01 fevereiro 2016

Vestir os nus

Obras de Misericórdia são aquelas com que se socorrem o nosso próximo nas suas necessidades corporais ou espirituais. São sete corporais e sete espirituais, conforme as necessidades dos que se socorrem. Neste Ano da Misericórdia, iremos a cada mês trazer aos amigos e leitores explicações sobre cada uma delas, a fim de aprofundarmos juntos neste assunto, e não perdermos as oportunidades de graças que a Igreja nos oferece durante este tempo, de modo especial agora na Quaresma.

Neste mês vamos refletir sobre: ‘Vestir os nus’. Trata-se de uma obra corporal, mas nela há muito de espiritual. No Evangelho de Lucas, vemos a exortação de São João Batista: “Quem tem duas túnicas, dê uma a quem não tem!” (Lc 3, 11a), e São Tiago nos questiona: “Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma” (Tg 2, 15-17). Costuma-se dizer: “A roupa que está no seu guarda-roupa e você não usa há algum tempo, já não te pertence, é dos pobres”. Isso é algo bem prático. Mas vemos ainda um outro aspecto:

«Não ter roupa, ou estar quase nu, cobertos de farrapos, é uma condição que tem importantes conotações psicológicas e espirituais. “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei para lá” (Jó 1, 21). A vida humana desenrola-se entre duas nudezes: a do início da vida, e a do fim da vida. Como é óbvio, trata-se de um processo físico que tem a ver com a nudez do recém-nascido, mas também tem um valor psicológico e simbólico: no fim da vida abandonamos aquilo a que nos tínhamos ligado, deixamos aquilo a que nos tínhamos habituado. O ato de vestir a nudez do início e do fim da vida coloca toda a existência humana sob o signo dos cuidados necessários ao nosso 'ser-corpo'. A nudez é abandono ao estado natural, ao passo que o vestir é obra de cultura e distingue o humano dos animais. A roupa traduz o sentido de pudor, que talvez seja o mais antigo gesto que nos distingue dos animais, e que não se limita ao âmbito sexual, mas que abarca a totalidade do ser humano.» ¹

A bíblia nos diz que «depois que pecaram, Adão e Eva tentaram se cobrir com as folhas da figueira, mas Deus não achou suficiente, assim Ele “fez para Adão e sua mulher umas vestes de peles, e os vestiu” (Gên. 3,21). Este texto sagrado nos mostra que Deus cobriu os corpos que se despiram, através do pecado, do vestuário da graça. Por esta razão, todos temos de nos vestir decentemente, modestamente e com dignidade. Aqueles que aparecem vestidos indecentemente são um incentivo ao pecado, e por isso são responsáveis não só por seus próprios pecados, mas também por aqueles que outros podem cometer por causa deles. Vemos que o mundo, infelizmente, segue a moda indecente como se fosse lei – é um truque do demônio, uma armadilha inteligente, com a qual o diabo capturas almas.

Além de ser uma defesa contra o pecado, o vestuário modesto com o qual devemos nos cobrir é uma marca distintiva que nos diferencia no fluxo de imoralidade, e nos capacita a ser, para o mundo, verdadeiras testemunhas de Cristo.»²

Percebemos assim, dois aspectos importantes, ligados entre si. O aspecto social e o ontológico. Quer dizer que, mesmo sendo algo objetivo e prático, que visa o bem físico do próximo (dar roupa aos pobres que precisam), envolve também a integridade da pessoa, pois é necessário importar-se com a dignidade daquele pobre que, para além do frio, tem o direito de cobrir o seu corpo, que é templo do Espírito Santo.

E em relação a nós mesmos, devemos buscar nos vestir modesta e decentemente, porque também somos templos do Espírito, e não devemos ser causa de pecado de quem nos vê. Nestes dias de Carnaval, quantos pecados horríveis são cometidos por causa da nudez dos corpos. Jesus revelou a Santa de Ângela de Foligno o quanto Ele sofreu pelos pecados impuros e os cometidos contra a falta de modéstia no vestir. Há séculos, o demônio vem tentando mudar a mentalidade da sociedade, para que possa aceitar como bom, aquilo que é pecado, acostumando as pessoas progressiva e quase que imperceptivelmente com as roupas curtas, decotadas, transparentes e justas ao corpo. E ele faz isso, principalmente através daquilo que mais influencia as pessoas, e que para elas se torna referência: a moda, as pessoas importantes, ou que estão em evidência no momento (atores de novelas, de programas de TV, de filmes, os cantores, as revistas).

A beata Jacinta, pastorinha de Fátima, quando estava no hospital, já prestes a morrer, recebeu ainda muitas visitas de Nossa Senhora. Em uma delas, a Mãe do Céu revelou-lhe: “Virão modas que ofenderão muito Nosso Senhor. As pessoas que servem a Deus não devem seguir essas modas. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o mesmo!”. Nossa Senhora previu isto, as modas indecentes que o demônio induziria às pessoas a acharem “normal”; e hoje, vemos isto até dentro das igrejas, mas na verdade não é normal, e é pecado!

Por isso o cristão autêntico, busca fugir destas armadilhas do demônio e do mundo, ajudando com caridade seus irmãos mais necessitados, e também cuidando de si mesmo, para não ser ocasião de queda para ninguém. Lembrando que Jesus disse: “Aquele que olhar para uma mulher e desejar possuí-la, já cometeu adultério no seu coração.” (Mt 5, 28). Portanto, que as mulheres tomem muito cuidado com as suas roupas, para não serem causa de pecado para os homens, pois este pecado também pesará sobre elas.

Enfim, que possamos, a partir desta Quaresma, colocarmos em prática duas coisas bem simples e necessárias: cobrir a nudez do pobre, com a esmola, e a nossa, com a modéstia!

¹ - www.laboratoriodafe.net
² - Ir. Lúcia de Fátima: www.modaemodestia.com.br

Publicado no Informativo da Comunidade Sol de Deus – fev 2016

01 dezembro 2015

A espera na Fé

O santo padre, papa Bento XVI, iniciou sua Carta Apostólica “Porta Fidei” afirmando que “a porta da fé está sempre aberta para nós”!

Estamos entrando no período que antecede o Natal; que não é ainda o momento das festas, mas de preparação e vigilância; e mais do que nunca, neste “Ano da Fé”, um tempo que nos convida a entrar pelas portas deste mistério: a espera na fé.

Para o cristão, o Ano Novo inicia-se no Primeiro Domingo do Advento, e no decorrer das semanas somos conduzidos ao encontro com o Emanuel. O Salvador que desce até nós e Se faz um de nós... mas para quê? Não para se prender conosco nos horizontes deste mundo, mas para elevar-nos, conduzir-nos para o alto!

É por isso que advento significa a espera por algo ou alguém importante que está para chegar! Assim, não só nos aponta para a vinda de Jesus Menino no Natal, mas também para a segunda vinda de Cristo, Glorioso, que virá rodeado de Seus Anjos; é o que vemos no Primeiro Domingo do Advento. Interessante como a Santa Igreja preparou os textos para cada domingo formando-nos neste caminho de fé.

No segundo domingo, é nos mostrada a figura de São João Batista, que nos alerta para termos atitudes firmes de penitência e conversão. E com a alegria do perdão, abre-se a terceira semana proclamando: “Alegrai-vos!” É o domingo da alegria: Gaudete; porque nos anuncia a proximidade da chegada do Senhor. E por fim, conclui-se este período preparatório com a doce presença da Virgem, modelo vivo de fé. Ninguém melhor do que Maria para ensinar-nos e preparar-nos para a chegada de seu filho Jesus.

Devemos ter consciência de que esta espera não pode ser apenas ritual, pois tudo na vida cristã tem um sentido bem profundo! Deus ao vir até nós, abriu-nos novamente a porta que o pecado havia fechado. Ele Se rebaixou-Se até nós, nos tocou. Cabe-nos agora responder, abrindo nossa porta a Ele, com a adesão à Sua proposta.

São Paulo escreveu que “a fé deve operar pela caridade” (Gal 5, 6b), e São Tiago que “sem obras ela é morta” (Tg 2, 17); portanto a fé está ligada ao assentimento do intelecto e da vontade. Ela não é algo subjetivo, mas bem concreto, e somos nós que decidimos, se aceitamos ou não!Abrir a porta à Cristo, esperando na fé, é preparar nossa casa, nossa família, nosso coração, nossa vida para a chegada de Alguém muito importante que quer morar conosco e conduzir-nos com Ele para um lugar muito melhor, e que Ele já preparou para nós!

Se ficarmos só no exterior das festas, comidas e presentes, deixaremos passar pela nossa porta o Cristo que veio humilde e simples, como uma criança, e não O conseguiremos identificar. E passadas as festividades, as preocupações e sofrimentos do dia a dia nos serão muito pesadas. É preciso que o encontro com Jesus Menino no Natal realmente produza no mais profundo do nosso ser a certeza de que não estamos sozinhos nem abandonados, mas há Alguém que cuida de nós, que nos ama, em Quem podemos confiar com segurança. É preciso apoiarmos n'Ele. Para isso é imprescindível que a preparação para a Sua vinda também seja bem feita, através dos Sacramentos, em especial a confissão e a Eucaristia, mas também uma vida de oração verdadeira.

Assim, a espera na fé, será fonte de alegria, como nos afirma São Pedro: “Isto é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que agora fiqueis por algum tempo aflitos, por causa de várias provações. Deste modo, a vossa fé será provada como sendo verdadeira, mais preciosa que o ouro perecível, que é provado no fogo e alcançará louvor, honra e glória, no dia da manifestação de Jesus Cristo. Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem O ver ainda, n'Ele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação” (I Pd 1, 6-9).
Publicado no Informativo da Comunidade Sol de DEUS - dez 2012.

Venite Adoremus


 “E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, e vimos Sua glória...” (Jo 1, 14). Assim João Evangelista resumiu o maior acontecimento da história. De fato, a humanidade, mesmo os que não creem, se moldaram ao ‘Antes e Depois de CRISTO’.

Não se sabe o dia exato que nasceu JESUS, apenas que, no século II, no dia 25 de dezembro, havia a ‘Festa do sol’, quando - no hemisfério norte - em meio ao inverno gelado, o sol voltava a aparecer, e com sua luz e calor vencia as trevas e o frio da neve. A Igreja encontrou nesta data, ótima ocasião para evangelizar e educar os povos pagãos, colocando novo sentido para esta festa; pois sendo CRISTO verdadeiramente o Sol de DEUS, veio iluminar o mundo que jazia nas trevas do pecado, e o abrasar com o Seu amor Misericordioso.

Mas hoje, a perda do ‘sentido do sagrado’ e da verdadeira piedade, está fazendo com que esta Festa Cristã seja substituída pela pagã, e o que devia ser guiado pelo ‘espírito do sagrado’, está sendo conduzido pelo ‘espírito do comércio’, que aliás, a inaugura bem antes, para alcançar mais lucro. A figura do ‘Papai Noel’ está sufocando a imagem do verdadeiro aniversariante: o Menino JESUS; principalmente na cabeça e no coraçãozinho das crianças. DEUS nos ajude para que daqui há algum tempo as crianças não passem a acreditar que quem nasceu no Natal foi o ‘Papai Noel’!

A figura do ‘bom velhinho’, surgiu na Alemanha em 1886, por um cartunista chamado Thomas Nast, foi espalhada pelo mundo inteiro em 1931, em uma campanha publicitária de refrigerante. Mas talvez poucos sabem que a inspiração deste personagem foi São Nicolau, um Bispo católico, nascido por volta do ano 280 d.C., na Turquia. O Bispo, caridoso, costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas nas portas ou chaminés das casas.

Mas longe de querer tirar o sentido dos "tradicionais" símbolos natalinos, como ‘Papai Noel’, Árvore de Natal, Panetones, Luzinhas pisca-pisca, etc., não podemos deixar de frisar que há um símbolo muito mais belo, e com muito mais sentido: o Presépio.

Conta-se que em 1223, em Greccio, Itália, foi montado o primeiro presépio da história, por São Francisco de Assis. Seu objetivo era explicar às pessoas mais simples como foi o nascimento de JESUS. Verdadeiramente o Presépio nos faz compreender que só em torno do Menino, o mundo pode encontrar a paz, a alegria, a luz, o sentido, a salvação.

“Existe um ser humano mais frágil do que um bebê recém-nascido? Uma habitação mais pobre do que uma gruta? Um bercinho mais simples do que uma manjedoura?”(2) No entanto, este pequenino indefeso, que repousa entre as palhas, é o Criador do Universo, o próprio DEUS, que veio habitar entre os homens; para viver como eles (exceto no pecado), e enfim, morrer no lugar deles, para salvá-los.

Em cada Natal temos a oportunidade de reviver este acontecimento singular, pois “não se trata apenas de uma recordação de fatos que pertencem ao passado; mas de uma realidade muito mais profunda, é antes o próprio CRISTO que vive sempre na Sua Igreja e que prossegue o caminho de imensa misericórdia por Ele iniciado, piedosamente, nesta vida mortal, quando passou fazendo o bem...” (1)

“Se hoje, não vemos diretamente, como os pastores o Divino Menino repousando nas palhas(2), entre Maria e José, entre o boi, o burro e as ovelhas, “contemplamo-Lo com os olhos da Fé, na Pequenina, Frágil, Imaculada Hóstia, que o sacerdote apresenta para a adoração dos fiéis; não ouvimos a voz dos Anjos entoando o Glória, mas chega a nós o convite da Santa Igreja: ‘Vinde, adoremos!’ Se grande foi a fé daqueles homens simples de crerem que aquele Pequenino, era o próprio DEUS, nossa fé pode alcançar grau mais elevado se considerarmos o mesmo DEUS, escondido na Eucaristia”.(2)

Que no esplendor desta Noite Santa, possamos verdadeiramente abrir nosso coração para que nele nasça o Menino DEUS, acolhendo-O com amor, apresentando nossas ofertas do ouro da caridade, o incenso da fé e a mirra da humildade. ‘Venite adoremus!’

1 Pio XII, Mediator DEI, n. 150.
2 Clara Izabel Morazzani Arráiz, Revista Arautos do Evagelho.

04 agosto 2015

Os Sacerdotes e a Confissão


«É desejo ardente de JESUS CRISTO
ver Seus sacerdotes penetrados pela sublime Graça de seu caráter,
e ao mesmo tempo, pelo sentimento de sua fraqueza,
e virem até Seu Coração,
e receberem, desse foco Divino,
a Luz que ilumina e o Calor que vivifica.

Ide, pois, sacerdotes de JESUS às fontes do Salvador.
Ide colar vossos lábios a essa Chaga de Amor,
de onde brota o Sangue de vossos Cálices.
Ide a esse foco do Amor Infinito.
Enchei de Fogo vosso peito; enchei-vos de Amor e espalhai-o pelo mundo.»

Dos escritos da Venerável Serva de DEUS, Luísa Margarida Claret de la Touche

Jamais falar mal de um sacerdote

"Primeiro o Sacerdote, depois o Anjo"

Dizia São João Maria Vianney (o Santo Cura d'Ars): "Se me encontrasse com um Sacerdote e com um Anjo, saudaria primeiro o Sacerdote, depois o Anjo... senão tivéssemos o Sacerdote, de quê nos valeria a Paixão e a Morte de Jesus? Para que serviria um cofre cheio de jóias de ouro, se não houvesse quem pudesse abri-lo? O Sacerdote é que tem a chave dos tesouros celestes." "O sacerdote é o Amor do Coração de Jesus!"

Jamais falemos mal de um sacerdote

Das revelações de Jesus à Mutter Katharina Vogl*

“Nunca se deve censurar o sacerdote, até quando se pensa que ele é culpado de algum erro. Ao contrário, deve-se rezar por ele e fazer penitência para que Eu lhe devolva a Minha Graça. Somente o sacerdote é quem Me representa. Assim o é. Até quando ele não vive segundo o Meu exemplo!... Quando um sacerdote cai, devemos estender-lhe a mão em auxílio através da oração, e não por meio da censura! Eu mesmo serei o seu Juiz. Somente Eu, e ninguém mais!”

“Aquele que censura um sacerdote, o faz também a Mim. Minha filha, nunca permita que se ataque os sacerdotes. Defenda-os sempre... Nunca julgue a seu confessor. Antes, reze muito por ele e ofereça a Santa Comunhão em sua intenção a cada quinta-feira, mediante as mãos de Minha Mãe Santíssima... Já não voltes a aceitar nenhuma palavra contra um sacerdote e não voltes a pronunciar palavras ásperas (contra eles), ainda que fosse correto! Cada sacerdote é Meu representante, e Meu Coração Se sente triste e ofendido com tal insulto! Quando escutar algum juízo contra um sacerdote, reze uma Ave-Maria por ele!”

“Se vês um sacerdote celebrar a Santa Missa indignamente, não diga nada a ninguém, mas, conte a Mim somente! No altar, Eu estou junto dele, Eu estou ao seu lado! Oh! Há que se rezar muito por Meus sacerdotes, para que amem a pureza acima de todas as coisas e para que celebrem o Santo Sacrifício da Missa com mãos puras e corações castos! Certamente, o Santo Sacrifício permanece igual, até quando se é celebrado por um sacerdote indigno, mas as graças derramadas sobre o povo não são iguais!

* Katharina Vogl, conhecida como ‘Mutter Vogl’, nasceu na Alemanha, em 1871. Foi mãe de família, membro da Ordem terceira franciscana, e dedicou sua vida à oração pelos sacerdotes. Teve muitas revelações místicas de Jesus e Maria. Faleceu em 4 de janeiro de 1956, em München, sendo sepultada no Waldfriedhof. O padre Alfons Maria Weigl publicou 3 livros sobre ela, entre eles: “Mutter Vogls - weltweite Liebe”, do qual foram retirados estes escritos.


"Ai de mim levantar a mão contra o ungido do Senhor,
pois ele é consagrado ao Senhor!" (I Samuel 24,7).


O Valor de um sacerdote


Por Hugo Wast


Quando se pensa que nem a Santíssima Virgem pode fazer o que um sacerdote faz;



Quando se pensa que nem os anjos, nem os arcanjos, nem Miguel nem Rafael, nem príncipe algum daqueles que venceram lúcifer podem fazer o que um sacerdote faz;



Quando se pensa que nosso Senhor Jesus Cristo, na ultima Ceia, realizou um milagre maior do que a criação do Universo com todos os seus esplendores, e transformou o pão e o vinho em seu Corpo e seu Sangue, para alimentar o pecador, e que este prodígio, diante do qual se ajoelham os anjos e os homens, o sacerdote pode repeti-lo todos os dias;



Quando se pensa no outro milagre que somente um sacerdote pode realizar: perdoar os pecados, e que o que ele liga no fundo do seu humilde confessionário, DEUS, obrigado por sua própria palavra, o liga no Céu, e o que ele desliga, no mesmo instante o desliga DEUS;

Quando se pensa que o mundo morreria da pior fome se chegasse a lhe faltar esse pouquinho de “Pão” e esse pouquinho de “Vinho”;

Quando se pensa que isso possa acontecer, porque estão faltando as vocações sacerdotais; e que quando isso acontecer se estremecerão os céus e se romperá a Terra, como se a mão de DEUS, tivesse deixado de sustentá-la; e as pessoas gritarão de fome e de angustia, e pedirão esse “Pão”, e não haverá quem lhes dê; e pedirão a absolvição de suas culpas, e não haverá quem os absolva, e morrerão com os olhos abertos pelo maior dos espantos…
Quando se pensa que um sacerdote é mais necessário que um presidente, mais que um militar, mais do que um banqueiro, mais do que um médico, mais que um professor, porque ele pode substituir a todos e ninguém pode substituí-lo;

Quando se pensa que um sacerdote, quando celebra no altar tem uma dignidade maior que de um rei; e que não é um símbolo, sem sequer um embaixador de CRISTO, mas é CRISTO mesmo que está ali, repetindo o maior milagre de DEUS…

Quando se pensa tudo isso…

Compreende-se a imensa necessidade de fomentar as vocações sacerdotais;

Compreende-se o afã com que, nos tempos antigos, cada família ansiava que do seu seio brotasse, como um ramo de perfume, uma vocação sacerdotal;

Compreende-se o imenso respeito que os povos tinham pelos sacerdotes, o que se refletia em suas leis;

Compreende-se que, se um pai ou uma mãe obstruem a vocação sacerdotal de um filho, é como se renunciassem a um título de honra incomparável;

Compreende-se que mais do que uma igreja, mais que uma escola e mais do que um hospital, é um seminário ou um noviciado;

Compreende-se que ajudar a construir ou manter um seminário ou um noviciado é multiplicar os nascimentos do Redentor;

Compreende-se que ajudar a custear os estudos de um jovem seminarista ou de um noviço é aplainar o caminho por onde chegará ao altar um homem que, durante um hora, todos os dias, será muito mais que todas as celebridades da Terra e que todos os santos do Céu, pois será Cristo mesmo, sacrificando o Seu Corpo e o Seu Sangue, para alimentar o Mundo.

Testemunho de Santa Teresinha

Como sacristã
no Carmelo de Lisieux,
em 1896.


«Durante um mês convivi com muitos padres santos e vi que, se sua sublime dignidade os eleva acima dos Anjos, nem por isso deixam de ser homens frágeis e fracos.... Se padres santos, que Jesus denomina no Seu Evangelho “sal da terra”, mostram em sua conduta que precisam extremamente de orações, o que dizer daqueles que são tíbios?» 

(Santa Teresa de Lisieux, História de uma alma, cap. VI)


Oração de Santa Teresinha pelos sacerdotes

por Santa Teresinha do Menino Jesus.

Ó Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, conservai os Vossos sacerdotes sob a proteção do Vosso Coração amabilíssimo, onde nada de mal lhes possa suceder.

Conservai ilibadas suas mãos ungidas, que tocam todos os dias Vosso Corpo Santíssimo. Conservai puros os seus lábios, tintos pelo Vosso Sangue preciosíssimo.

Conservai puros e desapegados dos bens da terra os seus corações, que foram selados com o caráter sublime do Vosso glorioso sacerdócio. Fazei-os crescer no amor e fidelidade para Convosco e preservai-os do contágio do mundo.

Dai-lhes também, juntamente com o poder que têm de transubstanciar o pão e o vinho em Vosso Corpo e Sangue, o poder de transformar os corações dos homens.

Abençoai os seus trabalhos com copiosos frutos, e concedei-lhes um dia a coroa da vida eterna. Amém!

Oração por todos os sacerdotes

pelo Cardeal George William Mundelein

Onipotente e Eterno Deus, dignai-Vos olhar a Face de Vosso Cristo, o Eterno e Sumo Sacerdote e por amor d’Ele tem piedade de Vossos sacerdotes.

Lembrai-Vos ó Deus misericordioso que são apenas débeis criaturas. Mantém vivo neles o fogo do Vosso amor. Guardai-os junto a Vós, a fim de que o inimigo não prevaleça contra eles, e para que jamais se tornem indignos de sua sublime vocação.

Ó Jesus, suplico-Vos por Vossos fiéis e fervorosos sacerdotes, por Vossos sacerdotes tíbios e infiéis, por Vossos sacerdotes que trabalham nas longínquas ou próximas missões, por Vossos sacerdotes que sofrem tentações, por Vossos sacerdotes que sofrem a solidão e a desolação, por Vossos jovens sacerdotes, por Vossos sacerdotes idosos, por Vossos sacerdotes enfermos, por Vossos sacerdotes agonizantes, pelas almas de Vossos sacerdotes que padecem no purgatório.

Mas sobremodo Vos encomendo o sacerdote que me batizou, os que me absolveram dos pecados, e aqueles cujas Santas Missas participei, e que me deram Vosso Corpo e Sangue na Sagrada Comunhão, aqueles que me alertaram e instruíram, que me alentaram e aconselharam, a todos aos quais me liga uma dívida de gratidão. Ó Jesus, guardai-os todos junto ao Vosso Sagrado Coração e concedei-lhes copiosas bênçãos, agora e na eternidade. Amém.

Oração pelo confessor e diretor espiritual

Ó Deus, pois que com a Vossa solicitude paterna, me destes para guardião e guia um tão digno ministro Vosso. Peço-Vos por ele, ó Senhor:

Um espírito de humildade e obediência,
de disciplina, piedade e oração,
o santo temor e a simplicidade,
a paciência e a mansidão,
desapego e a mortificação,
a pureza de alma, corpo e sentidos, mente e coração,
a fortaleza e a sabedoria,
a compreensão, o discernimento e o conselho,
a firmeza na fé e na esperança,
a mais ardente caridade,
o zelo mais iluminado,
a santidade mais sublime!


Conservai-o sempre com saúde, e ajudai-o em suas missões e deveres diários, para que consiga cumprir tudo à tempo, com perfeição e alegria, e a graça da perseverança na fidelidade até o fim, com a consolação inefável de conduzir para o Vosso Amorosíssimo Coração um imenso exército de almas, que Vos bendigam, Vos amem, e que formem para sempre no Paraíso, a sua gloriosa coroa.

Concedei-me também a graça de pôr em prática seus sábios ensinamentos, a fim de que consiga conquistar todas as virtudes que, para Vossa glória, aumento de seus méritos, e para minha salvação, devem resplandecer em mim. Amém.