03 dezembro 2016

Um Advento e Natal diferente!

A GRANDE DESCOBERTA (conto natalino)
O dia ainda nem tinha clareado direito e Zezinho já estava em pé.
_ Acorda vó! Vamos!
E Dona Ana, despertando assustada, se deparou com o netinho, de pijama, junto à sua cama, todo descabelado, tentando arrancar a meia.
_ Mas, querido, o que é isso! Ainda são seis horas, é preciso esperar até as oito!
_ Mas vó, se agente chegar atrasado, vamos ficar sem o Papai Noel. Só tem cinco, eu vi na propaganda!
Então, depois de rezar ao Anjo da Guarda, ir ao banheiro, lavar o rosto, tomar o leite com chocolate, escovar os dentes, trocar de roupa, colocar o tênis... Uff! Isso era muita coisa a fazer, para quem estava tão ansioso! Enfim, depois de tudo isso, lá foi Zezinho com sua avó, todo feliz, em direção ao shopping, para a tão esperada compra dos enfeites de Natal.
Assim que chegaram, para aflição do garoto, já havia diversas pessoas esperando a loja abrir. Pela porta de vidro dava para ver lá dentro, tanta coisa bonita aos olhos: Pisca-pisca, árvores de Natal de vários tamanhos, com bolas brilhantes e coloridas, bengalas cheias de doces, sapatos e botas de colocar na lareira, trenó com renas que piscavam seu nariz vermelho, guirlandas musicais, e até pinheiros de verdade! Mas o que mais chamou a atenção de Zezinho foi um boneco do Papai Noel com mais de um metro de altura. Com uma mão, ele segurava um saco de presentes que pendia pelas costas, e com a outra, segurava a barriga. Sua cabeça mexia pra frente e para trás, como se estivesse rindo, e ele ainda falava: “Ho! Ho! Ho! Merry Christmas, children's!”
_ É igual aquele, vó! O que eu quero é igual aquele!
Assim que abriram as portas, houve certo tumulto; eram adultos, crianças, jovens, todos querendo entrar ao mesmo tempo! Zezinho foi correndo em direção ao Papai Noel, e puxando um vendedor pelo braço, perguntou:
_ Quanto custa, moço?
Mas que decepção! O Papai Noel era muito caro!
_ Oh! Zezinho – disse Dona Ana – não tenho condição de comprar, custa todo o salário de um mês da vovó!
Com os olhos cheios de lágrimas, meio cabisbaixo, ele ainda tentou justificar:
_ É porque é importado!
_ Vamos procurar mais! Quem sabe achamos outras coisas interessantes? – consolou a avó. E apontando uma prateleira, disse:
Veja! Tem estes enfeites para a árvore!
_ É... Pode ser. – falou Zezinho, pegando um Papai Noel com 'gorrinho de duende'.
E foram colocando na cestinha, pequenos e baratos enfeites de dependurar na árvore: bolinhas coloridas, bengalas, estrelas, renas de nariz vermelho...
Zezinho tinha um bom coração e gostava muito da sua avó, mas, mesmo assim, tinha ficado bastante triste por não poder levar o boneco do Papai Noel pra casa; afinal, ele tinha escutado seus coleguinhas dizerem: “Que graça tem o Natal sem o Papai Noel? É o mais importante; pois é ele quem traz todos os brinquedos!”
Então, quando já estavam saindo da loja, Zezinho avistou um negócio estranho, entre umas caixas, num cantinho da loja, junto à porta que dava para o depósito. Parecia uma uma gruta ou cabana de madeira.
_ Vó, o que é aquilo?
Um vendedor que estava perto foi logo brigando com o rapaz do depósito:
_ Porque deixaram isso aí?! – E olhando para eles, continuou:
_ Desculpe a bagunça... É um antigo presépio, mas tá quebrado... Aliás, nem se vende mais este tipo de coisa!
_ Presépio! O que é isso, vovó?

Então, enquanto voltavam para casa, Dona Ana ia explicando. O menino nem piscava, com os olhos arregalados, ouvindo a narração da avó. Chegando em casa, Dona Ana, sentou no sofá, colocou as pernas cansadas em um banquinho, e continuou:
_ Quando eu era criança, em vez de ir à loja comprar enfeites, saíamos para o campo, em busca de pedrinhas, areia e palha, para montar o nosso presépio. Todos os anos, montávamos um diferente. Todas as casas tinham seu presépio, mas o nosso era o mais bonito, pois como seu bisavô era carpinteiro, ele mesmo esculpia na madeira os personagens. Tinha os anjos, os pastores, as ovelhinhas, e até uma estrela guia! Mas o que eu mais gostava era um São José puxando o burrinho, com uma Nossa Senhora grávida, sentada nele. Estes eram para o Tempo do Advento.

_ Advento, o que é isso?
_ É o tempo em que esperamos a chegada do Natal! Todos os domingos, ao voltar da Missa, mamãe acendia uma vela na Coroa do Advento.
_ Coroa do Advento! – exclamou o garoto sem entender.
_ É um símbolo do Advento, querido! É um círculo feito com cipó enrolado, coberto com ramos de pinheiro; dentro dele colocamos quatro velas, que representam as quatro semanas do Advento. Em cada domingo do Advento acendíamos uma vela.
_ Ah! É igual à guirlanda que tem na porta de casa?
_ Sim! – sorriu a avó – Mas a nossa era colocada na mesa, dentro de um prato de barro, com as quatro velas. Gostávamos muito dela, porque a cada domingo, quando mamãe acendia uma vela, significava que o Natal estava mais perto!...
_ Que legal!
_ Mas agora, pega um copo de água para a vovó, que já está cansada de tanto falar.
Depois de buscar o copo de água, Zezinho sentou-se a seus pés, dizendo:
_ Conta mais! Conta mais!
E Dona Ana, com os brilhantes olhos verdes, olhando ao longe, ia relembrando:
_ Então, depois da vela acesa, meus irmãos e eu corríamos até o presépio, para colocar o São José e a Nossa Senhora grávida mais perto da gruta. E a cada domingo colocávamos mais perto! Depois, na véspera do Natal, tirávamos estas imagens e colocávamos outras: o São José e a Nossa Senhora ajoelhados.
_ Que seu pai também tinha feito de madeira?
_ Sim! E o mais legal era na manhã do Natal. Pulávamos da cama e íamos correndo até a sala, para ver se o Menino Jesus já estava na manjedoura; porque o papai só o colocava lá depois que agente tinha ido dormir. Agente já sabia, mas, mesmo assim, era muito emocionante encontrar Ele lá!
_ Menino Jesus na manjedoura! Como assim?
_ Uai, meu querido, porque quando o Menino Jesus nasceu, no dia do Natal, Nossa Senhora o colocou na manjedoura, porque eles não tinham conseguido hospedagem em nenhum outro lugar! Manjedoura era o lugar que os bois comiam.
_ Nossa! - disse o garoto espantado. E a avó riu passando a mão nos cabelos de Zezinho.
_ Mas, 'peraí'! O Menino Jesus nasceu no dia do Natal?! – questionou Zezinho surpreso.
_ Claro, meu amor! O Natal é o nascimento do Menino Jesus! Ele nasceu lá na gruta, porque ninguém quis dar hospedagem para José e Maria na cidade de Belém!
_ Que triste!
_ Mas os Anjos vieram com os Pastores para adorar o Menino Jesus. Assim, nós também, como os pastores devemos adorar o Menino Jesus, pois Ele nasceu para nos salvar!
_ Vovó, eu pensava que o Natal é a festa do Papai Noel! – disse o garoto surpreso e envergonhado.
_ De jeito nenhum! O Natal é o aniversário do Menino Jesus! E tem mais, depois de alguns dias, também vieram os sábios Reis para adorar o Menino Jesus. Eles vieram de países bem distantes, trazendo os presentes de ouro, incenso e mirra. É por isso que as pessoas trocam presentes no dia do Natal, para comemorar esta data tão importante.
_ Mas 'peraí', vovó, se é o aniversário do Menino Jesus, ele quem deveria ganhar os presentes!
A avó sorriu e comentou:
_ As pessoas trocam presentes entre si para demonstrar a alegria deste dia, e cada presente, deveria representar Jesus. Que a pessoa está presenteando a outra com o melhor presente: Jesus!
_ Mas e Jesus, Ele não ganha presente?
_ Creio que o melhor presente que ele quer é o nosso coração! Por isso devemos deixar o nosso coração bem limpo, sem nada de ruim nele, então, o Menino Jesus pode vir nascer em nosso coração. Este é o Natal mais bonito!
Zezinho ficou um tempo olhando para sua avó e exclamou:
_ Mas, vó! As pessoas estão sendo enganadas! – exclamou o menino, levantando do chão. E com determinação, foi até a porta e disse:
Meus colegas precisam saber disso! O Natal não é do Papai Noel, com renas e duendes no trenó. Isso nem existe! O Natal é do Menino Jesus!
E correndo pela rua, Zezinho voltou à loja, pediu ao vendedor o presépio velho e, com a ajuda da avó, colou as peças quebradas. Depois, levou para a escola e mostrou aos coleguinhas, repetindo para eles a história que sua vó lhe tinha contado: a verdadeira história do Natal.


E desde aquele dia, quando chegava o Tempo do Advento, as crianças não se interessavam tanto mais em ir às lojas, comprar enfeites brilhantes e caros, mas queriam ir ao campo, pegar pedrinhas, areia e palhas, para montar em casa o seu próprio Presépio!

02 novembro 2016

Creio na Comunhão dos santos... na Ressurreição da carne e na vida eterna!

A Igreja dedica o mês de novembro às almas, iniciando com a “Solenidade de Todos os Santos” no dia 1º e comemorando no dia 2 os fiéis falecidos. Quando o dia 1º ocorre durante a semana, a celebração é transferida para o próximo domingo, facilitando assim às pessoas a participação na Santa Missa. Já o chamado “Finados” é sempre celebrado no dia 2, pois também é um feriado civil.


É muito significativo que estas duas celebrações estejam próximas, pois são intimamente ligadas entre si no que se refere à “comunhão dos santos”; e juntas remetem a um tema de suma importância da nossa fé: a ressurreição e a vida eterna.


Sabe-se que desde os tempos apostólicos, a Igreja sempre ofereceu orações - principalmente a Santa Missa - em sufrágio pelos falecidos, ou pediu a intercessão daqueles já considerados santos, pois cremos que “a Igreja do Céu, a Igreja da Terra e a Igreja do Purgatório estão misteriosamente unidas” (B. João Paulo II - Reconciliatio et poenitentia, 12) formando em Cristo uma única Igreja.


Crer que “todos os crentes formam um só Corpo em Cristo (Rm 12, 5), e que o bem de uns é comunicado aos outros” (Sto. Tomás) faz parte da fé e confiança que devemos ter na força da oração do próprio Cristo: “que todos sejam um, assim como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti, para que também eles estejam em Nós... quero que, onde Eu estou, estejam comigo aqueles que Me deste, para que vejam a Minha glória que Me concedeste” (Jo 17, 21.24).


A adesão a Jesus pela fé, nos garante que, através da comunhão com Ele - que é a Cabeça do Corpo Místico da Igreja - alcançaremos também aquilo que Ele conquistou para nós: a ressurreição e a vida eterna! E é esta nossa fé que nos difere de diversas expressões religiosas.


A crença na ressurreição engloba o que há de mais intrínseco em nossa fé: é impossível se dizer cristão quem nega a ressurreição, favorecendo uma doutrina oposta. A esse respeito lê-se na Palavra de Deus: “A passagem de uma sombra: eis a nossa vida, e nenhum reinício é possível uma vez chegado o fim, porque o selo lhe é aposto e ninguém volta” (Sab 2, 5), “como está determinado que os homens morram uma só vez” (Hb 9, 27).


Jesus vincula a fé na ressurreição à Sua própria Pessoa, dizendo: “Eu Sou a Ressurreição e a Vida!” (Jo 11, 25). Ele não é um mestre de vida espiritual, ou um ser iluminado que chegou ao mais alto grau de evolução espiritual... Ele é o Filho de Deus e Deus mesmo; “sofreu livremente a morte por nós em uma submissão total e livre à vontade de Deus, Seu Pai. E por Sua morte venceu a morte, abrindo, assim, a todos os homens a possibilidade da salvação” (Cat. 1019).


São Paulo exortava: “Como podem alguns dentre vós dizer que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou! E, se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação, vazia é também a vossa fé. Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que adormeceram” (I Cor 15, 12 - 14. 20). E assim “cremos firmemente que, da mesma forma que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos e vive para sempre, assim também, depois da morte, os justos viverão para sempre com Cristo ressuscitado e que Ele os ressuscitará no último dia” (Cat. 989).


O Catecismo da Igreja Católica afirma claramente no parágrafo 1013: “A morte é o fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo de graça e de misericórdia que Deus lhe oferece para realizar sua vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir seu destino último. Quando tiver terminado o único curso de nossa vida terrestre, não voltaremos mais a outras vidas terrestres. Os homens devem morrer uma só vez (Hb 9, 27). Não existe reencarnação depois da morte”.


Assim, para nós, cristãos, é incompatível a crença de que precisamos passar por várias vidas em corpos diferentes para ir nos purificando até chegar a um grau perfeito de evolução. Ninguém se purifica a si mesmo, ou se salva por si mesmo; a santificação e a salvação “deriva da iniciativa de amor de Deus para conosco” (Cat 620), alcançado para nós por Cristo, que - por causa de nossos pecados - morreu, para nos alcançar a salvação. É claro que a salvação, sendo um Dom gratuito de Deus, não nos tira a responsabilidade, é preciso a nossa colaboração e aceitação do Projeto de Deus. Aí entra nossa liberdade de acolher a vida como um dom de Deus, e saber que cada minuto de nossa existência nesta nossa “única vida terrena” é uma escolha decisiva para a vida eterna.



Que as celebrações destes dias aumente em nós a gratidão e alegria pelo Dom da vida que Deus nos deu, e pela Graça da salvação que Cristo nos alcançou. Tenhamos a certeza de que a morte não tem a palavra final, pois Jesus afirmou: “Esta é a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 40).

01 fevereiro 2016

Vestir os nus

Obras de Misericórdia são aquelas com que se socorrem o nosso próximo nas suas necessidades corporais ou espirituais. São sete corporais e sete espirituais, conforme as necessidades dos que se socorrem. Neste Ano da Misericórdia, iremos a cada mês trazer aos amigos e leitores explicações sobre cada uma delas, a fim de aprofundarmos juntos neste assunto, e não perdermos as oportunidades de graças que a Igreja nos oferece durante este tempo, de modo especial agora na Quaresma.

Neste mês vamos refletir sobre: ‘Vestir os nus’. Trata-se de uma obra corporal, mas nela há muito de espiritual. No Evangelho de Lucas, vemos a exortação de São João Batista: “Quem tem duas túnicas, dê uma a quem não tem!” (Lc 3, 11a), e São Tiago nos questiona: “Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma” (Tg 2, 15-17). Costuma-se dizer: “A roupa que está no seu guarda-roupa e você não usa há algum tempo, já não te pertence, é dos pobres”. Isso é algo bem prático. Mas vemos ainda um outro aspecto:

«Não ter roupa, ou estar quase nu, cobertos de farrapos, é uma condição que tem importantes conotações psicológicas e espirituais. “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei para lá” (Jó 1, 21). A vida humana desenrola-se entre duas nudezes: a do início da vida, e a do fim da vida. Como é óbvio, trata-se de um processo físico que tem a ver com a nudez do recém-nascido, mas também tem um valor psicológico e simbólico: no fim da vida abandonamos aquilo a que nos tínhamos ligado, deixamos aquilo a que nos tínhamos habituado. O ato de vestir a nudez do início e do fim da vida coloca toda a existência humana sob o signo dos cuidados necessários ao nosso 'ser-corpo'. A nudez é abandono ao estado natural, ao passo que o vestir é obra de cultura e distingue o humano dos animais. A roupa traduz o sentido de pudor, que talvez seja o mais antigo gesto que nos distingue dos animais, e que não se limita ao âmbito sexual, mas que abarca a totalidade do ser humano.» ¹

A bíblia nos diz que «depois que pecaram, Adão e Eva tentaram se cobrir com as folhas da figueira, mas Deus não achou suficiente, assim Ele “fez para Adão e sua mulher umas vestes de peles, e os vestiu” (Gên. 3,21). Este texto sagrado nos mostra que Deus cobriu os corpos que se despiram, através do pecado, do vestuário da graça. Por esta razão, todos temos de nos vestir decentemente, modestamente e com dignidade. Aqueles que aparecem vestidos indecentemente são um incentivo ao pecado, e por isso são responsáveis não só por seus próprios pecados, mas também por aqueles que outros podem cometer por causa deles. Vemos que o mundo, infelizmente, segue a moda indecente como se fosse lei – é um truque do demônio, uma armadilha inteligente, com a qual o diabo capturas almas.

Além de ser uma defesa contra o pecado, o vestuário modesto com o qual devemos nos cobrir é uma marca distintiva que nos diferencia no fluxo de imoralidade, e nos capacita a ser, para o mundo, verdadeiras testemunhas de Cristo.»²

Percebemos assim, dois aspectos importantes, ligados entre si. O aspecto social e o ontológico. Quer dizer que, mesmo sendo algo objetivo e prático, que visa o bem físico do próximo (dar roupa aos pobres que precisam), envolve também a integridade da pessoa, pois é necessário importar-se com a dignidade daquele pobre que, para além do frio, tem o direito de cobrir o seu corpo, que é templo do Espírito Santo.

E em relação a nós mesmos, devemos buscar nos vestir modesta e decentemente, porque também somos templos do Espírito, e não devemos ser causa de pecado de quem nos vê. Nestes dias de Carnaval, quantos pecados horríveis são cometidos por causa da nudez dos corpos. Jesus revelou a Santa de Ângela de Foligno o quanto Ele sofreu pelos pecados impuros e os cometidos contra a falta de modéstia no vestir. Há séculos, o demônio vem tentando mudar a mentalidade da sociedade, para que possa aceitar como bom, aquilo que é pecado, acostumando as pessoas progressiva e quase que imperceptivelmente com as roupas curtas, decotadas, transparentes e justas ao corpo. E ele faz isso, principalmente através daquilo que mais influencia as pessoas, e que para elas se torna referência: a moda, as pessoas importantes, ou que estão em evidência no momento (atores de novelas, de programas de TV, de filmes, os cantores, as revistas).

A beata Jacinta, pastorinha de Fátima, quando estava no hospital, já prestes a morrer, recebeu ainda muitas visitas de Nossa Senhora. Em uma delas, a Mãe do Céu revelou-lhe: “Virão modas que ofenderão muito Nosso Senhor. As pessoas que servem a Deus não devem seguir essas modas. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o mesmo!”. Nossa Senhora previu isto, as modas indecentes que o demônio induziria às pessoas a acharem “normal”; e hoje, vemos isto até dentro das igrejas, mas na verdade não é normal, e é pecado!

Por isso o cristão autêntico, busca fugir destas armadilhas do demônio e do mundo, ajudando com caridade seus irmãos mais necessitados, e também cuidando de si mesmo, para não ser ocasião de queda para ninguém. Lembrando que Jesus disse: “Aquele que olhar para uma mulher e desejar possuí-la, já cometeu adultério no seu coração.” (Mt 5, 28). Portanto, que as mulheres tomem muito cuidado com as suas roupas, para não serem causa de pecado para os homens, pois este pecado também pesará sobre elas.

Enfim, que possamos, a partir desta Quaresma, colocarmos em prática duas coisas bem simples e necessárias: cobrir a nudez do pobre, com a esmola, e a nossa, com a modéstia!

¹ - www.laboratoriodafe.net
² - Ir. Lúcia de Fátima: www.modaemodestia.com.br

Publicado no Informativo da Comunidade Sol de Deus – fev 2016

01 dezembro 2015

A espera na Fé

O santo padre, papa Bento XVI, iniciou sua Carta Apostólica “Porta Fidei” afirmando que “a porta da fé está sempre aberta para nós”!

Estamos entrando no período que antecede o Natal; que não é ainda o momento das festas, mas de preparação e vigilância; e mais do que nunca, neste “Ano da Fé”, um tempo que nos convida a entrar pelas portas deste mistério: a espera na fé.

Para o cristão, o Ano Novo inicia-se no Primeiro Domingo do Advento, e no decorrer das semanas somos conduzidos ao encontro com o Emanuel. O Salvador que desce até nós e Se faz um de nós... mas para quê? Não para se prender conosco nos horizontes deste mundo, mas para elevar-nos, conduzir-nos para o alto!

É por isso que advento significa a espera por algo ou alguém importante que está para chegar! Assim, não só nos aponta para a vinda de Jesus Menino no Natal, mas também para a segunda vinda de Cristo, Glorioso, que virá rodeado de Seus Anjos; é o que vemos no Primeiro Domingo do Advento. Interessante como a Santa Igreja preparou os textos para cada domingo formando-nos neste caminho de fé.

No segundo domingo, é nos mostrada a figura de São João Batista, que nos alerta para termos atitudes firmes de penitência e conversão. E com a alegria do perdão, abre-se a terceira semana proclamando: “Alegrai-vos!” É o domingo da alegria: Gaudete; porque nos anuncia a proximidade da chegada do Senhor. E por fim, conclui-se este período preparatório com a doce presença da Virgem, modelo vivo de fé. Ninguém melhor do que Maria para ensinar-nos e preparar-nos para a chegada de seu filho Jesus.

Devemos ter consciência de que esta espera não pode ser apenas ritual, pois tudo na vida cristã tem um sentido bem profundo! Deus ao vir até nós, abriu-nos novamente a porta que o pecado havia fechado. Ele Se rebaixou-Se até nós, nos tocou. Cabe-nos agora responder, abrindo nossa porta a Ele, com a adesão à Sua proposta.

São Paulo escreveu que “a fé deve operar pela caridade” (Gal 5, 6b), e São Tiago que “sem obras ela é morta” (Tg 2, 17); portanto a fé está ligada ao assentimento do intelecto e da vontade. Ela não é algo subjetivo, mas bem concreto, e somos nós que decidimos, se aceitamos ou não!Abrir a porta à Cristo, esperando na fé, é preparar nossa casa, nossa família, nosso coração, nossa vida para a chegada de Alguém muito importante que quer morar conosco e conduzir-nos com Ele para um lugar muito melhor, e que Ele já preparou para nós!

Se ficarmos só no exterior das festas, comidas e presentes, deixaremos passar pela nossa porta o Cristo que veio humilde e simples, como uma criança, e não O conseguiremos identificar. E passadas as festividades, as preocupações e sofrimentos do dia a dia nos serão muito pesadas. É preciso que o encontro com Jesus Menino no Natal realmente produza no mais profundo do nosso ser a certeza de que não estamos sozinhos nem abandonados, mas há Alguém que cuida de nós, que nos ama, em Quem podemos confiar com segurança. É preciso apoiarmos n'Ele. Para isso é imprescindível que a preparação para a Sua vinda também seja bem feita, através dos Sacramentos, em especial a confissão e a Eucaristia, mas também uma vida de oração verdadeira.

Assim, a espera na fé, será fonte de alegria, como nos afirma São Pedro: “Isto é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que agora fiqueis por algum tempo aflitos, por causa de várias provações. Deste modo, a vossa fé será provada como sendo verdadeira, mais preciosa que o ouro perecível, que é provado no fogo e alcançará louvor, honra e glória, no dia da manifestação de Jesus Cristo. Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem O ver ainda, n'Ele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação” (I Pd 1, 6-9).
Publicado no Informativo da Comunidade Sol de DEUS - dez 2012.

Venite Adoremus


 “E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, e vimos Sua glória...” (Jo 1, 14). Assim João Evangelista resumiu o maior acontecimento da história. De fato, a humanidade, mesmo os que não creem, se moldaram ao ‘Antes e Depois de CRISTO’.

Não se sabe o dia exato que nasceu JESUS, apenas que, no século II, no dia 25 de dezembro, havia a ‘Festa do sol’, quando - no hemisfério norte - em meio ao inverno gelado, o sol voltava a aparecer, e com sua luz e calor vencia as trevas e o frio da neve. A Igreja encontrou nesta data, ótima ocasião para evangelizar e educar os povos pagãos, colocando novo sentido para esta festa; pois sendo CRISTO verdadeiramente o Sol de DEUS, veio iluminar o mundo que jazia nas trevas do pecado, e o abrasar com o Seu amor Misericordioso.

Mas hoje, a perda do ‘sentido do sagrado’ e da verdadeira piedade, está fazendo com que esta Festa Cristã seja substituída pela pagã, e o que devia ser guiado pelo ‘espírito do sagrado’, está sendo conduzido pelo ‘espírito do comércio’, que aliás, a inaugura bem antes, para alcançar mais lucro. A figura do ‘Papai Noel’ está sufocando a imagem do verdadeiro aniversariante: o Menino JESUS; principalmente na cabeça e no coraçãozinho das crianças. DEUS nos ajude para que daqui há algum tempo as crianças não passem a acreditar que quem nasceu no Natal foi o ‘Papai Noel’!

A figura do ‘bom velhinho’, surgiu na Alemanha em 1886, por um cartunista chamado Thomas Nast, foi espalhada pelo mundo inteiro em 1931, em uma campanha publicitária de refrigerante. Mas talvez poucos sabem que a inspiração deste personagem foi São Nicolau, um Bispo católico, nascido por volta do ano 280 d.C., na Turquia. O Bispo, caridoso, costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas nas portas ou chaminés das casas.

Mas longe de querer tirar o sentido dos "tradicionais" símbolos natalinos, como ‘Papai Noel’, Árvore de Natal, Panetones, Luzinhas pisca-pisca, etc., não podemos deixar de frisar que há um símbolo muito mais belo, e com muito mais sentido: o Presépio.

Conta-se que em 1223, em Greccio, Itália, foi montado o primeiro presépio da história, por São Francisco de Assis. Seu objetivo era explicar às pessoas mais simples como foi o nascimento de JESUS. Verdadeiramente o Presépio nos faz compreender que só em torno do Menino, o mundo pode encontrar a paz, a alegria, a luz, o sentido, a salvação.

“Existe um ser humano mais frágil do que um bebê recém-nascido? Uma habitação mais pobre do que uma gruta? Um bercinho mais simples do que uma manjedoura?”(2) No entanto, este pequenino indefeso, que repousa entre as palhas, é o Criador do Universo, o próprio DEUS, que veio habitar entre os homens; para viver como eles (exceto no pecado), e enfim, morrer no lugar deles, para salvá-los.

Em cada Natal temos a oportunidade de reviver este acontecimento singular, pois “não se trata apenas de uma recordação de fatos que pertencem ao passado; mas de uma realidade muito mais profunda, é antes o próprio CRISTO que vive sempre na Sua Igreja e que prossegue o caminho de imensa misericórdia por Ele iniciado, piedosamente, nesta vida mortal, quando passou fazendo o bem...” (1)

“Se hoje, não vemos diretamente, como os pastores o Divino Menino repousando nas palhas(2), entre Maria e José, entre o boi, o burro e as ovelhas, “contemplamo-Lo com os olhos da Fé, na Pequenina, Frágil, Imaculada Hóstia, que o sacerdote apresenta para a adoração dos fiéis; não ouvimos a voz dos Anjos entoando o Glória, mas chega a nós o convite da Santa Igreja: ‘Vinde, adoremos!’ Se grande foi a fé daqueles homens simples de crerem que aquele Pequenino, era o próprio DEUS, nossa fé pode alcançar grau mais elevado se considerarmos o mesmo DEUS, escondido na Eucaristia”.(2)

Que no esplendor desta Noite Santa, possamos verdadeiramente abrir nosso coração para que nele nasça o Menino DEUS, acolhendo-O com amor, apresentando nossas ofertas do ouro da caridade, o incenso da fé e a mirra da humildade. ‘Venite adoremus!’

1 Pio XII, Mediator DEI, n. 150.
2 Clara Izabel Morazzani Arráiz, Revista Arautos do Evagelho.