (conforme o original do texto bíblico) desta oração ensinada a nós pelo próprio Jesus, diz: “perdoai as nossas dívidas, como nós perdoamos os nossos devedores”, e não “perdoai as nossas ofensas”.
Embora aparentemente tenha o mesmo sentido, a palavra "dívida" expressa com muito mais clareza nosso estado diante de Deus: Não somente O ofendemos, como se isso não tivesse tido nenhuma consequência, mas também contraímos uma dívida para com Ele. Nossos atos têm consequências, não somente temporais, mas eternas! Assim, o pecado sempre carrega não só uma culpa, mas também uma pena. Mas Ele, por Sua Misericórdia, nos oferece este abraço de perdão... contanto que também perdoemos o próximo.
O perdão dos pecados é uma graça, mas quantas vezes as pessoas recusam esta graça;
- diretamente (não confessando),
- ou indiretamente (fazendo confissões sem verdadeiro propósito de mudança, mal feitas, ou até sacrílegas).
Por isso, alguns entram na igreja, durante o período da Quaresma, e saem do mesmo jeito, porque vivem de uma maneira artificial, emotiva, e não verdadeira!
São Paulo escreveu: “Exorto-vos, pois, que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados” (Ef 4, 1), e esta vocação é a “que vos destina à herança do céu” (Hb 3,1). "Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e achar a graça de um auxílio oportuno." (Hb 4,16)